Comentário ao Evangelho de São João, I, 21-25 Considero os quatro evangelhos os elementos essenciais da fé da Igreja […] e penso que as suas primícias estão […] no Evangelho de João, o qual, para falar daquele de quem outros fizeram a genealogia, se inicia precisamente por Aquele que não a tem. Com efeito, escrevendo para judeus que esperavam o descendente de Abraão e de David, Mateus diz: «Genealogia de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão» (Mt 1,1); e Marcos, sabendo muito bem o que escreve, traz: «Princípio do evangelho» (Mc 1,1). Já em João encontramos o fim do evangelho: é o VerboLeia mais →

Todos nós, que acreditamos em Jesus Cristo, somos chamados «pedras vivas», segundo as palavras da Escritura: «Vós, como pedras vivas, entrais na construção de um edifício espiritual, em função de um sacerdócio santo, cujo fim é oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus, por Jesus Cristo» (1Pd 2:5). Ora, quando se trata de pedras terrenas, sabemos que se colocam nos alicerces as mais sólidas e fortes, para que se lhes possa confiar e sobrepor todo o peso do edifício; da mesma maneira se deve entender que também de entre as pedras vivas algumas estão colocadas nos alicerces deste edifício espiritual. Quais são essas pedras que estãoLeia mais →

Jesus é Aquele que saiu do tronco de Jessé segundo a carne, que nasceu da descendência de David segundo a carne e foi estabelecido no seu poder de Filho de Deus segundo o Espírito que santifica (cf Is 11,1; Rom 1,3-4). Sim, Ele é o ramo saído do tronco de Jessé», mas não é um ramo, pois é «o Primogénito de toda a criatura» (Col 1,15); Ele não é apenas um ramo, mas é Deus, é o Verbo que estava com Deus e o Verbo que era Deus (cf Jo 1,1); Aquele que nasceu segundo a carne é uma vara saída do tronco de Jessé,Leia mais →

«Bem sei que sois descendentes de Abraão». […] Aquele que é a semente de Abraão deve tornar-se seu filho, assumindo a sua semelhança. Mas pode acontecer que, por negligência ou inação, destrua essa preciosa semente dentro de si. Jesus sabia que eles eram da descendência de Abraão e que ainda não tinham perdido o poder de se tornar filhos de Abraão. Foi por isso que lhes disse: «Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão»: se eles quisessem deixar crescer esta preciosa semente em todo o seu potencial, compreenderiam as palavras de Jesus. […] Há quem escolha apenas uma das obras de Abraão,Leia mais →

No decurso de uma refeição, Jesus levantou-Se da mesa e despojou-Se das suas vestes, tomando a aparência de escravo, como demonstram estas palavras: «tomando uma toalha, atou-a à cintura», para não ficar completamente nu e para limpar os pés dos discípulos com as suas vestes. Vede a que ponto se baixa a grandeza e a glória do Verbo feito carne: para lavar os pés dos seus discípulos, «deitou água na bacia» (Jo 13,2-5). «Abraão ergueu os olhos e viu três homens de pé na sua frente. Imediatamente correu da entrada da tenda ao seu encontro, prostrou-se por terra e disse: “Meu Senhor, se mereci oLeia mais →

Simeão sabia que Aquele que tinha nos braços é o único que pode libertar-nos da prisão do corpo, com a esperança na vida futura. Foi por isso que disse: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque enquanto não tive Cristo nos braços era como que prisioneiro, incapaz de me libertar das minhas cadeias». E isto não se aplica somente a Simeão, mas a todos os homens: se alguém abandona este mundo para alcançar o Reino, tome Jesus nos braços, aperte-O ao peito, e poderá chegar com grande alegria aonde deseja ir. […] «Todos aqueles que são movidos peloLeia mais →

Admiremos João Batista por causa do seguinte testemunho: “Entre os filhos de mulher, ninguém ultrapassa João Batista” (Lc 7,28); ele mereceu ser elevado a uma tal reputação de virtude que muitas pessoas pensavam que ele era o Cristo (Lc 3,15). Mas há uma coisa ainda mais admirável: Herodes, o tetrarca, detinha poder real e podia fazê-lo morrer quando quisesse. Ora ele tinha cometido uma ação injusta e contrária à lei de Moisés ao tomar a mulher do seu irmão. João, sem ter medo dele nem fazer acepção de pessoas, sem dar importância ao poder real, sem recear a morte…, sem escamotear qualquer destes perigos, repreendeuLeia mais →

«Ela [Rebeca] desceu à fonte e encheu o cântaro», diz-nos a Escritura (Gn 24,16). Todos os dias Rebeca ia à fonte buscar água. E, como todos os dias passava algum tempo junto do poço, o servo de Abraão pôde encontrá-la e dá-la em casamento a Isaac. Poderíamos pensar que se trata de um conto ou de uma bela história posta na Escritura pelo Espírito Santo; mas não, trata-se de um verdadeiro ensinamento espiritual, de uma instrução dirigida à nossa alma, para a ensinar a ir todos os dias à fonte das Escrituras, às águas do Espírito Santo, tirar água sem se cansar, para levar oLeia mais →

Cristo é «a luz do mundo» (Jo 8,12), que ilumina a Igreja com a sua luz; e, tal como a lua recebe a sua luz do sol a fim de iluminar a noite, assim também a Igreja, recebendo a luz de Cristo, ilumina todos aqueles que se encontram na noite da ignorância. […] Cristo é «a luz verdadeira, que ilumina todo o homem que veio a este mundo» (Jo 1,9), e a Igreja, recebendo a sua luz, torna-se luz do mundo, «iluminando aqueles que caminham nas trevas» (Rom 2,19), de acordo com esta palavra de Cristo aos seus discípulos: «Vós sois a luz do mundo»Leia mais →

Nem todos os que contemplam Cristo são igualmente iluminados por Ele; cada um o é na medida em que pode receber a luz. Os olhos do nosso corpo não são igualmente iluminados pelo Sol; quanto mais subimos a lugares elevados, quanto mais alto contemplamos o nascer do Sol, melhor recebemos a sua luz e o seu calor. Assim também o nosso espírito, quanto mais subir e se elevar para perto de Cristo, mais perto se lhe oferecerá a luz da sua claridade e será iluminado pela sua luz de forma mais brilhante e magnífica. Disse o Senhor de Si próprio através do profeta: «Aproximai-vos deLeia mais →