Irmãos, como é grande e admirável o dom que o Senhor nos dá! Neste dia de Páscoa, dia da salvação, o Senhor ressuscitou e dá a ressurreição ao mundo. […] Nós somos o seu corpo (1Cor 12,27) […] e, como seus membros, ressuscitamos com Ele, […] que nos faz passar da morte à vida. «Páscoa» em hebraico quer dizer passagem […], e que passagem! Do pecado à justiça, do vício à virtude, da velhice à infância. […] Ontem, a queda no pecado mostrava-nos o caminho do declínio; mas a ressurreição de Cristo faz-nos reviver na inocência dos recém-nascidos.
A simplicidade cristã faz sua a infância. A infância não tem rancor, não conhece o engano, não procura a ofensa. Do mesmo modo, a criança em que o cristão se transformou já não se enfurece se é insultada, não se defende se é espoliada, não riposta se é atacada. O próprio Senhor lhe exige que reze pelos seus inimigos, que deixe a túnica e o manto aos ladrões, e que dê a outra face àqueles que lhe batem (Mt 5,39). Assim, a infância de Cristo sobrepõe-se à dos homens. […]
O Senhor diz aos seus apóstolos, já entrados na maturidade: «Se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entrar no Reino dos Céus» (Mt 18,3). Desse modo, remete-os para o início da sua existência, incitando-os a reencontrar a infância e permitindo que esses homens, a quem começavam já a faltar as forças, renasçam na inocência do coração.
São Máximo de Turim (?-c. 420)
Homilia 58, para a Páscoa; PL 57, 363
Fonte: Evangelho Cotidiano


