Sermão 256, 1, 3
No meio das preocupações deste mundo, cantemos «Aleluia!», para que possamos cantar o mesmo um dia lá no alto, em paz. Que preocupações, perguntas tu, temos neste mundo? Então não hei de falar de preocupações, quando leio: «Não vive o homem sobre a Terra como um soldado?» (Jb 7,1) Como queres que eu não tenha preocupações aqui onde as provações são tão fortes que a própria oração que nos foi prescrita inclui: «Não nos deixes cair em tentação»? Como pode o povo estar bem, quando clama comigo: «Livrai-nos do mal» (Mt 6,13)? E, no entanto, meus irmãos, mesmo no meio deste mal, cantemos «Aleluia» a Deus que, na sua bondade, nos livra do mal.
Mesmo entre os perigos e as provações, que nós e os outros cantemos «Aleluia»; «pois Deus é fiel, diz o Apóstolo, e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças». Portanto, mesmo neste mundo, cantemos «Aleluia». O homem ainda é pecador, mas «Deus é fiel». O Apóstolo não disse que Ele não permitirá que sejais tentados, mas que Ele «não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças, mas, com a tentação, vos dará os meios de sair dela e a força para a suportar» (1Cor 10,13). Entraste em tentação? Deus também te dará sair dela, para que não pereças na provação. Desse modo, és como o vaso do oleiro: moldado pela pregação e cozido pela provação. Portanto, quando entrares na provação, pensa em sair dela, pois Deus é fiel, e «Ele te protege quando vais e quando vens, agora e para sempre» (Sl 121,8).


