Jesus «orava a sós» (Lc 9,18). A fonte da oração reside no silêncio da paz interior; é aí que se manifesta a glória de Deus (cf Lc 9,29). Porque, quando cerramos os olhos e os ouvidos e nos encontramos no nosso interior, na presença de Deus, quando nos libertamos da agitação do mundo exterior e nos encontramos dentro de nós próprios, então vemos claramente na nossa alma o Reino de Deus. Porque o Reino dos Céus ou, se preferirmos, o Reino de Deus, está em nós próprios: é Jesus Nosso Senhor quem no-lo diz (cf Lc 17,21).
No entanto, os crentes e o Senhor oram de maneira diferente. Os servos, com efeito, aproximam-se do Senhor na oração com um temor misturado de desejo, e a oração torna-se para eles viagem para Deus e para a união com Ele, alimentando-os com a sua própria substância e fortalecendo-os. Mas como orará Cristo, cuja alma santa está unida ao Verbo de Deus? Como Se apresentará o Mestre em oração, como assumirá Ele a atitude de quem pede? Mas fá-lo; e fá-lo porque, tendo revestido a nossa natureza, nos quer instruir e mostrar o caminho que, pela oração, nos faz elevar até Deus. Ele quer ensinar-nos que a oração alberga no seu seio a glória de Deus.
São João Damasceno (c. 675-749)
Homilia sobre a Transfiguração, 10; PG 96, 545
Fonte: Evangelho Cotidiano


