Hoje, o Senhor Jesus veio receber o batismo. Ele quis lavar o seu corpo na água do Jordão. Poder-se-á dizer: «Porque é que ele, que era o Santo, quis ser batizado?» Então ouçam. O Cristo é batizado não para ser santificado pelas águas, mas para santificar ele próprio as águas e purificar pelo seu ato pessoal as ondas que ele toca. Trata-se, pois, muito mais da consagração das águas, do que da de Cristo. Porque, desde que o Salvador é lavado, todas as águas se tornam puras em vista ao nosso batismo; a fonte é purificada para que a graça seja proporcionada aos povos que virão no futuro. O Cristo avança pois como o primeiro no batismo para que os povos cristãos o sigam sem hesitar.
E aqui eu entrevejo um mistério. Não tomou assim a dianteira a coluna de fogo através do Mar Vermelho para encorajar os filhos de Israel a continuar a caminhar? Ela atravessou as águas em primeiro lugar para abrir caminho aos que se seguiam. Este acontecimento foi, no testemunho do apóstolo Paulo, um símbolo do batismo (1Co 10,1s). Era sem dúvida uma espécie de batismo onde os homens estavam cobertos pela nuvem e conduzidos pelas águas. E tudo isto foi concluído pelo mesmo Cristo nosso Senhor que agora precede no batismo todos os povos cristãos na coluna do seu corpo, como precedeu através do mar os filhos de Israel na coluna de fogo. A mesma coluna que, outrora, iluminou os olhos dos caminhantes, dá agora a luz ao coração dos crentes. Então ela traçou nas ondas uma estrada sólida, agora ela fortalece neste banho os passos da fé.
São Máximo de Turim (?-c. 420)
Sermão para a festa da Epifania
Fonte: Evangelho Cotidiano


