Como uma graça atrás de outra graça, o arrependimento foi dado aos homens depois do batismo. O arrependimento é, com efeito, um segundo nascimento, que vem de Deus. O que recebemos em fiança pelo nosso batismo, recebemo-lo como dom pleno pelo arrependimento. O arrependimento é a porta da compaixão, que se abre aos que a procuram. Por esta porta, entramos na compaixão divina; fora dela não encontramos a compaixão. «Porque todos pecaram, diz a Sagrada Escritura, e todos são justificados gratuitamente pela graça» (Rm 3, 23-24). O arrependimento é a segunda graça. Ela nasce da fé e do temor no coração. O temor é o bordão paternal, que nos dirige para o paraíso espiritual. Uma vez aí chegados, deixa-nos e desaparece.
Santo Isaac o Sírio (século VII), monge perto de Mossul
Discursos espirituais, 1ª série, nº 72 (a partir da trad. Tourailles, DDB 1981, p. 365)


