O começo da vida é para mim o seu termo e o termo, o começo. […] Eu nasço terra e da terra, nasço corpo, de um corpo corruptível; ser corruptível e mortal que sou, passo algum tempo na Terra vivendo na carne, depois morro, e, ao sair desta vida, dou início a outra, deixando na Terra o meu corpo destinado a ressuscitar, a viver uma vida sem fim pelos séculos fora. Agora, pois, meu Deus, olha para mim, deixa-Te enternecer, meu Único, tem piedade de mim! […]
Peço-Te, Mestre, suplico-Te pela tua misericórdia, meu Salvador, concede-me que, no dia em que a minha alma sair do meu corpo, eu possa, com um simples sopro, cobrir de confusão todos quantos vierem atacar-me, a mim, teu servo; que eu atravesse o limiar sem danos, protegido pela luz do teu Espírito, e me apresente ao teu tribunal tendo comigo, meu Cristo, a proteção da tua graça divina que me poupe toda a confusão! Com efeito, quem ousaria comparecer diante de Ti sem estar revestido desta graça, sem a possuir dentro de si, sem ser iluminado por ela? […] Qual é a criatura capaz de O ver com as suas próprias forças e só com o seu esforço, se não for Ele a enviar o seu Espírito divino, que confere vigor, força e poder à nossa natureza enferma, se não for Ele a tornar o homem capaz de contemplar a sua glória, a sua divina glória? Pois, de outra maneira, homem nenhum verá ou terá forças para contemplar o Senhor que vem na sua glória.
Deste modo, os injustos serão separados dos justos, os pecadores serão separados dos justos e quantos não tiveram luz em si neste mundo serão engolidos pela obscuridade; mas os que nesta vida foram afins da luz, esses também serão afins de Deus, e, de maneira misteriosa, mas muito real, permanecerão inseparavelmente na sua intimidade.
Simeão, o Novo Teólogo (c. 949-1022), monge grego
Hinos 42, SC 196
Fonte: Evangelho Cotidiano


