Contra as heresias, IV, 20, 4-5; SC 100
Há um único Deus, que, pelo seu Verbo, sua Palavra e sua Sabedoria, fez e harmonizou todas as coisas. Deus Criador deu esse mundo ao género humano. […] Nenhum dos seres que Ele criou conhece a sua grandeza, porque ninguém escrutinou a sua origem. […] No entanto, o seu amor é conhecido desde sempre, graças Àquele por quem todas as coisas foram criadas (cf Rom 1,20), que não é outro senão o Verbo, nosso Senhor Jesus Cristo, que nos últimos tempos Se fez homem entre os homens, para unir o fim ao princípio, isto é, o homem a Deus.
É por isso que os profetas, depois de terem recebido desta mesma Palavra o dom da profecia, pregaram antecipadamente a sua vinda na carne, pela qual se realizou a comunhão entre Deus e o homem, de acordo com a vontade do Pai. Desde o início, de facto, o Verbo anunciou que Deus havia de ser visto pelos homens, que com eles viveria e conversaria na Terra (cf Ba 3,38), e que Se tornaria presente à obra que tinha modelado, para a salvar. […] Portanto, os profetas anunciaram com antecedência que Deus seria visto pelos homens, de acordo com o que o Senhor também disse: «Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt 5,8). É certo que, em razão da grandeza e da glória indizível De Deus, «o homem não pode contemplar-Me e continuar a viver» (Ex 33,20), porque o Pai é inatingível. Mas, em razão do seu amor, da sua bondade para com os homens e da sua omnipotência, Ele vai ao ponto de conceder àqueles que O amam o privilégio de verem a Deus […] porque «o que é impossível aos homens é possível a Deus» (Lc 18,27).


