«Rogo-vos, pois, irmãos, pela misericórdia de Deus, que ofereçais o vosso corpo como hóstia viva, santa e agradável a Deus» (Rom 12,1). Com este pedido, o apóstolo Paulo ensina todos os homens a participarem no sacerdócio. […] Não é no exterior que o homem procura aquilo que vai oferecer a Deus; ele traz consigo e em si o que vai sacrificar a Deus, para seu próprio bem. […] «Rogo-vos pela misericórdia de Deus»: irmãos, este sacrifício é à imagem de Cristo, que imolou o seu corpo e ofereceu a sua vida pela vida do mundo. Na verdade, Ele fez do seu corpo um sacrifício vivo, Ele que vive, após ter sido morto. Nesse sacrifício tão grande, a morte é aniquilada, conquistada pelo sacrifício. […] É por isso que os mártires nascem no momento da sua morte, a sua vida começa quando termina: eles vivem quando são mortos e brilham no Céu quando na Terra se pensa que morreram. […]
«Não quiseste sacrifícios nem oblações, mas abriste-me os ouvidos; não te agradaram holocaustos nem vítimas» (Sl 39,7). Sê simultaneamente o sacrifício oferecido e aquele que o oferece a Deus. Não percas aquilo que o poder de Deus te ofereceu. Veste o manto da santidade. Toma o cinto de castidade. Que Cristo seja o véu da tua cabeça; a cruz, a proteção da tua testa, que te faz perseverar. Conserva no teu coração o sacramento das Escrituras divinas. Que a tua oração arda sempre como incenso agradável a Deus. Toma «a espada do Espírito» (Ef 6,17); que o teu coração seja o altar onde poderás, sem temor, oferecer toda a tua pessoa e toda a tua vida. […]
Oferece a tua fé para punir a descrença; oferece o teu jejum para pôr fim à voracidade; oferece a tua castidade para que a sensualidade morra; sê fervoroso para que a maleficência acabe; faz obras de misericórdia para pôr fim à avareza; e, para suprimir a futilidade, oferece a tua santidade. Deste modo, a tua vida tornar-se-á uma oferenda, se não tiver sido ferida pelo pecado. O teu corpo vive sempre que, fazendo o mal morrer em ti, ofereces a Deus virtudes vivas.
São Pedro Crisólogo (c. 406-450)
Sermão 108; PL 52, 499
Fonte: Evangelho Cotidiano


