Homilia para o V Domingo da Páscoa — A Mulher Samaritana

Amados irmãos e irmãs em Cristo,

Cristo Ressuscitou!

O Evangelho deste domingo apresenta-nos um dos encontros mais belos e profundos de toda a Sagrada Escritura: o encontro de Cristo com a Mulher Samaritana junto ao poço de Jacó.

Há um detalhe que talvez passe despercebido à primeira vista. O Evangelho diz que ela foi buscar água ao meio-dia. Não era o horário habitual. As mulheres normalmente iam ao poço cedo pela manhã ou no final da tarde, quando o calor era mais suportável. Aquela mulher provavelmente queria evitar as outras pessoas. Carregava vergonha, feridas, fracassos, talvez o peso do julgamento público.

E é justamente ali, naquele momento de solidão, que Cristo a espera.

Irmãos, isto revela algo fundamental: Deus frequentemente nos encontra precisamente nos lugares mais cansados, mais feridos e mais escondidos da nossa vida. Quando pensamos estar afastados, esquecidos ou indignos, Cristo já está sentado junto ao poço esperando por nós.

O Senhor inicia o diálogo de maneira surpreendente: «Dá-me de beber».

Aquele que criou as águas pede água. A Fonte da Vida pede de beber a uma mulher pecadora. São João Crisóstomo observa que Cristo não a humilha, não a expõe violentamente, não começa condenando-a. Ele aproxima-Se com delicadeza. Revela-lhe a verdade pouco a pouco para conduzi-la à cura.

E aqui existe uma grande lição para todos nós.

Vivemos tempos muito marcados pelo julgamento, pela agressividade e pela incapacidade de escutar. As pessoas são frequentemente reduzidas aos seus erros. Mas Cristo nos mostra outro caminho. Ele não ignora o pecado da Samaritana, mas também não a reduz ao seu pecado. Ele vê nela alguém capaz de conversão, alguém capaz de santidade.

E isso muda tudo.

Pouco a pouco, o diálogo sai do plano material e entra no espiritual. A mulher pensa inicialmente na água do poço. Mas Cristo fala de outra água: da Água Viva do Espírito Santo.

«Quem beber da água que Eu lhe der jamais terá sede.»

A Samaritana representa também cada um de nós. Quantas vezes procuramos saciar a sede do coração em coisas passageiras? Buscamos felicidade no consumo, nas distrações, no reconhecimento, nas paixões, nos prazeres passageiros, e mesmo assim continuamos vazios.

Ela teve cinco maridos. Sua vida inteira havia sido uma busca contínua por algo que nunca a preenchia completamente. E nós também, muitas vezes, vamos mudando de “poço” em “poço”, de expectativa em expectativa, tentando encontrar aquilo que somente Deus pode dar.

Santo Agostinho dizia: «Nosso coração permanece inquieto enquanto não repousa em Deus.»

Cristo revela então algo extraordinário: a verdadeira sede humana não é física. É espiritual. O homem tem sede de eternidade. Tem sede de amor verdadeiro. Tem sede de comunhão com Deus.

E é por isso que este Evangelho é proclamado no tempo pascal. Porque a Água Viva é o próprio dom da Ressurreição. É a vida nova recebida no Batismo. É o Espírito Santo derramado sobre a Igreja.

Por isso a tradição chama esta mulher de Santa Fotini — “a Iluminada”. Ela encontrou a Luz. E o sinal de sua transformação aparece num pequeno detalhe do Evangelho: ela abandona o cântaro.

Aquilo que antes era indispensável perde importância depois do encontro com Cristo.

Ela deixa o cântaro e corre para anunciar o Messias.

A mulher que evitava as pessoas agora corre para encontrá-las. A mulher marginalizada torna-se missionária. A pecadora torna-se apóstola.

Irmãos, eis o verdadeiro cristianismo: não apenas frequentar a Igreja, mas deixar-se transformar pelo encontro com Cristo.

Muitas vezes permanecemos com nossos “cântaros”: velhos pecados, ressentimentos, vaidades, superficialidade espiritual, apego excessivo às preocupações deste mundo. O Evangelho de hoje nos convida a abandonar tudo aquilo que impede nosso coração de beber verdadeiramente da Água Viva.

E há ainda outro ensinamento profundamente atual neste Evangelho. Cristo conversa com alguém que era considerado estrangeira, impura e indigna pelos padrões religiosos da época. Ele rompe barreiras. Aproxima-Se. Escuta. Dialoga.

Também a Igreja precisa continuar sendo lugar de acolhimento, verdade e cura. Não uma comunidade de perfeitos, mas um lugar onde pessoas sedentas possam encontrar Cristo.

Todos nós somos, de algum modo, a Samaritana. Todos chegamos cansados ao poço da vida. Todos trazemos sede no coração. E todos ouvimos hoje o Senhor dizer:

«Se conhecesses o dom de Deus…»

Que possamos reconhecer este dom. Que possamos beber da Água Viva. E que, como Santa Fotini, também nós nos tornemos testemunhas da Ressurreição.

Cristo Ressuscitou!

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