«Que eles sejam todos um, como Tu, Pai, o és em Mim e Eu em Ti»
17 de maio de 2018 — Pedro Damião (1007-1072) — Opúsculo 11 « Dominus vobiscum », 6
A Santa Igreja, ainda que muito diversa na multiplicidade das pessoas, é unificada pelo fogo do Espírito Santo. Se, materialmente, parece repartida em várias famílias, o mistério da sua profunda unidade nada pode perder da sua integridade: «Porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado», diz São Paulo (Rom 5,5). Este Espírito é, sem qualquer dúvida, uno e múltiplo ao mesmo tempo, uno na essência da sua majestade, múltiplo nos dons e nos carismas concedidos à Santa Igreja, que enche com a sua presença. E este Espírito permite à Igreja ser simultaneamente una na sua extensão universal e integralmente completa em cada um dos seus membros […].
Se, portanto, aqueles que acreditam em Cristo são um, onde quer que algum deles se encontre fisicamente, o corpo da Igreja, na sua integralidade, estará também presente, pelo mistério sacramental. E tudo o que convier à integralidade desse corpo convém a cada um dos seus membros. […] É por isso que, quando vários fiéis se juntam, podem dizer: «Inclina, Senhor, os teus ouvidos e responde-me, porque estou triste e necessitado; protege a minha vida, porque Te sou fiel» (Sl 85,1), e quando estivermos sós, podemos cantar: «Alegrai-vos em Deus, nossa força, aclamai o Deus de Jacob» (Sl 80,2). Não será descabido dizermos em conjunto: «Em todo o tempo, bendirei o Senhor, o seu louvor estará sempre nos meus lábios» (Sl 33,2), ou proclamar, quando estamos sozinhos: «Enaltecei comigo o Senhor, exaltemos juntos o seu nome» (Sl 33,4), ou outras expressões semelhantes. Pois a solidão não impede ninguém de falar no plural, e a multidão de fiéis poderá ser expressa no singular. A força do Espírito Santo que habita em cada um dos fiéis e os envolve, deles fazendo um só, é que faz que aqui haja uma solidão povoada, e ali uma multidão que forma um só.
Pedro Damião (1007-1072) Opúsculo 11 « Dominus vobiscum », 6
«A Virgem Maria que foi para o mundo inteiro esperança e aurora da salvação» (oração depois da comunhão)
5 de novembro de 2011 — São Pedro Damião (1007-1072), eremita
«Quem é essa?» pergunta o Espírito Santo quando Maria vem ao mundo. «Quem é essa que desponta como a aurora, bela como a Lua, fulgurante como o Sol» (Ct 6,10). […]
«Desponta como a aurora.» No brilho do meio-dia, o nosso primeiro pai foi feito à imagem e semelhança do seu Criador (Gn 1,26). Haverá coisa mais gloriosa para o concebido que assemelhar-se ao Criador? […] Ele deu-lhe a imagem eterna; faltava a semelhança: era necessário que o homem se tornasse semelhante ao Seu Criador. No entanto, ele rejeitou a honra de tal privilégio […] e entregou-se à morte nas trevas, com toda a sua descendência. As trevas cobriram toda a terra, até vir a Virgem. Não havia ninguém que escapasse dessas trevas, ninguém que as dissipasse. […] Mas com a Virgem desponta a aurora: Maria anuncia a verdadeira luz; pelo seu nascimento, fez brilhar a mais fulgurante das manhãs. Ela é a estrela da manhã. […] Ela é esta aurora que segue – ou antes, da qual nasce – o Sol de justiça (Ml 3,20), o Único que a supera em esplendor. […]
«Teu é o dia» em que Adão foi criado; «tua é a noite» (Sl 73,16) onde ele foi expulso da Tua luz. Foste Tu que criaste a aurora, ou seja, a Virgem Maria, e o Sol, este Sol de justiça que Se ergueu do seu seio virginal. Como a aurora anuncia o fim da noite e marca o início do dia, assim a Virgem dissipou a noite sem fim. E, dia após dia, dá à terra Aquele que gerou na sua virgindade..
São Pedro Damião (1007-1072), eremita
«Assim como a chuva e a neve descem do céu, […] o mesmo sucede com a palavra que sai da Minha boca» (Is 55, 10-11)
28 de agosto de 2010 — São Pedro Damião (1007-1072), eremita e depois bispo, Doutor da Igreja — Sermão 42, 2º para São Bartolomeu: PL 144, 726, 728 C-D (a partir da trad. Orval)
Os apóstolos são as pérolas preciosas que João afirma ter contemplado no Apocalipse, as pérolas que são as portas da Jerusalém celeste (Ap 21, 21). […] Com efeito, quando irradiam a luz divina por meio de sinais e de milagres, os apóstolos abrem o acesso da glória celeste de Jerusalém aos povos convertidos à fé cristã. E aqueles que graças a eles são salvos entram na vida, qual viajante que entra por uma porta. […] É também acerca deles que o profeta pergunta: «Quem são estes que voam como as nuvens?» (Is 60, 8), nuvens que se condensam em água quando regam a terra do nosso coração com a chuva dos seus ensinamentos, a fim de a tornarem fértil e portadora dos germens das boas obras.
Bartolomeu, cuja festa celebramos hoje, significa precisamente, em aramaico, «filho daquele que traz a água». Ele é o filho deste Deus que eleva o espírito dos seus pregadores à contemplação das verdades do alto, a fim de que eles possam difundir, com eficácia e abundância, a chuva da palavra de Deus nos nossos corações. Assim, eles bebem a água na fonte, para depois no-la darem a beber a nós.
São Pedro Damião (1007-1072), eremita e depois bispo, Doutor da Igreja Sermão 42, 2º para São Bartolomeu: PL 144, 726, 728 C-D (a partir da trad. Orval)
«Deixar tudo para seguir a Cristo»
18 de agosto de 2010 — São Pedro Damião (1007-1072), eremita e depois bispo — Sermão 9; PL 144, 549-553 (a partir da trad. Delhougne, Les Pères commentent, p. 499)
Na verdade, é uma grande coisa «deixar tudo», mas ainda é ainda mais importante «seguir a Cristo» porque, como aprendemos através dos livros, muitos deixaram tudo mas não seguiram a Cristo. Seguir a Cristo é a nossa tarefa, o nosso trabalho, e nisso consiste o essencial da salvação do homem, mas não podemos seguir a Cristo se não abandonarmos tudo o que nos bloqueia. Porque «Ele sai, a percorrer alegremente o seu caminho, como um herói» [Sl 19 (18), 6] e ninguém pode segui-Lo carregado com um fardo.
«Nós deixamos tudo e seguimos-Te», diz Pedro, não apenas os bens deste mundo mas também os desejos da nossa alma. Porque quem continua apegado, nem que seja a si mesmo, não abandonou tudo. Mais ainda, não serve de nada deixar tudo à exceção de si mesmo, porque não há para o homem fardo mais pesado que o seu eu. Que tirano será mais cruel, que senhor será mais impiedoso para o homem do que a sua própria vontade? […] Por conseqüência, é necessário que deixemos os nossos bens e a nossa vontade própria se que queremos seguir Aquele que não tinha sequer «onde reclinar a cabeça» (Lc 9, 58) e que veio «não para fazer a [Sua] vontade, mas a vontade d’Aquele que [O] enviou» (Jo 6, 38).
São Pedro Damião (1007-1072), eremita e depois bispo Sermão 9; PL 144, 549-553 (a partir da trad. Delhougne, Les Pères commentent, p. 499)
Felizes […] os que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática
10 de outubro de 2009 — São Pedro Damião (1007-1072), eremita bispo — Sermão 45, PL 144 (a partir da trad. de Orval) — Fonte: Evangelho Cotidiano
Coube à Virgem Maria conceber Cristo em seu seio, mas cabe a todos os eleitos a possibilidade de, com amor, o trazermos no coração. Bem-aventurada, sim, bem-aventurada a mulher que em si trouxe Jesus durante nove meses [Lc 11, 27). Bem-aventurados sejamos nós também, porque velamos por trazê-Lo sempre no coração. Grande maravilha é seguramente a concepção de Cristo no seio de Maria, mas não é maravilha menor vê-Lo tornar-Se o hóspede do nosso peito. É este o sentido do seguinte testemunho de João: «Eu estou à porta e bato: se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, Eu entrarei na sua casa e cearei com ele e ele comigo» (Ap 3, 20). […] Reflictamos ainda, irmãos, na nossa dignidade e semelhança com Maria. A Virgem concebeu Cristo nas suas entranhas de carne, e nós trazêmo-Lo nas do nosso coração. Maria alimentou a Cristo dando-Lhe a beber o leite de seu seio, e nós, nós podemos oferecer-Lhe a refeição variada das boas acções que O deliciam..
São Pedro Damião (1007-1072), eremita bispo Sermão 45, PL 144 (a partir da trad. de Orval) Fonte: Evangelho Cotidiano


