O Verbo de Deus nasceu uma vez para todos segundo a carne. Mas, por causa do seu amor pelos homens, quer nascer sem cessar pelo espírito para todos os que O desejam; e assim, faz-Se menino e forma-Se neles ao mesmo tempo que as virtudes, manifestando-Se na medida da capacidade daquele que O recebe. Agindo desta forma, não é por ciúme que atenua o brilho da sua própria grandeza, mas por aferir e medir a capacidade daqueles que desejam vê-Lo. O Verbo de Deus revela-Se-nos sempre da maneira que nos convém, e contudo permanece invisível para todos, por causa da imensidade do seu mistério. PorLeia mais →

Uma vez que o prazer dos sentidos dá origem à aflição, isto é, à dor da alma (pois são uma e a mesma coisa), o prazer da alma dá naturalmente origem à aflição, isto é, à dor dos sentidos. Aquele que procura a vida que espera, a vida de nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, através da ressurreição dos mortos, na herança guardada nos Céus e isenta de toda a corrupção, impureza e maldição (cf 1Pe 1,4), tem uma alegria e um júbilo inefáveis na sua alma, está sempre radioso, iluminado pela esperança dos bens futuros, mas tem uma aflição na carne e nos sentidos,Leia mais →

Tem atenção à tua pessoa. Vê se o mal que te separa do teu irmão não se encontrará em ti, e não nele. Apressa-te a reconciliar-te com ele (cf Mt 5,24), a fim de não ignorares o mandamento do amor. Não desprezes o mandamento do amor, pois é por ele que serás filho de Deus. Se, porém, o transgredires, serás filho da geena. […] Foste posto à prova pelo teu irmão e a tristeza conduziu-te ao ódio? Não te deixes vencer pelo ódio, mas vence-o pelo amor. Vencerás da seguinte maneira: rezando sinceramente a Deus por ele, desculpando a sua ofensa e procurando mesmo justificá-lo,Leia mais →

«Quem Me ama, guardará os meus mandamentos», diz o Senhor. «Ora, o meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros» (cf Jo 14,15.23; 15,12). […] Deste modo, quem não ama o seu próximo não guarda este mandamento. E quem não guarda este mandamento não ama o Senhor. […] Se o amor é o cumprimento da lei (cf Rom 13,10), aquele que quer mal ao seu irmão, que faz intrigas contra ele, que lhe deseja mal e se alegra com as suas quedas está a transgredir a lei e merece o castigo eterno. Se aquele que calunia e julga o seu irmão calunia eLeia mais →

Está dito: «Em quem repousarei, senão naquele que é manso e humilde, e teme as minhas palavras?» (Is 66,2,LXX). Está claro, pois, que o Reino de Deus Pai pertence aos humildes e aos mansos. Com efeito, também está dito: «Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a Terra» (Mt 5,4). […] A Terra é o estado e o poder, firme e imutável, suscitado pela beleza e a retidão dos mansos, porque eles estão sempre com o Senhor, comunicam uma alegria incessante, conquistaram o Reino preparado desde o começo e são dignos do lugar e da ordem do Céu, qual terra cuja localização no centro do Universo éLeia mais →

Foi o próprio Deus quem suscitou e engendrou a agapê e o erôs. Foi Ele próprio quem conduziu para o exterior, ou seja, para as suas criaturas, este amor que está nele. É por isso que está dito: «Deus é amor (agapê)» (1Jo 4,16), e também: «Ele é suavidade e desejo» (Cant 5,16,LXX), ou seja, erôs. Ele próprio é o Amado e Aquele que é verdadeiramente amável. Por isso, está dito que o erôs amoroso se expande dele e que Ele próprio, que engendrou o erôs, é verdadeiramente amável e amado, desejável e digno de ser escolhido: Ele põe em movimento os seres que velamLeia mais →

A lei da graça ensina diretamente aqueles que conduz a imitarem o próprio Deus, que de tal maneira nos amou mais do que a Si próprio, se assim podemos dizer (e note-se que, por causa do pecado, éramos seus inimigos), que veio ao nosso ser, Ele que está acima de todos os seres, que Se fez homem, que quis ser um homem como os outros, e que não rejeitou assumir a nossa condenação. E, assim como por economia Se fez homem, assim nos divinizou pela graça, a fim de que aprendêssemos, não somente a ligar-nos naturalmente uns aos outros e a amar-nos espiritualmente uns aosLeia mais →

A palavra de Deus, semelhante ao grão de mostarda, parece muito pequena antes de ser cultivada. Quando, porém, é cultivada adequadamente, torna-se tão grande que as razões nobres das criaturas sensíveis e inteligíveis repousam à sua sombra. Pois ela abarca a razão de todos os seres, mas não pode ser contida por nenhum deles. Por isso, quem tem fé como um grão de mostarda pode deslocar montanhas com a sua palavra, como disse o Senhor (cf Mt 17,20), ou seja, expulsar o poder que o demônio tem sobre nós e mudar o fundamento. O Senhor é um grão de mostarda, semeado em espírito, pela fé,Leia mais →

Cada um de nós possui a energia manifesta do Espírito na proporção da fé que tem em si (cf Rom 12,6); deste modo, cada pessoa é intendente da sua própria graça, e quem tem boas disposições não poderá invejar outro que vê ser honrado por graças, dado que tem em si a disposição para receber os bens de Deus. É a medida da fé de cada pessoa que faz com que os bens de Deus permaneçam nela; pois é na medida em que cremos que nos é dado o fervor para agir. Assim pois, quando uma pessoa age, revela a medida da sua fé naLeia mais →

A candeia que está no lampadário é Nosso Senhor Jesus Cristo, a verdadeira luz do Pai «que ilumina todo o homem que vem a este mundo» (Jo 1,9). Dito de outra forma, Cristo é a Sabedoria e a Palavra do Pai, que, tendo aceitado a nossa carne, Se tornou realmente e foi chamado a «luz» do mundo. Ele é celebrado e exaltado na Igreja pela nossa fé e pela nossa piedade, tornando-Se desse modo visível para todas as nações e brilhando para «todos os da casa», isto é, para o mundo inteiro, de acordo com as suas palavras: «Não se acende uma candeia para aLeia mais →