A Perspectiva Ortodoxa sobre o Meio Ambiente

A eucharistic and ascetic ethos: Orthodox Christianity and the environment

A Eucaristia e o Ascetismo:

O artigo, escrito por Elizabeth Theokritoff, explora a abordagem da Igreja Ortodoxa em relação à crise ambiental. A autora destaca que, para os cristãos ortodoxos, a resposta à crise ambiental não se resume a lidar com uma questão contemporânea, mas sim a tornar as vidas consistentes com a fé. Em vez de estabelecer regras morais ou princípios éticos, o foco está em redescobrir um ethos que reflete uma atitude em relação ao ambiente social e natural. A base desse ethos ambiental está nas crenças centrais da teologia cristã, que afirmam que o Criador está totalmente presente em sua criação, e que a comunicação de Deus conosco ocorre através da criação. A autora explora como a liturgia ortodoxa, os sacramentos, a vida monástica e a reverência pelos santos exemplificam a relação da Igreja com o mundo material, destacando a importância da partilha, da reverência pela criação e do papel dos santos como guias para uma vida harmoniosa com a natureza. Além disso, o artigo menciona líderes religiosos ortodoxos e iniciativas internacionais que promovem a consciência ecológica dentro da tradição ortodoxa, como os esforços do Patriarca Bartolomeu de Constantinopla. Em suma, o artigo oferece uma visão abrangente da abordagem ortodoxa em relação ao ambiente, enfatizando a importância da teologia e prática ortodoxas na resposta à crise ambiental.

Qual é o enfoque dos cristãos ortodoxos em relação à crise ambiental?

O enfoque dos cristãos ortodoxos em relação à crise ambiental é menos sobre lidar com uma questão contemporânea e mais sobre tornar suas vidas consistentes com sua fé. Para os ortodoxos, a resposta à crise ambiental está enraizada na teologia cristã, que afirma que o Criador está totalmente presente em sua criação e que a comunicação de Deus conosco ocorre através da criação. Isso inspira uma reverência pela criação e uma consciência de que temos uma posição única, ao mesmo tempo terrena e potencialmente divina, para o benefício de toda a criação. A abordagem ortodoxa enfatiza a importância da liturgia, dos sacramentos, da vida monástica e da reverência pelos santos como guias para uma vida harmoniosa com a natureza. Além disso, líderes religiosos ortodoxos, como o Patriarca Bartolomeu de Constantinopla, têm promovido a consciência ecológica dentro da tradição ortodoxa, destacando a importância da teologia e prática ortodoxas na resposta à crise ambiental.

Como a liturgia e as práticas sacramentais ortodoxas refletem a relação com o meio ambiente?

A liturgia e as práticas sacramentais ortodoxas refletem a relação com o meio ambiente de várias maneiras. Na liturgia ortodoxa, o dia começa com o canto do Salmo 104, que louva a Deus pelas maravilhas de sua criação, enfatizando a presença do Criador em sua criação. A racionalidade do mundo natural é vista como um indicativo de que a criação carrega a impressão da Razão ou Verbo de Deus, que se tornou encarnada em Jesus Cristo. Além disso, a liturgia ortodoxa inclui sacramentos como a Eucaristia e o Batismo, nos quais elementos materiais comuns, como pão, vinho e água, são considerados como dons de Deus, representando sua própria vida. Isso leva os ortodoxos a perceberem que nada é ‘comum’ na criação, mas sim um aspecto do dom de Deus, de sua presença e cuidado misericordioso por todas as criaturas. Além disso, a Igreja Ortodoxa realiza bênçãos de frutas, ervas, flores, casas, carros e campos, reconhecendo que essas substâncias naturais e as coisas feitas a partir delas são veículos através dos quais nos comunicamos com Deus e Ele conosco. Essas práticas sacramentais e litúrgicas refletem a visão ortodoxa da natureza como um meio de comunicação com Deus e como um presente divino, destacando a importância da reverência e gratidão pela criação.

Qual é a importância da vida monástica na influência da atitude ortodoxa em relação à natureza?

A vida monástica desempenha um papel significativo na influência da atitude ortodoxa em relação à natureza. Os monges e monjas ortodoxos são vistos como exemplos vivos do ideal ascético, renunciando a posses materiais e vivendo em harmonia com a criação. Eles são considerados como antíteses do consumismo, demonstrando grande sensibilidade em relação ao meio ambiente, tanto humano, animal quanto inanimado. Muitos mosteiros ortodoxos adotam práticas de agricultura orgânica e uso sensível do espaço e materiais de construção, como forma de demonstrar uma abordagem ecológica à vida. Além disso, as comunidades monásticas frequentemente compartilham seu exemplo com as pessoas locais e visitantes, promovendo uma consciência ecológica mais ampla. A vida monástica, portanto, serve como um modelo prático e inspirador para a comunidade ortodoxa em relação à natureza, destacando a importância da simplicidade, da partilha de recursos e do respeito pela criação.

Quais são as principais iniciativas e lideranças ortodoxas que estão ativamente envolvidas na questão ambiental?

Uma das principais lideranças ortodoxas envolvidas na questão ambiental é o Patriarca Bartolomeu de Constantinopla, que é um dos principais defensores do meio ambiente entre os líderes religiosos contemporâneos. Seu predecessor, o Patriarca Dimitrios, estabeleceu o dia 1º de setembro como um dia de súplica por toda a criação e emite anualmente uma encíclica nesse dia, destacando problemas ambientais e suas implicações sociais. Além disso, o Patriarca Bartolomeu organiza simpósios a bordo de navios, reunindo cientistas, ambientalistas, formuladores de políticas e representantes de religiões mundiais para discutir ameaças a diferentes rios e mares. Outra iniciativa é o Instituto Ecológico de Halki, que visa educar clérigos e teólogos sobre ameaças ambientais regionais. Além disso, o Patriarca Bartolomeu promove seminários sobre tópicos como o meio ambiente e a educação religiosa.

Ademais, a Conferência Permanente de Bispos Ortodoxos na América emitiu uma declaração sobre a mudança climática e a responsabilidade dos cristãos ortodoxos. Também foi lançada uma iniciativa para “tornar o campus mais verde” no Seminário de São Vladimir, em Nova York, que recebe estudantes de várias partes do mundo ortodoxo. Essas iniciativas e lideranças demonstram o compromisso ativo da Igreja Ortodoxa com a questão ambiental.

Em suma:

A ideia principal do artigo é que o Cristianismo Ortodoxo enfatiza um ethos eucarístico e ascético, enraizado na crença de que Deus está plenamente presente em sua criação e se comunica com a humanidade através do mundo material, moldando a atitude ortodoxa em relação ao meio ambiente.

Em 5 pontos:

  1. O Cristianismo Ortodoxo enfatiza uma ética e ascetismo eucarístico, enraizado na crença de que Deus está presente em sua criação e se comunica com a humanidade através do mundo material, moldando a atitude ortodoxa em relação ao meio ambiente.
  2. Os sacramentos da Igreja, como a Eucaristia e o Batismo, são vistos como manifestações do dom da vida de Deus através de coisas materiais ordinárias, destacando a sacralidade de todos os aspectos da criação.
  3. A Igreja Ortodoxa pratica orações de bênção para substâncias naturais e coisas feitas a partir delas, reconhecendo-as como veículos através dos quais a comunicação com Deus ocorre.
  4. A Igreja Ortodoxa vê a criação como uma Eucaristia cósmica, com a humanidade como seu sacerdote, promovendo uma ética de compartilhamento e oferecimento do mundo para a glória de Deus.
  5. A tradição monástica desempenha um papel central na vida espiritual ortodoxa, exemplificando uma ética de sensibilidade ao meio ambiente através de práticas de agricultura orgânica e uso de espaço e materiais de construção.

Citações-chave:

Os alicerces para uma ética ambiental, os ortodoxos acreditam, são as crenças centrais da teologia cristã.”

 “Em Jesus Cristo, o Criador do universo se tornou parte de sua criação.”

 “A ‘racionalidade’ do mundo natural tem sido vista desde os primeiros tempos cristãos como uma indicação de que a criação carrega a marca da Razão ou ‘Palavra’ de Deus.”

 “O uso da matéria em ícones muda nossa visão tanto da natureza ‘trabalhada’ quanto da ‘não trabalhada’.”

 “O monge ou monja é aquele que não possui nada – a antítese do consumismo – e as comunidades monásticas geralmente são caracterizadas por grande sensibilidade ao seu entorno, seja humano, animal ou inanimado.

Em resumo, a perspectiva ortodoxa cristã sobre o meio ambiente é profundamente enraizada em crenças teológicas, enfatizando uma abordagem reverente e transformadora ao mundo material e encontrando inspiração nos exemplos de pessoas santas vivendo em harmonia com a natureza.
Referência Bibliográfica:

Theokritoff, E. ([s.d.]). A eucharistic and ascetic ethos: Orthodox Christianity and the environment. Org.uk. Recuperado 18 de março de 2024, de http://shapcalendar.org.uk//journals/articles_0809/theokritoff.pdf