Homilia — 14º Domingo de São Mateus

«Tudo está pronto. Vinde às bodas»

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

Amados em Cristo,

«O Reino dos Céus é semelhante a um rei que celebrou as bodas de seu filho.» Com estas palavras, o Senhor nos oferece hoje uma das imagens mais belas e, ao mesmo tempo, mais exigentes do Reino de Deus. Ele não o compara primeiramente a um tribunal, nem a uma obrigação, nem a um conjunto de normas que devemos cumprir. Compara-o a uma festa de núpcias. Há um Rei que prepara o Banquete, há um Filho para quem as bodas são celebradas, há uma mesa posta e há convidados que recebem uma notícia extraordinária: «Tudo está pronto. Vinde às bodas.»

Talvez devamos começar exatamente por aí: tudo está pronto. Antes que os convidados façam qualquer coisa, o Rei já preparou a festa. Antes de nossa procura por Deus, está Deus procurando por nós. Antes de nosso amor, está seu amor. Antes de nossa conversão, está sua graça chamando-nos à vida. Antes mesmo que pudéssemos encontrar o caminho de volta, o Filho de Deus veio ao nosso encontro, assumiu nossa humanidade, entrou em nossa história, passou pela Cruz e pela morte e abriu-nos, em sua Ressurreição, as portas da vida.

São Macário do Egito exprime esse mistério por meio de uma imagem comovente. Fala de um rei que encontra um homem pobre e enfermo, trata suas feridas, leva-o ao palácio, reveste-o de púrpura e o convida à própria mesa. Assim é Cristo conosco. Ele não nos encontra já revestidos de glória; encontra-nos feridos. Não espera que nos curemos sozinhos para então nos receber; aproxima-Se, cura nossas feridas, restitui-nos a dignidade perdida e nos chama à sua Mesa.

E, contudo, o Evangelho nos diz que os convidados «não quiseram vir». O Rei envia novamente seus servos: «Dizei aos convidados: eis que preparei o meu banquete… tudo está pronto; vinde às bodas». Mas alguns simplesmente não fazem caso e vão embora: um para o campo, outro para seus negócios.

Talvez esteja justamente aqui uma das palavras mais inquietantes deste Evangelho para nós. O campo não é mau. Os negócios não são maus. O trabalho, a família, os projetos, as responsabilidades e tantas ocupações que preenchem nossos dias não são coisas más. O problema começa quando aquilo que é legítimo ocupa o lugar daquilo que é essencial; quando o passageiro se torna tão importante que já não temos tempo para o eterno.

O drama daqueles convidados não é simplesmente que tenham odiado o Banquete. É que encontraram outras coisas que lhes pareceram mais importantes do que ele.

Também nós raramente dizemos a Deus: «Não Te quero». Nossa recusa costuma ser muito mais discreta. Dizemos: «Agora não». Hoje há muito trabalho; amanhã há um compromisso; depois alguma preocupação; no fim de semana, alguma outra coisa. E podemos passar anos acreditando em Deus, respeitando a Igreja, considerando-nos cristãos, enquanto Deus vai lentamente deixando de ser o centro em torno do qual organizamos a existência e passa a receber apenas aquilo que sobra de nosso tempo e de nossa atenção.

Santo Ambrósio de Milão, meditando sobre a imagem evangélica do grande banquete, observa que o Reino não está fechado àquele que não se exclui a si próprio. Deus não prepara uma festa para depois procurar razões para manter os homens do lado de fora. Ao contrário: Ele quer sua casa cheia. Mas o amor de Deus não destrói nossa liberdade. Podemos receber o convite e, ainda assim, preferir nossos campos e negócios.

Por isso, o Evangelho deste domingo nos convida a uma pergunta muito concreta: que lugar Deus realmente ocupa entre minhas prioridades? Não apenas que lugar digo que Ele ocupa, mas que lugar minha vida revela que Ele ocupa. Onde estão meu tempo, minha atenção, meu desejo, minhas preocupações? Porque aquilo que realmente amamos acaba, cedo ou tarde, determinando a maneira como vivemos.

Quando os primeiros convidados recusam o chamado, o Rei diz aos servos: «Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos quantos encontrardes». E eles saem e trazem todos os que encontram, «maus e bons», até que a sala se enche.

Há aqui algo profundamente consolador. O Evangelho não diz que os servos encontraram apenas pessoas santas, preparadas e irrepreensíveis. Encontraram «maus e bons». A festa não é recompensa concedida aos que já alcançaram a perfeição. É graça oferecida a pecadores que aceitam ser encontrados por Deus.

Nós somos também esses homens e mulheres encontrados nas encruzilhadas.

A Igreja não é uma reunião de pessoas que podem apresentar a Deus sua própria perfeição. É a assembleia daqueles que ouviram o chamado. Alguns chegaram feridos, outros cansados; alguns depois de longos caminhos, outros depois de grandes quedas. Mas todos ouviram a mesma voz: «Vinde às bodas».

Isso também nos diz muito sobre a missão da Igreja. Nós não somos proprietários do Banquete; somos convidados que se tornam servidores do convite. Não recebemos o Evangelho para conservá-lo como privilégio nosso, mas para levá-lo às encruzilhadas da existência humana. E é muito significativo que, nas Matinas deste domingo, o Evangelho da Ressurreição nos apresente o mesmo movimento: «Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda criatura». O Rei envia os servos pelos caminhos; o Ressuscitado envia os Apóstolos ao mundo. A Igreja reúne-se em torno de Cristo para ser novamente enviada por Cristo.

Mas então a parábola nos surpreende. Quando a sala está cheia, o Rei encontra um homem que não está vestido com a veste nupcial. «Amigo, como entraste aqui sem a veste nupcial?» E ele nada responde.

Depois de um convite tão amplo, essa cena poderia parecer contraditória. Mas ela nos recorda algo essencial: a graça de Deus é gratuita, mas não é estéril. Deus nos recebe como somos, porém chama-nos a uma vida nova.

A tradição da Igreja sempre percebeu nessa veste uma profunda ressonância batismal. São Paulo diz: «Todos vós que fostes batizados em Cristo, de Cristo vos revestistes». No Batismo recebemos a veste luminosa da nova humanidade. Somos revestidos de Cristo. Mas aquilo que recebemos como dom precisa tornar-se progressivamente nossa maneira de viver.

Evágrio Pôntico aprofunda essa imagem quando relaciona a veste nupcial à transformação interior, à purificação das paixões e à liberdade do coração. Não basta trazer exteriormente o nome de cristão; é preciso permitir que Cristo alcance pouco a pouco nossos pensamentos, desejos, relações e escolhas. A veste recebida sacramentalmente deve tornar-se existência.

Aqui encontramos o belo equilíbrio da vida cristã. São Macário nos mostra o Rei que encontra o homem enfermo, cura-o e o reveste; Evágrio nos recorda que essa veste deve penetrar toda a nossa vida. Tudo começa pela graça e tudo é sustentado pela graça, mas a graça pede nossa resposta. Não somos convidados porque já somos santos; somos convidados para que, unidos a Cristo, sejamos santificados.

E é impossível ouvir esta parábola dentro da Igreja sem pensar na Divina Eucaristia. O Banquete do Reino não é apenas uma promessa para um futuro distante. A cada Divina Liturgia, a Igreja começa a experimentar sacramentalmente aquilo que espera em plenitude. Por isso nossa celebração se abre com as palavras: «Bendito seja o Reino do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo». Entramos na Liturgia orientados para o Reino, e a Mesa que nos é oferecida é o próprio Cristo.

É por isso também que nos aproximamos com preparação, arrependimento, oração, jejum e desejo de reconciliação. Não fazemos isso porque imaginamos poder tornar-nos dignos de Deus por nossos próprios méritos. Fazemos porque sabemos a grandeza do dom diante do qual estamos. E quando ouvimos: «Com temor de Deus, fé e amor, aproximai-vos», podemos reconhecer ali, de alguma maneira, o mesmo chamado da parábola: a Mesa está preparada; o Senhor nos chama à comunhão com Ele.

A Epístola deste domingo completa de modo muito belo essa visão. São Paulo diz aos coríntios que não deseja dominar sobre a fé deles, mas colaborar para sua alegria. É assim que a missão da Igreja deve ser compreendida. O servo não é dono da festa. O sacerdote não é dono da Mesa. A Igreja não é proprietária da graça. Somos servidores de uma alegria que recebemos e que somos chamados a compartilhar.

Assim, todo o mistério deste domingo se reúne num único movimento: das encruzilhadas para a Mesa e da Mesa novamente para as encruzilhadas. Deus nos encontrou, chamou-nos, revestiu-nos de Cristo e reuniu-nos em sua Igreja; alimenta-nos com sua própria Vida e envia-nos novamente ao mundo para que outros possam também ouvir o convite.

Amados em Cristo, talvez não precisemos sair hoje desta Liturgia carregando muitas perguntas. Basta levarmos conosco uma: como estou respondendo ao convite que Deus me fez?

Que os campos e os negócios deste mundo, por mais legítimos que sejam, jamais ocupem em nosso coração o lugar que pertence ao Reino. Que a familiaridade com as coisas santas não nos faça esquecer a grandeza da graça que recebemos. Que a veste de Cristo, recebida no Batismo, se torne cada vez mais visível em nossa maneira de amar, perdoar, servir e viver. E que, depois de termos sido acolhidos à Mesa, não nos esqueçamos daqueles que permanecem nas encruzilhadas.

Porque o Rei continua chamando. Não para impor-nos um peso, mas para introduzir-nos em sua alegria. Não porque sejamos dignos, mas porque nos ama e deseja restaurar em nós a beleza para a qual fomos criados.

E a palavra que Ele dirige hoje à sua Igreja continua sendo a mesma:

«Tudo está pronto. Vinde às bodas.»

Amém.

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