«O que é tido como loucura de Deus é mais sábio que os homens, e o que é tido como fraqueza de Deus é mais forte que os homens» (1Cor 1,25). Sim, a cruz é uma loucura e uma fraqueza, mas só aparentemente. […] A doutrina da cruz conquistou os espíritos em todo o mundo, por meio de pregadores ignorantes. Esta doutrina abriu uma escola onde não se tratava de questões banais, mas de Deus e da verdadeira fé, da vida segundo o evangelho e do juízo futuro. Assim, a cruz transformou em filósofos pessoas simples e iletradas. É por isso que a loucura daLeia mais →

«Jesus retirou-Se para os lados de Tiro», nome que quer dizer «reunião das nações»; e fê-lo para que os habitantes desse território que acreditassem pudessem salvar-se saindo dele. Com efeito, «uma mulher cananeia, vinda daqueles arredores, começou a gritar: “Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demônio». Se ela não tivesse saído daquele território, não poderia dirigir a Jesus estes brados «de grande fé», como o próprio Jesus testemunha.Saímos do território das nações pagãs «na proporção da nossa fé» (Rom 12,6). […] Pois todos nós, quando pecamos, nos encontramos no território de Tiro e de Sidônia, ouLeia mais →

A sabedoria pessoal de Deus, o seu único Filho, criou e realizou todas as coisas. Com efeito, diz o salmo: «Tudo fizeste com sabedoria» (103,24). […] Tal como o nosso discurso humano é imagem desta Palavra que é o Filho de Deus (cf Jo 1,1), assim também a nossa sabedoria é imagem deste Verbo que é a Sabedoria em pessoa. Porque temos nela a capacidade de conhecer e de pensar, somos capazes de receber a Sabedoria criadora, por meio da qual podemos conhecer o Pai: «Aquele que tem o Filho tem também o Pai» (1Jo 2,23), e ainda: «Quem Me recebe, recebe Aquele que MeLeia mais →

O que vedes no altar de Deus é o pão e o cálice: é isso que os olhos identificam. Mas a vossa fé é instruída e sabe que este pão é o corpo de Cristo e este cálice é o seu sangue. […] Mas como pode este pão ser o seu corpo, e este cálice, ou melhor, o seu conteúdo, ser o seu sangue? Irmãos, é a isto que se chama os sacramentos: eles mostram uma realidade e, a partir dela, fazem-nos compreender outra realidade. O que vemos é uma aparência corporal, mas o que compreendemos é um fruto espiritual. Se quereis compreender o queLeia mais →

Os discípulos são de novo joguete das vagas, e cai sobre eles uma tempestade semelhante à primeira (Mt 8; 24); anteriormente, porém, tinham Jesus com eles, enquanto desta vez estão sozinhos e entregues a si mesmos. […] Penso que o Salvador pretendia reanimar-lhes o coração adormecido; deixando-os cair na angústia, inspirou-lhes um desejo mais vivo da sua presença […]. Por isso, não foi imediatamente em auxílio deles, mas apenas «na quarta vigília da noite», «caminhando sobre o mar». […]Pedro, sempre fervoroso, adiantou-se aos outros discípulos e disse-Lhe: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». […] Não Lhe disse: «Manda-me caminhar sobreLeia mais →

Os amantes deste mundo demonstram a sua generosidade oferecendo-se dinheiro, vestes e presentes diversos; mas nenhum deles dá o seu sangue. Cristo, em contrapartida, é o seu sangue que dá, demonstrando assim a ternura que tem por nós e o ardor do seu afeto. Na antiga Lei, […] Deus aceitava o sangue dos sacrifícios, mas fazia-o para impedir o seu povo de o oferecer aos ídolos, o que já era uma prova de grande amor. Mas Cristo alterou este rito […]; a vítima já não é a mesma, pois é a Si próprio que Ele oferece em sacrifício. «O pão que partimos não é aLeia mais →

«Quem é o meu próximo?» Para responder, o Verbo, a Palavra de Deus, expõe, sob a forma de uma narrativa, a história da misericórdia: conta a descida do homem, a emboscada dos salteadores, o arrancar das vestes imperecíveis, as feridas do pecado, o poder da morte sobre metade da natureza (pois a alma permanece imortal) e a passagem em vão da Lei, uma vez que nem o sacerdote nem o levita cuidaram das chagas do homem que tinha sido vítima dos salteadores, pois «é impossível que o sangue dos touros e dos bodes apague os pecados» (Hb 10,4); só o podia fazer Aquele que revestiuLeia mais →

Se Deus é bem-aventurado, como afirma o apóstolo Paulo (cf 1Tim 1,11. 6,15), e se os homens participam dessa bem-aventurança pela sua semelhança com Ele, mas lhes é impossível imitarem-no, a bem-aventurança é irrealizável para a condição humana. Mas o homem pode imitar a Deus de certa maneira. Como? A meu ver, a pobreza em espírito designa a humildade. O apóstolo Paulo dá-nos como exemplo a pobreza de Deus, que, «sendo rico, Se fez pobre por nós, para nos fazer participantes da sua riqueza» (2Cor 8,9). Tudo aquilo que podemos entrever acerca da natureza divina ultrapassa os limites da nossa condição, tudo menos a humildade,Leia mais →

Para poderes rezar, precisas de Deus, pois é Ele que concede a oração àquele que reza. Invoca-O dizendo: Santificado seja o vosso nome; venha o vosso Reino, ou seja, o Espírito Santo e o teu Filho único, pois foi isto que Ele nos ensinou quando nos mandou adorar o Pai em espírito e em verdade (cf Jo 4,24). Quem reza em espírito e em verdade já não glorifica o Criador a partir das criaturas, mas louva a Deus a partir do próprio Deus. […] O Espírito Santo, compadecido da nossa fraqueza, visita-nos mesmo que ainda não estejamos purificados; desde que encontre a nossa inteligência aLeia mais →

Quereis saber como é que, longe de revogar a Lei e os profetas, Jesus vem confirmá-los e completá-los? Quanto aos profetas, fá-lo confirmando com as suas obras o que eles tinham anunciado; donde a expressão que Mateus utiliza com tanta frequência: «Para que se cumprisse a palavra do profeta…». Quanto à Lei, cumpriu-a de três maneiras. Primeiro, não omitindo nenhuma prescrição legal. Com efeito, disse a São João Batista: «Convém que se cumpra toda a justiça» (Mt 3,15); e aos judeus: «Quem de vós pode acusar-me de pecado?» (Jo 8,46). […] Em segundo lugar, cumpriu a Lei porque quis submeter-Se a ela pela nossa salvação.Leia mais →