João Batista, mártir da verdade

Homilia 23 (livro 2); CCL 122, 354, 356-357

Não há qualquer dúvida de que São João Batista sofreu a prisão pelo nosso Redentor, que precedeu pelo seu testemunho e por quem deu a vida. O seu perseguidor não lhe pediu para negar Cristo, mas para calar a verdade; contudo, foi por Cristo que morreu, pois Cristo disse acerca de Si mesmo: «Eu sou […] a verdade» (Jo 14,6); ora, se derramou o seu sangue pela verdade, foi por Cristo que o fez. Com o seu nascimento, João testemunhou que Cristo iria nascer; com a sua pregação, testemunhou que Cristo iria pregar; batizando, testemunhou que Ele iria batizar; e sofrendo a sua Paixão, significou que o próprio Cristo sofreria a sua […].

Este homem tão grande chegou, pois, ao fim da sua vida pelo derramamento do seu sangue, depois de um longo e penoso cativeiro. Ele, que anunciou a boa nova da liberdade de uma paz superior, foi lançado na prisão pelos ímpios. Foi fechado na obscuridade de um cárcere, ele que veio para dar testemunho da luz […]. Pelo seu próprio sangue é batizado aquele a quem foi dado batizar o Redentor do mundo, ouvir a voz do Pai dirigindo-Se a Cristo, e ver descer sobre Ele a graça do Espírito Santo.

O apóstolo Paulo efetivamente disse-o: «Porque a vós foi dada a graça de assim atuardes por Cristo: não só a de nele acreditar, mas também a de sofrer por Ele» (Fil 1,29); e, se diz que sofrer por Cristo é um dom dos seus eleitos, é porque, como diz noutra parte: «Estou convencido de que os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que há de revelar-se em nós» (Rom 8,18).

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