«O meu tempo está próximo. É em tua casa que Eu quero celebrar a Páscoa»

Queres que te demonstre que Cristo sofreu a sua Paixão voluntariamente? Os outros homens morrem de má vontade, pois morrem nas trevas; mas Ele dizia antes da sua Paixão: «Eis que o Filho do Homem Se entregou para ser crucificado» (Mt 26,2). Sabes por que foi que este misericordioso não fugiu à morte? Para evitar que o mundo inteiro sucumbisse nos seus pecados. «Eis que subimos a Jerusalém e o Filho do Homem vai ser entregue e crucificado» (Mt 20,13) e ainda: «Ele tomou resolutamente o caminho de Jerusalém» (Lc 9,51).

Queres também ficar com a segurança de que a cruz é, para Jesus, uma glória? É Ele que to diz, e não eu. Judas, cheio de ingratidão, preparava-se para O entregar; saindo da mesa depois de beber o cálice da bênção, em jeito de agradecimento por esta bebida da salvação, decidiu verter sangue inocente. Ele que comera o pão do seu Mestre, agradeceu-Lhe de modo vergonhoso entregando-O. […]

Depois Jesus disse: «É chegada a hora em que o Filho do Homem será glorificado» (Jo 12,23). Vês como Ele sabe que a cruz é a sua glória? […] Não que antes tenha existido sem glória, pois fora glorificado «com a glória que tinha antes da fundação do mundo» (Jo 17,5). Mas então era glorificado eternamente como Deus, enquanto agora o era por ter merecido a coroa pela sua constância na prova.

Ele não foi obrigado a deixar a sua vida, não foi forçado a imolar-Se, mas avançou livremente. Escuta as suas palavras: «Tenho o poder de entregar a minha vida e tenho o poder de a retomar» (Jo 10,18); é por minha inteira vontade que cedo aos meus inimigos, pois se Eu não quisesse, nada aconteceria. Ele veio portanto voluntariamente para a Paixão, contente com esse ato, sorrindo à coroa, feliz por salvar a humanidade.

São Cirilo de Alexandria (380-444)
Catequese Batismal 13, § 6
Fonte: Evangelizo.org

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