«Não vim revogar, mas completar». A força e o poder destas palavras do Filho de Deus encerram um profundo mistério.
A Lei, com efeito, prescrevia obras, mas orientava-as todas para a fé em realidades que seriam manifestadas em Cristo; porque o ensino e a Paixão do Salvador são a grande e misteriosa intenção da vontade do Pai. A Lei, sob o véu de palavras inspiradas, anunciou o nascimento do Senhor Jesus Cristo, a sua encarnação, a sua Paixão, a sua ressurreição; os profetas, bem como os apóstolos, ensinam-nos repetidamente que, desde toda a eternidade, o mistério de Cristo foi preparado para ser revelado no nosso tempo. […]
Cristo não quis que pensássemos que as suas obras continham outra coisa que as prescrições da Lei. Foi por isso que Ele próprio afirmou: «não vim revogar, mas completar». O céu e a terra […] hão de desaparecer, mas nem o menor mandamento da Lei desaparecerá, porque em Cristo toda a Lei e os profetas encontram a sua realização. No momento da sua Paixão, […] Ele declarou: «Tudo está consumado» (Jo 19,30). Nesse momento, todas as palavras dos profetas receberam a sua confirmação.
É por isso que Cristo afirma que nem o mais pequeno dos mandamentos de Deus pode ser abolido sem ofender a Deus. […] Nada é mais humilde que a coisa mais pequena. E a mais humilde de todas foi a Paixão do Senhor e a sua morte na cruz.
Santo Hilário de Poitiers (c. 315-367),
Comentário ao evangelho de Mateus, 4, 14-15
Fonte: Evangelho Cotidiano


