“Eles, porém, não entendiam aquela linguagem”

De entre todas as maravilhas e grandes coisas que se possam dizer de Cristo, há uma que ultrapassa, absolutamente, a admiração de que o espírito humano é capaz e a fragilidade da nossa inteligência mortal, não sabe como compreendê-la nem imaginá-la. É que a omnipotência da majestade divina, a própria Palavra do Pai, a própria Sabedoria de Deus, na qual foram criadas todas as coisas “visíveis e invisíveis” (Col 1,16), deixou-se reduzir aos limites do Homem que se manifestou na Judéia. Isto é, objeto da nossa fé. E ainda há mais: nós acreditamos que a Sabedoria de Deus entrou no seio de uma mulher e nasceu através dos vagidos e choros comuns a todos os bebês. E sabemos que, depois  disto, Cristo conheceu a perturbação diante da morte, a ponto de gritar: «A minha alma está numa tristeza de morte; ficai aqui e vigiai comigo»  (Mt 26,38) e, por fim, foi conduzido à morte mais vergonhosa de todas as que um homem podia sofrer, embora saibamos que ressuscitou ao  terceiro dia.

Em verdade, fazer ouvir tais coisas a ouvidos humanos, tentar exprimi-las em palavras, ultrapassa a linguagem dos homens e, provavelmente, a dos anjos.

Orígenes (c. 185-253), padre e teólogo
Fonte: Evangelho Cotidiano

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