«Outra parte caiu em boa terra»

Creio que é a Maria que o profeta Joel se dirige ao dizer: «Não temas, ó terra; canta e rejubila, porque o Senhor faz grandes coisas» (2,21). De fato, Maria é a terra: a terra onde Moisés, homem de Deus, recebeu ordem para tirar as sandálias dos pés (cf Ex 3,5), imagem da Lei que a graça virá substituir; a terra onde, pelo Espírito Santo, Se fixou Aquele de quem proclamamos que fundou «a Terra sobre bases sólidas» (Sl 103,5). Uma terra que, sem ter sido semeada, faz eclodir o fruto que dá alimento a todo o ser vivo (cf Sl 135,25). Uma terra onde não cresceu o espinheiro do pecado; pelo contrário, nela nasceu quem o arrancou de raiz. Terra, enfim, que não é maldita, como a primeira, de campos onde abundavam espinhos e abrolhos (cf Gn 3,18), mas sobre a qual repousa a bênção do Senhor, e que traz em seu seio um «fruto bendito», como diz o texto sagrado (Lc 1,42). […]

Exulta pois, Maria, casa do Senhor, terra que Deus marcou com os seus passos […]. Exulta, paraíso mais feliz que o jardim do Éden, onde germinou toda a virtude e onde cresceu a árvore da Vida.

São Teodoro Estudita (759-826)
«Homilia 2 para a Natividade de Maria», 4, 7; PG 96, 683s
Fonte: Evangelho Cotidiano

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