Hebreus 11,33–40; 12,1–2 | Mateus 10,32–33; 37–38; 19,27–30
Amados irmãos e irmãs em Cristo,
No domingo passado celebrávamos Pentecostes, a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos. Hoje, apenas uma semana depois, a Igreja coloca diante de nossos olhos a Festa de Todos os Santos. E isso não acontece por acaso.
Existe aqui uma mensagem muito profunda.
Pentecostes mostra a vinda do Espírito Santo; o Domingo de Todos os Santos mostra o fruto desta vinda.
Se alguém perguntasse: “Qual foi o resultado de Pentecostes?”, a Igreja responderia: olhai para os santos.
O Espírito Santo desceu sobre homens simples, pescadores, pessoas frágeis, pessoas que tinham medos e limitações, e fez deles testemunhas do Reino. E, desde então, ao longo dos séculos, continuou realizando a mesma obra.
Transformou mártires, ascetas, bispos, missionários, mães de família, pais de família, jovens, idosos, monges, pessoas conhecidas e inúmeras outras que somente Deus conhece.
Por isso hoje não celebramos apenas alguns santos. Celebramos todos eles: os conhecidos e os desconhecidos, aqueles cujos nomes aparecem nos calendários e aqueles que talvez jamais tenham sido escritos em livro algum, mas cujos nomes estão inscritos no Livro da Vida.
São Paulo nos oferece hoje uma imagem belíssima:
“Estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas.”
Vede a beleza destas palavras.
Não caminhamos sozinhos.
Às vezes pensamos a vida cristã como uma luta individual: eu e meus problemas, eu e minhas dificuldades, eu e minhas fraquezas. Mas a Igreja nos lembra hoje que estamos cercados por uma multidão invisível.
Os santos não pertencem ao passado.
Estão vivos em Cristo.
Rezamos com eles. Caminhamos com eles. Recebemos sua intercessão e sua ajuda.
Mas existe algo ainda mais importante.
A Igreja hoje não quer apenas que admiremos os santos.
Ela quer que nos reconheçamos chamados ao mesmo caminho.
Porque frequentemente pensamos: “Santo foi São Basílio; santo foi São João Crisóstomo; santa foi Maria do Egito; santa foi Santa Catarina.”
E dizemos:
“Mas eu sou apenas uma pessoa comum.”
Entretanto, irmãos e irmãs, a santidade nunca foi destinada apenas a pessoas extraordinárias.
A santidade é a vocação normal do cristão.
O santo não é alguém que nasceu pronto.
O santo é alguém que permitiu que Deus agisse em sua vida.
Os santos tinham fraquezas.
Tinham medos.
Caíam.
Lutavam.
Mas aprenderam a levantar-se continuamente.
Aprenderam a colocar Cristo no centro.
E é precisamente isso que o Evangelho de hoje nos ensina.
Cristo diz:
“Quem ama pai ou mãe mais do que a Mim não é digno de Mim.”
Estas palavras podem parecer duras, mas o Senhor não está dizendo que devemos amar menos nossa família.
Ele está dizendo que nada pode ocupar o lugar que pertence somente a Deus.
Porque quando Cristo ocupa o primeiro lugar, todas as demais coisas encontram seu lugar correto.
Hoje talvez pudéssemos acrescentar outras coisas à lista do Evangelho:
Quem ama mais o conforto…
Quem ama mais o dinheiro…
Quem ama mais o prestígio…
Quem ama mais a própria vontade…
Quem ama mais a aprovação dos outros…
Tudo isso pode tornar-se um obstáculo no caminho da santidade.
Os santos compreenderam que somente Deus pode ocupar o centro da vida.
E então carregaram sua cruz.
Cada um tinha a sua.
Alguns carregaram a cruz do martírio.
Outros a cruz das perseguições.
Outros a cruz das enfermidades.
Outros a cruz das lutas interiores.
Porque a cruz não é apenas sofrimento.
A cruz é permanecer fiel.
É continuar rezando quando não sentimos vontade.
É perdoar quando é difícil.
É recomeçar depois das quedas.
É amar quando seria mais fácil desistir.
É continuar caminhando atrás de Cristo.
E talvez seja exatamente isto que a Igreja deseja nos recordar hoje: a santidade não começa em grandes milagres.
Começa em pequenas fidelidades.
Começa hoje.
Começa agora.
Começa dentro de nossa casa, em nossa família, em nossa paróquia, em nosso trabalho, nos pequenos atos de amor e de perseverança.
Que a grande nuvem dos santos interceda por nós.
E que o Espírito Santo, que os transformou ao longo dos séculos, transforme também nossos corações, para que um dia possamos ser contados entre aqueles que viveram não para si mesmos, mas para Cristo.
Amém.


