Jesus queria armar os seus apóstolos com uma grande força de alma e uma constância que lhes permitissem carregar sem temor a sua própria cruz, a despeito da sua dureza. Queria também que eles não corassem com o seu suplício, que não considerassem uma vergonha a paciência com que Ele haveria suportar uma Paixão tão cruel, sem nada perder da glória do seu poder. Por isso, Jesus «tomou consigo Pedro, Tiago e João e levou-os a um monte elevado» e ali lhes mostrou o esplendor da sua glória. Embora tivessem compreendido que a majestade divina estava nele, eles ignoravam ainda o poder contido naquele corpoLeia mais →

«Que hei de fazer? Onde encontrarei que comer? Que vestir?» Eis o que diz este rico. O seu coração sofre, a inquietação devora-o, porque aquilo que regozija os outros acabrunha o avarento. O fato de ter os celeiros cheios não é para ele motivo de felicidade. O que atormenta dolorosamente a sua alma é esse excesso de riquezas, transbordando dos seus celeiros. […] Considera, homem, quem te cumulou com a sua generosidade. Reflete um pouco sobre ti mesmo: quem és tu? O que te foi confiado? De quem recebeste esse cargo? Porque foste tu escolhido, em detrimento de muitos outros? O Deus de bondade fezLeia mais →

Nós, que por cada palavra da divina Escritura somos convidados à imitação do Senhor que nos criou na sua benevolência, eis que desviamos tudo para nossa própria utilidade, medimos tudo de acordo com a nossa vantagem. Atribuímo-nos bens para a nossa própria vida e reservamos o resto para os nossos herdeiros. E não pensamos nas pessoas que estão na miséria nem nos preocupamos minimamente com os pobres. Oh corações sem misericórdia! Um homem vê o seu próximo sem pão e sem meios para obter o alimento indispensável e, longe de se apressar a oferecer-lhe a sua ajuda para o tirar da miséria, observa-o como observariaLeia mais →

«Dá-me agora mesmo num prato a cabeça de João Batista.» E Deus permitiu que tal acontecesse, não lançou um raio do alto dos céus para devorar aquele rosto insolente; não ordenou à terra que se abrisse e engolisse os convivas daquele horroroso banquete. Deus dava assim a mais bela coroa ao justo e deixava uma consolação magnífica aos que, no futuro, viessem a ser vítimas de injustiças semelhantes. Escutemo-lo, pois, todos nós que, apesar da nossa vida honesta, temos de suportar os malvados: […] o maior dos filhos nascidos de mulher (cf Lc 7,28) foi levado à morte a pedido de uma jovem impudica, deLeia mais →

«O meu amado é um cacho de uvas de Chipre entre as vinhas de Engadi» (Ct 1,14). […] Este cacho divino cobre-se de flores antes da Paixão e derrama o seu vinho na Paixão. […] Na videira, o cacho não tem sempre a mesma forma, muda com o tempo: floresce, incha e, depois de estar perfeitamente maduro, vai-se transformar em vinho. A videira promete, pois, pelo seu fruto: ainda não está maduro e no ponto para dar vinho, mas espera a plenitude dos tempos. No entanto, não é absolutamente incapaz de nos alegrar. Com efeito, já antes do sabor, encanta o olfato na espera deLeia mais →

Quando seria de esperar que se afastasse desanimada, a cananeia aproxima-se mais e, prostrando-se aos pés de Jesus, diz-lhe: «Socorre-me, Senhor!» Mas então, mulher, não O ouviste dizer: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel»? Ouvi, replica ela; mas Ele é o Senhor. […] Foi por ter previsto esta resposta que Cristo adiou a concessão do pedido. Recusou a solicitação para lhe sublinhar a piedade. Se não quisesse conceder-lhe o que lhe pedia, não teria acabado por fazê-lo. […] As suas respostas não visavam magoá-la, mas atraí-la e revelar este tesouro escondido. Considera porém, peço-te, não apenas a fé, mas aLeia mais →

«Destruí este templo e em três dias Eu o levantarei!» […] Tanto um como outro, tanto o templo como o corpo de Jesus, são, a meu ver, símbolos da Igreja. […] O templo será restaurado e o corpo ressuscitará ao terceiro dia. […] Porque ao terceiro dia surgirá um novo céu e uma nova terra (2Ped 3,13), quando os ossos ressequidos, quer dizer, toda a casa de Israel (Ez 37,11), voltarem a ser revestidos no grande dia do Senhor, e a morte for vencida. […] Da mesma maneira que o corpo de Jesus, sujeito à condição humana vulnerável, foi pregado na cruz e sepultado, eLeia mais →

Pedro ia receber as chaves da Igreja, mais ainda, as chaves dos céus; ia ser-lhe confiada o governo de um povo numeroso. […] Se, com a tendência que tinha para a severidade, Pedro tivesse permanecido sem pecado, como poderia ser misericordioso com os seus discípulos? Ora, por uma disposição da graça divina, caiu no pecado, por forma a que, tendo tido a experiência da sua própria miséria, pudesse ser bom para com os outros. Repara bem: quem cedeu ao pecado foi Pedro, o chefe dos apóstolos, o fundamento sólido, a rocha indestrutível, o guia da Igreja, o porto invencível, a torre inabalável, ele que tinha ditoLeia mais →

Olhemos bem para estes cegos de Jericó do Evangelho de São Mateus: eles valem mais do que muitos dos que ali veem claramente. Não tinham ninguém que os guiasse nem podiam ver Jesus a aproximar-Se. No entanto, esforçaram-se por chegar junto dele: puseram-se a gritar em altos brados; tentaram calá-los, mas eles gritavam com mais força ainda. Assim é uma alma enérgica: os que querem pará-la redobram-lhe o ímpeto. Cristo permite que tentem calá-los para que o seu fervor melhor se revele e para te demonstrar que esses cegos eram merecidamente dignos de serem curados. É por isso que não lhes pergunta se têm fé,Leia mais →

«Que tens tu que não tenhas recebido?», pergunta-nos S. Paulo (1Cor 4,7). Não sejamos, pois, avaros com os nossos bens como se eles nos pertencessem. […] Foram confiados à nossa responsabilidade; temos o uso de uma riqueza comum, não a posse eterna de um bem que nos seja próprio. Se reconheceres que esse bem só é teu cá em baixo durante um tempo limitado, poderás adquirir no céu uma possessão que não terá fim. Lembra-te daqueles servos que, no Evangelho, tinham recebido talentos do seu senhor e do que o senhor, ao regressar, entregou a cada um deles; compreenderás então que depositar o dinheiro noLeia mais →