Qualquer homem que oiça o relato do mar Vermelho compreende o mistério da água, à qual se desce com todo o exército dos inimigos e da qual se emerge sozinho, deixando o exército dos inimigos afundado no abismo. E percebe que este exército dos egípcios […] são as diversas paixões da alma às quais o homem se encontra sujeito: sentimentos de ira, impulsos diversos de prazer, de tristeza, de avareza. […] Todas estas coisas, e aquelas que estão na sua origem, com o chefe que promove o ataque odioso, se precipitam na água atrás dos israelitas. Mas a água, pela força da vara da féLeia mais →

Quando o homem indeciso fracassa um propósito, a tristeza toma conta da sua alma, consterna o Santo Espírito e expulsa-O. […] Afasta pois do teu coração a tristeza e não apagues o Espírito Santo que em ti habita (1Ts 5,19), não vá Ele falar a Deus em teu desabono e abandonar-te. Porque o Espírito de Deus, que foi posto na tua carne, não suporta a tristeza nem a perturbação. Cobre-te de alegria e faz disso um deleite: eis o que agrada a Deus, eis o que Ele acolhe favoravelmente. Pois todo o homem alegre age bem, pensa bem e espezinha a tristeza. O homem triste,Leia mais →

Procurar Jesus é muitas vezes um bem, porque é o mesmo que procurar o Verbo, a verdade e a sabedoria. Mas direis que as palavras «procurar Jesus» são frequentemente pronunciadas a propósito dos que Lhe querem mal, como por exemplo em: «Procuravam então prender Jesus, mas ninguém Lhe deitou a mão, porque ainda não chegara a sua hora»; em «Eu sei que sois a descendência de Abraão, mas procurais matar-Me porque a minha palavra não tem cabimento em vós» (Jo 8,37); e em «Mas vós procurais matar-Me, a Mim que vos disse a verdade que ouvi a Deus» (Jo 8,40). Estas palavras […] não seLeia mais →

Ó Senhor Jesus, que tenhas a bondade de Te aproximar de mim, movido pela piedade, Tu que, descendo de Jerusalém para Jericó, caíste das alturas para o nosso fosso, de um lugar onde os seres estão cheios de vida para uma terra de doentes. Vê: eu caí nas mãos dos anjos das trevas, que não só me despiram as vestes da graça, mas, depois de me terem dado muitos golpes, me deixaram meio morto. Que cures as chagas dos meus pecados depois de me teres dado a esperança de recuperar a saúde, não vão elas piorar se eu vier a perder a esperança na cura.Leia mais →

Quando o Senhor declarou: «Em verdade, em verdade vos digo: um de vós Me entregará», demonstrou que era capaz de penetrar na consciência daquele que ia traí-lo. Sem contrariar o malfeitor com censuras severas e públicas, procurou chegar a ele com uma advertência terna e velada, para que o arrependimento pudesse corrigir aquele que não fora destituído por qualquer interdito. Porque será, infeliz Judas, que não aproveitas toda esta bondade? Não vês que o Senhor está disposto a perdoar esse teu ato, que Cristo não te denuncia a ninguém, a não ser a ti próprio? Nem o teu nome nem a tua pessoa são indicados,Leia mais →

Choremos os pagãos, que não compreendem a salvação que Deus lhes quer dar. Sim, um esposo ama menos a sua mulher do que nós amamos todos os homens e, por isso, gostaríamos de os levar a todos à salvação. Choremos e lamentemos esses incrédulos, porque para eles a linguagem da cruz é uma loucura, sendo, como é, «poder de Deus e sabedoria de Deus» (1Cor 1,18.24). Vê bem, ó homem! Por ti, Jesus Cristo tomou a forma de escravo (Fil 2,7); por ti, morreu numa cruz; por ti, ressuscitou. E tu dizes que é impossível acreditar num amor assim, adorar um Deus assim, quando oLeia mais →

Cristo ressuscitou dos mortos: levantai-vos também vós. […] Dia de ressurreição, feliz início do mundo novo! Celebremos esta festa com alegria: demos uns aos outros o beijo da paz! Ontem, foi imolado o cordeiro […], o Egito chorou os seus primogênitos […], mas fomos protegidos por um sangue precioso. Hoje, fugimos definitivamente do Egito e do faraó, seu tirano cruel. […] Fomos libertados da servidão e já ninguém pode impedir-nos de celebrar, em honra do nosso Deus, a festa do nosso êxodo, de celebrar a nossa Páscoa na pureza e na verdade (cf Ex 5,2; 1Cor 5,8). […] Ontem, fui crucificado com Cristo; hoje, souLeia mais →

A leitura das Sagradas Escrituras é um prado espiritual e um paraíso de delícias, bem mais agradável do que o Paraíso de outrora. Deus não plantou este paraíso na Terra, mas nas almas dos fiéis. Não o plantou no Éden nem no Oriente, num local específico (Gn 2,8), mas espalhou-o por todo o mundo, até aos confins da Terra habitada. E, uma vez que compreendas que Ele espalhou as Sagradas Escrituras por toda a Terra habitada, escuta o profeta que diz: «Por toda a Terra caminha o seu eco, até aos confins do universo a sua palavra» (Sl 18,5; cf Rom 10,18). […] Este paraísoLeia mais →

Dado que os homens se tornaram insensatos e que o engano dos demônios lançou sobre eles uma sombra que escondeu o conhecimento do verdadeiro Deus, o que haveria Deus de fazer? Calar-Se perante uma situação destas? Aceitar que os homens se extraviassem e não O conhecessem? […] Deus não podia permitir que as suas criaturas se extraviassem para longe dele e fossem sujeitas ao nada, sobretudo se este extravio se tornasse para eles causa de ruína e perdição, quando os seres que participaram na imagem de Deus (Gn 1,26) não devem perecer. Que é pois necessário que Deus faça? Que fazer, senão renovar neles aLeia mais →

Podemos dizer que o deserto é o templo sem limites do nosso Deus. Pois Aquele que mora no silêncio certamente aprecia locais retirados. Foi aí que muitas vezes Se manifestou aos seus santos; foi no contexto da solidão que Se dignou vir ter com os homens. Foi no deserto que Moisés, com a face banhada de luz, viu a Deus. […] Aí, foi-lhe permitido conversar familiarmente com o Mestre. Palavra puxa palavra, dialogou com o Senhor do universo como um homem fala com o seu semelhante. Foi aí que recebeu a vara de prodigiosos poderes. Entrou no deserto como pastor de ovelhas, saiu dele comoLeia mais →