Assim como é eterno o Rei do Universo, cujo reinado não tem princípio nem fim, assim será recompensado o esforço dos que escolhem sofrer por Ele e pelas virtudes. Pois as honras da vida presente, por grande que seja o seu esplendor, desvanecem-se por completo com esta vida; mas as honras que Deus concede àqueles que são dignos delas, as honras que são dadas com a incorruptibilidade, permanecem para sempre. […]
«Anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo» (Lc 2,10), e não apenas para uma parte do povo. E também: «Toda a Terra Te adore e Te cante hinos» (Sl 65,4, LXX), e não apenas uma parte da Terra. Não são os que pedem socorro que cantam, mas os que já têm alegria. Se é assim, não desesperemos, mas atravessemos a vida presente com júbilo, tendo na mente a alegria e a felicidade que nos traz. Mas juntemos a esta alegria o temor de Deus, pois está escrito: «Exultai no Senhor, tremendo» (Sl 2,11,LXX). Foi assim, cheias de temor e de enorme alegria, que as mulheres que rodeavam Maria correram ao túmulo (cf Mt 28,8). […] Espanta-me que haja quem ignore o temor, pois não há ninguém que esteja sem pecado, nem Moisés, nem o apóstolo Pedro. Neles, porém, o amor divino foi mais forte e baniu o temor (cf 1Jo 4,18) no momento do êxodo. […]
Quem deseja ser chamado sábio, prudente e amigo de Deus, a fim de apresentar a sua alma ao Senhor tal como a recebeu dele: pura, intacta, totalmente irrepreensível? Quem o deseja, a fim de ser, desse modo, coroado nos Céus e chamado bem-aventurado pelos anjos?
João Carpátio, monge e bispo (século VII)
Capítulos de exortação, nos. 1, 14, 89
Fonte: Evangelho Cotidiano


