Ao ver os discípulos dirigirem-se a Jesus, João ficou preocupado com a ignorância deles, não com a sua, pois ele tinha proclamado que viria Alguém remir os pecados. Mas, para lhes dar a conhecer que era Aquele quem ele proclamara, enviou os discípulos a observar as suas obras, para que estas conferissem autoridade ao anúncio, e nenhum outro Cristo fosse esperado para além daquele de quem as obras tinham dado testemunho.
E, como o Senhor Se tinha revelado completamente pelas suas ações milagrosas, dando vista aos cegos, marcha aos coxos, cura aos leprosos, audição aos surdos, palavra aos mudos, vida aos mortos, instrução aos pobres, disse: «Feliz daquele que não encontrar em Mim ocasião de queda». Terá havido jamais alguma ação de Cristo passível de escandalizar João? Seguramente que não. […] Mas temos de estudar o conteúdo e o caráter específico do que o Senhor diz: que a Boa Nova é recebida pelos pobres, que são aqueles que perderam a vida, que tomaram a sua cruz para O seguir (cf Lc 14,27), que se tornaram humildes de coração e para os quais o Reino dos Céus já está preparado (cf Mt 11,29; 25,34). Porque todos estes sofrimentos convergiam para o Senhor e a sua cruz ia ser um escândalo para muitos, Ele declarou bem-aventurados aqueles cuja fé não sofresse tentação causada pela sua cruz, a sua morte e a sua sepultura.
Hilário de Poitiers (c. 315-367)
Comentário ao Evangelho de São Mateus, 11, 3
Fonte: Evangelho Cotidiano


