Orar no Espírito com gemidos inefáveis

Aquele que pede a Deus a única coisa que realmente importa e a procura (cf Sl 26,4) pode fazê-lo com certeza e confiança. […] Este bem único, a paz que excede todo o entendimento, não sabemos pedi-lo adequadamente na nossa oração. Pois aquilo que podemos imaginar da sua realidade não o conhecemos verdadeiramente; por outro lado, sabemos que tudo o que nos vem à mente e que rejeitamos, recusamos e condenamos não é o objeto da nossa busca, mesmo que ainda não tenhamos consciência do que esse objeto realmente representa.

Portanto, existe em nós aquilo a que eu chamaria uma douta ignorância, instruída pelo Espírito de Deus, que sustenta a nossa fraqueza. Porque, depois de dizer: «Esperar o que não vemos é esperá-lo com perseverança», o Apóstolo acrescenta: «É assim que também o Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza, pois não sabemos o que havemos de pedir, para rezarmos como deve ser; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. E Aquele que vê no íntimo dos corações conhece as aspirações do Espírito, pois é em conformidade com Deus que o Espírito intercede pelos cristãos» (Rm 8,25-27).

Isto não deve ser entendido como se o Espírito Santo de Deus, que é o Deus imutável na Trindade e um só Deus com o Pai e o Filho, intercedesse pelos santos como alguém que não é Deus. Dizemos que Ele ora pelos santos porque os leva a orar: leva-os a orar com gemidos inefáveis, inspirando-lhes o desejo daquele grande bem, ainda desconhecido, que aguardamos com paciência.

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