Os discípulos «acordaram-no e disseram: “Mestre, não Te importas que pereçamos?”». […] Ó bem-aventurados, ó verdadeiros discípulos de Deus, tendes convosco o Senhor, vosso Salvador, e estais com medo? A Vida está convosco e a vossa morte preocupa-vos? Tirais o Criador do sono, como se Ele não pudesse, mesmo a dormir, acalmar as ondas, fazer cessar a tempestade?
Que respondem a isto os discípulos bem-amados? Ainda somos crianças fracas. Ainda não somos homens vigorosos. […] Ainda não vimos a cruz; ainda não fomos solidificados pela Paixão do Senhor, a sua ressurreição, a sua ascensão aos Céus e a descida do Espírito Santo Paráclito. […] O Senhor tem razão ao dizer-nos: «Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?». Porque estais sem forças? Porquê essa falta de confiança? Porque vos falta a temeridade quando tendes a Confiança convosco? Mesmo que a morte irrompesse, não deveríeis recebê-la com constância? Eu dar-vos-ei a força necessária para os perigos e as provas, incluindo a saída da alma do corpo. […] Se precisais da minha força para tudo suportardes com fé, como homens, quanto mais para não cairdes nas tentações desta vida!
Porque vos perturbais, gente de pouca fé? Sabeis que tenho poder sobre a terra; porque não acreditais que também tenho poder sobre o mar? Se Me reconheceis como verdadeiro Deus e Criador de todas as coisas, porque não acreditais que tenho poder sobre tudo o que criei? Então, «falou ao vento imperiosamente e disse ao mar: “Cala-te e fique quieto”. O vento cessou e fez-se grande bonança».
Homilia grega antiga
Erradamente atribuída a Orígenes (c.185-253)
Fonte: Evangelho Cotidiano


