(1 Pd 1,11)
Aproximando-se da morte, o Salvador exclamava: «Pai, chegou a hora, glorifica o teu Filho» (Jo 17,1). Ora a sua glória é a Cruz. Como poderia ele evitar aquilo que noutro momento solicita? Que a sua glória é a Cruz, ensina-o o Evangelho quando diz: “O Espírito Santo ainda não tinha sido derramado, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado” (Jo 7,39). Eis o sentido desta palavra: a Graça não tinha ainda sido concedida, porque Cristo ainda não tinha subido à Cruz para pôr fim às hostilidades entre Deus e os homens. Na verdade, foi a Cruz que reconciliou os homens com Deus, que fez da terra o Céu, que reuniu os homens aos anjos. Ela derrubou a cidadela da morte, destruiu o poder do demônio, libertou a terra do erro, estabeleceu os fundamentos da Igreja.
A Cruz é a vontade do Pai, a glória do Filho, a jubilação do Espírito Santo. É o orgulho de São Paulo: «Que a minha única glória seja a Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo» (Gal 6,14).
São João Crisóstomo (v. 345-407), Arcebispo de Constantinopla
Homilia sobre: «Pai, se for possível»
Fonte: Evangelho Cotidiano


