O Senhor apenas pronuncia estas palavras: «Lázaro, sai para fora», qual amo que chama um servo. E o servo saiu, obedecendo a seu amo? Saiu e não tardou. O Hades não esperou, a morte não se rebelou, as forças do abismo não se atrasaram; pelo contrário, encheram-se de medo. O Hades, que retinha Lázaro há três dias, foi abalado como um navio sem cavilhas, até alcançar a tranquilidade.
Os poderes do abismo não podiam conceber que Lázaro viesse a ser arrancado aos lugares subterrâneos. Mas, quando a voz do Mestre desceu ao túmulo com uma grande luz e novamente fez crescer o cabelo na cabeça de Lázaro, lhe preencheu de medula o oco dos ossos e fez correr sangue vivo para lhe encher as veias, os poderes do abismo, cheios de temor, gritaram uns aos outros: «Quem é este que chama? Quem é este omnipotente? Quem é o que molda de novo o vaso partido? Quem é o que desperta os mortos do seu sono? Quem é o que quebra as portas de ferro? Quem é o que grita: “Lázaro, sai para fora”? Pois a sua voz é um som humano, mas o seu poder é divino. Quem é Aquele que o chama? Não é um homem. A sua forma é de homem, mas a sua voz é de Deus. Mandemos Lázaro embora depressa, não vá Aquele que o chama descer cá abaixo, não vá aparecer cá em baixo Aquele que o chama».
Os mortos começaram a tremer e a mover-se, dizendo: «Que um de nós nos contrarie, para que não os percamos a todos». Então, Lázaro ergueu-se do seio do Hades, confessando, louvando e glorificando Nosso Senhor Jesus Cristo.
São João Crisóstomo (c. 345-407)
Sobre Marta, Maria, Lázaro e o profeta Elias
Fonte: Evangelho Cotidiano


