Esta antologia reúne homilias e catequeses de São Teodoro Estudita sobre o mistério da Encarnação, a cruz de Cristo, a humildade, o serviço fraterno e a esperança do Reino. O percurso começa com a contemplação de Maria e prossegue pelas virtudes que sustentam a vida em Cristo.
Os excertos foram organizados por tema. As versões repetidas aparecem uma única vez; os trechos complementares de uma mesma catequese são conservados com subtítulos e com as referências indicadas nas fontes.
Sumário
- Maria e o mistério da Encarnação
- A cruz e a humildade de Cristo
- O serviço, a vida fraterna e os frutos do Espírito
- Coragem e perseverança no caminho de Deus
- Vigilância e esperança do Reino
- Fontes e critérios da seleção
Maria e o mistério da Encarnação
A Virgem Maria, amada por Deus e terra fecunda
São Teodoro Estudita — Homilia 2 para a Natividade de Maria, §§ 4 e 7; PG 96, 683ss.; atribuída a Teodoro Estudita.
Nunca nada esteve tão próximo de Deus como a bem-aventurada e admirável Virgem Maria. Haverá ser mais puro? Haverá ser mais irrepreensível? Ela era tão apaixonadamente amada por Deus, luz suprema e infinitamente pura, que Ele Se uniu substancialmente a ela pela vinda do Espírito Santo e dela nasceu, Homem perfeito, mantendo a sua própria natureza imutável e sem mistura. Que maravilha!
No seu imenso amor pelos homens, Deus não Se envergonhou de tomar como mãe aquela que era sua serva. Que condescendência! Na sua infinita bondade, não hesitou em tornar-Se filho daquela que Ele próprio tinha moldado. Estava verdadeiramente apaixonado pela mais graciosa das suas criaturas e tomou para Si aquela que valia mais do que as potências do Céu, a quem se aplicam estas palavras do profeta Zacarias: «Exulta e alegra-te, filha de Sião, porque Eu venho habitar no meio de ti, oráculo do Senhor» (Zc 2,14). […]
Creio que é a Maria que o profeta Joel se dirige ao dizer: «Não temas, ó terra; canta e rejubila, porque o Senhor faz grandes coisas» (2,21). De fato, Maria é a terra: a terra onde Moisés, homem de Deus, recebeu ordem para tirar as sandálias dos pés (cf Ex 3,5), imagem da Lei que a graça virá substituir; a terra onde, pelo Espírito Santo, Se fixou Aquele de quem proclamamos que fundou «a Terra sobre bases sólidas» (Sl 103,5). Uma terra que, sem ter sido semeada, faz eclodir o fruto que dá alimento a todo o ser vivo (cf Sl 135,25). Uma terra onde não cresceu o espinheiro do pecado; pelo contrário, nela nasceu quem o arrancou de raiz. Terra, enfim, que não é maldita, como a primeira, de campos onde abundavam espinhos e abrolhos (cf Gn 3,18), mas sobre a qual repousa a bênção do Senhor, e que traz em seu seio um «fruto bendito», como diz o texto sagrado (Lc 1,42). […]
Alegra-te, casa do Senhor, terra que Deus pisou com os seus passos, tu que contiveste na tua carne Aquele cuja divindade transborda todo o lugar. Foi de ti que Aquele que é a própria simplicidade assumiu a natureza complexa do homem: o Eterno entrou no tempo e o Infinito adquiriu limites. Alegra-te, ó cheia de graça (cf Lc 1,28): a tua obra e o teu nome são mais alegres do que qualquer alegria, pois de ti veio ao mundo a alegria imortal, Cristo, que é remédio para a tristeza dos homens. Alegra-te, paraíso mais feliz do que o jardim do Éden, onde germinou toda a virtude e cresceu a árvore da Vida.
Nota editorial: O fragmento entregue à edição foi reunido à passagem de Maria como terra fecunda. As duas publicações equivalentes foram consolidadas e a saudação final aparece uma única vez, na versão mais extensa. No primeiro parágrafo, a formulação foi ajustada para «Se uniu substancialmente a ela pela vinda do Espírito Santo», conforme a passagem grega cotejada. A expressão refere-se à Encarnação, e o próprio texto ressalta a ausência de mudança e de mistura. A homilia foi publicada em PG 96 entre os escritos de João Damasceno e é atribuída a Teodoro Estudita.
A cruz e a humildade de Cristo
A cruz, árvore de vida
São Teodoro Estudita — Homilia para a adoração da cruz, excerto.
Como é bela a imagem da cruz! A sua beleza não oferece mistura de mal e de bem, como outrora a árvore do jardim do Éden. Toda ela é admirável, «uma delícia para os olhos e desejável» (Gn 3,6). É uma árvore que dá a vida e não a morte; a luz e não a cegueira. Que leva a entrar no Éden e não a sair dele. Esta árvore, à qual Cristo subiu como um rei para o seu carro de triunfo, derrotou o diabo, que tinha o poder da morte, e libertou o gênero humano da escravidão do tirano. Foi sobre esta árvore que o Senhor, qual guerreiro de eleição, ferido nas mãos, nos pés e no seu divino peito, curou as cicatrizes do pecado, quer dizer, a nossa natureza ferida por Satanás.
Depois de termos sido mortos pelo madeiro, encontramos a vida pelo madeiro; depois de termos sido enganados pelo madeiro, é pelo madeiro que repelimos a serpente enganadora. Que permutas surpreendentes! A vida em vez da morte, a imortalidade em vez da corrupção, a glória em vez da ignomínia. Por este motivo, o apóstolo Paulo exclamou: «Toda a minha glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo» (Gal 6,14). […] Mais do que qualquer sabedoria, esta sabedoria que floresceu na cruz tornou ignóbeis as pretensões da sabedoria do mundo (1Cor 1,17s). […]
Foi pela cruz que a morte foi morta e Adão restituído à vida. Foi pela cruz que todos os apóstolos foram glorificados, todos os mártires coroados, todos os santos santificados. Foi pela cruz que fomos reconduzidos como ovelhas de Cristo, e reunidos no redil do alto.
Louvor ao rebaixamento de Cristo
São Teodoro Estudita — Catequese 53, excerto.
Aqui estamos nós, na grande e santa semana dos sofrimentos de Cristo, para aprendermos uma vez mais quantas vezes, quando e a que ponto o Senhor da glória (cf 1Cor 2,8), nosso Deus e Criador, Se humilhou por nós. Somos iluminados quando de novo penetramos em tudo isto.
Com efeito, só um coração de pedra não se compadeceria ao ver o Senhor ser entregue por um discípulo nas mãos dos ímpios (cf At 2, 23), amarrado pelos soldados e levado a um tribunal, onde foi condenado – Ele, que é a Verdade, chamado impostor e charlatão (cf Mt 27,63), Ele, que é o Salvador de todos, esbofeteado e aguentando, coberto de escarros e não Se defendendo, coroado de espinhos e não reduzindo a cinzas os que se atreveram a fazer-Lhe tais insultos, vestido de púrpura como rei e como criminoso espancado; e, finalmente, crucificado e trespassado por uma lança, experimentando a morte, Ele que é a vida de todos. Mas, logo a seguir, ressuscitou, levantando-nos da nossa degradação e erguendo-nos para a inalterável imortalidade. […]
Que havemos de Te oferecer, a Ti, que, na tua inesgotável bondade, nos consideraste de tão grande valor que, longe de desprezares a tua criatura perdida, vieste salvar-nos com extrema e indizível humilhação? Mas tornaste-nos fortes e salvaste-nos. Com os nossos lábios pecadores e indignos, oferecemos-Te todo o louvor e ação de graças de que somos capazes, exortados a procurar imitar este exemplo, conformando-nos com ele nas coisas grandes e importantes, mas também nas coisas pequenas e servis. Porque isso é dar graças com dignidade.
O servo não é maior do que o seu senhor
São Teodoro Estudita — Catequese 78, excerto.
Recordai-vos das maravilhas que Ele fez por nós no passado, e das que continua a realizar. […] Em troca do que Ele fez por nós, façamos nós um pouco mais e paguemos-Lhe o que Lhe devemos, veneráveis irmãos. E o que Ele quer de nós é que O temamos, O amemos com todo o nosso coração e toda a nossa inteligência (cf Mt 22,37) e imitemos, tanto quanto nos for possível, a sua maneira de viver na carne.
Ele fez-Se estrangeiro, trocando o Céu pela Terra, a fim de que também nós nos tornássemos estrangeiros aos pensamentos que vêm da nossa vontade. Ele obedeceu a seu Pai a fim de que também nós obedecêssemos sem hesitar […]. Ele humilhou-Se até à morte (cf Fil 2,8) a fim de que também vós tivésseis esse sentimento, abaixando-vos e humilhando-vos em pensamentos, ações, palavras e gestos. Pois a glória divina e verdadeira é ser sem glória entre os homens por causa de Deus. […] O meu Salvador e meu Deus, que Se revestiu da nossa carne, escolheu o que é mais pequeno e desprezado para confundir o que é fama e riqueza entre os homens (cf 1Cor 1,27-28).
Foi por isso que Ele veio ao mundo numa gruta, que Se deitou numa manjedoura, que foi chamado Filho do carpinteiro, que foi chamado Nazareno, que vestiu uma só túnica e um só manto, que andou a pé, que sofreu, que foi lapidado pelos judeus, insultado, preso, crucificado, perfurado com uma lança, depositado no túmulo, após o que ressuscitou, para nos persuadir, meus irmãos, a escolhermos, diante dos seus anjos, as mesmas coisas que Ele, a fim de sermos coroados no Reino dos Céus, no próprio Cristo, nosso Senhor, a quem pertence a glória e o poder, com o Pai e o Espírito Santo, agora e para sempre, e pelos séculos dos séculos, Amem.
Imitar a humildade de Cristo
São Teodoro Estudita — Catequese 80, excerto.
Alguém quer e deseja ter uma vida virtuosa? Afaste-se do orgulho e, através de uma obediência sem reservas, recupere a mais alta humildade e será acompanhado pela alegria e a felicidade (cf Is 35,10). De facto, desta boa raiz nasce toda a alegria, toda a paz, toda a bondade e piedade, toda a docilidade e equilíbrio, toda a brandura e mansidão (cf Gl 5,22), tudo o que é belo, agradável e desejável, em suma, tudo o que caracteriza o verdadeiro homem de Deus. […]
Levantai os olhos para Cristo, nosso Senhor e Deus, mestre de todas as coisas, aquele que é verdadeiramente rico, o filho único do Pai, deixai-vos atrair pelo que é humilde (cf Rm 12,16) e imitai o que Ele fez; Ele era de aparência simples; foi submisso aos pais até chegar a sua hora; andava pelos caminhos e sentava-se quando estava cansado (cf Jo 4,6); quando era insultado, não retribuía o insulto; quando era maltratado, não ameaçava (cf 1Pd 2,22); dava a face a quem lhe batia; não tinha muitas roupas, contentando-se com uma pequena túnica e um manto; não levava consigo cobertores macios; não andava de cavalo nem de mula; alimentava-se de pão e bebia água dos ribeiros. Se nós, que temos muito mais, continuarmos a pensar que estamos em apuros e a atormentar-nos, como nos estabeleceremos na imitação do Senhor? Por isso, suportemos tudo com paciência e sigamos o modelo divino!
O fruto da humildade
São Teodoro Estudita — Catequese 37, excerto.
Tão grande é o carisma divino da humildade, meus filhos! E nenhum santo pôde agradar a Deus sem esta qualidade primordial. Revesti-vos, também vós, dela (cf 1Pd 5,5), meus irmãos. […]
Conversemos com humildade, trabalhemos com humildade, leiamos com humildade, cantemos com humildade, caminhemos com humildade, comamos com humildade, desculpemos com humildade, e veremos como é verdadeiramente grande o seu fruto, como é doce e amável, e como nos ilumina a todos, tornando-nos imitadores de Deus: «Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas». Com efeito, nela está o verdadeiro descanso; nela, as correntes da graça correm para as almas; dela surge a purificação do coração; nela, a efusão das lágrimas torna-se abundante; dela jorra a fonte da compunção; nela, a sabedoria e o entendimento, a piedade, o domínio de si, o recolhimento, a ausência de vanglória e de escárnio, e todos os outros bens possíveis, podem ser nomeados e definidos.
É isto que dizemos da humildade! Quanto a vós, filhos de Deus e da nossa humilde pessoa, recebei as sementes e frutificai, como terra boa, a trinta, sessenta e cem por um (cf Mt 13,8; Jo 15,8.16), pelas boas obras que correspondem aos vossos carismas.
O serviço, a vida fraterna e os frutos do Espírito
Servir e agradar a Deus
São Teodoro Estudita — Catequese 1, excerto.
O nosso papel, que é também uma obrigação, é fazer de vós, na medida das nossas forças, objeto de todo o nosso zelo e dos nossos cuidados, pela palavra e pela ação, pelas advertências e os encorajamentos, pelas admoestações e as incitações, […] a fim de vos pormos ao ritmo da vontade divina e vos orientarmos para o fim que nos propomos alcançar: agradar a Deus. […]
Ele, que é imortal, verteu o seu sangue de forma espontânea; Ele, que criou o exército dos anjos, foi manietado por soldados; Ele, que julgará os vivos e os mortos (cf At 10,42; 2Tim 4,1), foi levado à justiça; a Verdade foi exposta a falsos testemunhos, foi caluniada, açoitada, coberta de escarros, suspensa do madeiro da cruz; o Senhor da glória (cf 1Cor 2,8) suportou todos os ultrajes e todos os sofrimentos sem ter, Ele próprio, necessidade destas provas. Como pode semelhante coisa ter acontecido, sendo Ele, mesmo enquanto homem, sem pecado, e, pelo contrário, estando a arrancar-nos à tirania do pecado, pelo qual a morte tinha entrado no mundo e se tinha apoderado enganadoramente do nosso primeiro pai?
Assim, pois, não nos surpreendamos se formos submetidos a alguma prova deste gênero, pois tal é a nossa condição […]. Teremos de ser, também nós, ultrajados e tentados, afligidos por a nossa vontade ser contrariada. Segundo a definição dos nossos pais, é isso a efusão do sangue, pois é isso que significa ser monge; será assim que compraremos o reino dos Céus, vivendo a nossa vida à imitação do Senhor. […] Aplicai-vos com zelo ao serviço a que vos dedicais, pensando que, através dele, longe de serdes escravos dos homens, servis a Deus.
Sede santos de Deus
São Teodoro Estudita — Catequese, excerto sem número indicado no acervo.
Sede, pois, bons uns com os outros (cf Ef 4,32), indulgentes, cheios de amor fraterno; suportai-vos uns aos outros com caridade (cf Ef 4,2); levai as cargas uns dos outros (cf Gal 6,2), cedei, perdoai; considerai-vos uns aos outros (cf Rom 12,10) com reverência, com piedade e temor de Deus. Se for essa a vossa conduta, se viverdes assim, sereis meus santos, ou melhor, santos de Deus, anjos de Deus neste mundo, adoradores do seu poder (cf Jo 4,23), ministros da sua glória, herdeiros do Reino dos Céus, companheiros dos santos, habitantes do paraíso, usufruindo dos bens consideráveis que vos foram reservados.
É por isso que vos peço […] que sigais sempre em frente nos caminhos de Deus, que vos firmeis pelo vigor da sua força (cf Ef 6,10). […] Que a luz do conhecimento de Deus vos preceda em todos os movimentos e ações, que sejais governados por uma disposição pacífica e que a calma do amor fraterno reine em vós! […] Que o Senhor Deus vos abra uma porta de justiça (cf Sl 117,19) e um caminho de verdade (cf 2Pe 2,2), que Ele vos atraia a Si e vos abrase, que Ele faça de vós instrumentos que emitam sons harmoniosos para seu contentamento, que vos transforme em templos vivos e perfeitos nos quais Ele próprio habite, que vos conceda aqui em baixo o penhor da beatitude do alto (cf 2Cor 1,22). […]
Que o Senhor, nosso Deus, guarde, restabeleça (cf 1Pe 5,10) e endireite o vosso caminho e as vossas obras, que Ele encha de graça, alegria e doçura os vossos corações santos, e assim vos torne dignos do Reino dos Céus no próprio Cristo, nosso Senhor, a quem sejam dadas glória e poder, com o Pai e o Espírito Santo, agora e para sempre, pelos séculos dos séculos, amém.
Rejubila, assembleia de Deus!
São Teodoro Estudita — Catequese 47, excerto.
Rejubilai, pois, sem cessar no Senhor (cf Fil 4,4), meus filhos muito amados. Rejubilai, peço-vos, cidadãos dos Céus, embora exilados neste mundo, habitantes da Jerusalém celeste (cf Gal 4,26), embora banidos dos assuntos deste mundo, herdeiros do reino dos Céus, embora deserdados e não tendo parte nos prazeres terrenos! Rejubilai, viajantes cheios de ardor, por sofrerdes, em nome dos mandamentos divinos, o exílio e maus tratos em terra estrangeira! Rejubilai, vós, que sois os últimos segundo o mundo, mas senhores de bens que ultrapassam o nosso intelecto (cf Fil 4,7)!
Rejubilai, nobre companhia, reunida por Deus, assembleia unida de alma e coração, que, animada pelo amor filial e o amor fraterno, replica neste mundo o coro dos anjos! […] Rejubilai, vós, que trabalhais por Deus […], gente apostólica. […] Rejubilai, vós que vos encheis de alegria uns aos outros, tomando cada um como sua a boa fama dos seus irmãos, vós em quem não há inveja, nem rivalidades, nem ciúmes, mas paz, caridade e vida comum; na verdade, não digo que não sejamos atacados […], mas que não nos deixamos abater pelas maquinações de Satanás.
Sim, meus filhos, reunidos por Deus, alimentai-vos do alimento do Espírito e bebei a água dada pelo Senhor; quem vier a possuir esta água nunca mais terá sede, pois ela será para ele uma fonte que jorra para a vida eterna (cf Jo 4,14). […] Mais um pouco e teremos vencido. E seremos felizes, como felizes serão chamados os locais, os pais e as pátrias que vos terão gerado (cf Lc 11,27-28).
Servir com zelo e ternura fraterna
São Teodoro Estudita — Catequese 21, excerto.
Meus irmãos, pais e filhos, desempenho-me uma vez mais do meu dever: recordar-vos a doutrina. […] Aquele que cumpre as suas tarefas com zelo e é cuidadoso nos serviços que lhe foram confiados, seja também um trabalhador irrepreensível (cf 2Tim 2,15), como se servisse a Deus e não aos homens, assumindo as tarefas mais pesadas, rejubilando por velar sobre o próximo, sabendo que lhe está reservada uma grande recompensa nos Céus; […] qualquer que seja a tarefa, pequena ou grande, que tivermos empreendido, em corrida incessante e num desejo inextinguível dos bens eternos, suportemos todas as coisas com valentia e bom humor, realizemos todas as coisas por inspiração divina, perdoando-nos mutuamente (cf Ef 4,32; Col 3,13), cheios de ternura uns pelos outros, a ponto de cada um desejar dar a própria vida (cf 1Tess 2,8) pelo seu irmão, no espírito e na carne.
E, se o Filho único de Deus vos convidar e vos persuadir a agir desta maneira — Ele que, por obediência a Deus Pai, Se aniquilou a um grau infinito de abaixamento, a ponto de ter passado de senhor a escravo, Ele que conheceu a morte, e morte de cruz (cf Fil 2,8) –, que grande alegria para mim, pecador, que satisfação inesgotável e inefável! E alegria também para vós, que cumpris os seus mandamentos, e contentamento inexprimível! Não só recebereis, já neste mundo, grandes elogios de qualquer homem que seja testemunha do que se passa convosco, não só triunfareis do inimigo, resistindo às suas sugestões e aos seus artifícios, como, no mundo futuro, dançareis na presença da glória de Cristo Deus e sereis contados no número dos coros angélicos e da assembleia dos santos, «na morada de todos quantos se alegram» (Sl 86,7,LXX), como diz o salmo, irmãos mui venerados.
O que é próprio do Espírito Santo e do adversário
São Teodoro Estudita — Catequese 39, excerto.
Meus pais, meus irmãos, meus filhos, o inimigo ataca-nos sem cessar com todo o seu furor, mas, também sem cessar, é afastado pelas potências divinas […]. Quando alguém, depois de ter rejeitado o Espírito Santo, abre a porta e dá entrada ao desconhecido que lhe ensina a fazer e a dizer tudo aquilo de que gosta, o inimigo encontra nele uma presa. Pois bem, examinemos as propriedades das duas forças em ação, dando alguma atenção ao que se segue. […]
Quem tem o Espírito Santo, tem alegria, paz, longanimidade, caridade. Profere palavras mais doces que o mel das abelhas, porque lhe saem da abundância do coração, como dizia Nosso Senhor (cf Mt 12,34; Gal 5,22), feitas iluminação e consolação para quantos as recebem. […] Quereis saber o que é próprio do adversário? […] Este apenas produz ira, ressentimento, maledicência, censuras, infidelidade, animosidade, ódio e suficiência, rebeldia, contestação e desobediência. Essa alma, com efeito, foi abandonada pela iluminação, a santificação e a piedade; desertada pelo abaixamento, a compunção e a paciência; gemidos, lágrimas e lamentações secaram nela (cf Is 35,10; 51,11,LXX) […]; esqueceu a alegria dos bens que não se podem dizer, nem contemplar, nem conceber, esses bens que estão reservados para o Reino dos Céus. […]
Que tudo o que é detestável se afaste de vós e tudo o que é desejável venha e vos aconteça em Cristo Jesus, nosso Senhor, a quem pertencem a glória e o poder, com o Pai e o Espírito Santo, agora e pelos séculos dos séculos. Amém.
Jejuar também da ira, da inveja e das palavras inúteis
São Teodoro Estudita — Catequese 46, excerto.
Meus filhos bem-amados e meus irmãos, Deus, que tudo governa com a sua sabedoria, conduzindo ao seu termo, de maneira excelente e avisada, as estações e os anos, também nos fez conhecer o seguinte: são estes os dias da salvação, os dias proveitosos às almas. […] E graças sejam dadas Àquele que nos revelou estes dias e nos julgou dignos de aqui chegar. Por isso, devemos levar em todo o tempo uma vida santa e pura, observando todos os mandamentos divinos, mas em especial neste momento. […]
Uma vez, pois, que este é o tempo da purificação, purifiquemo-nos! Uma vez que é o tempo da abstinência, abstenhamo-nos, e não apenas de alimentos, pois isso não basta, abstenhamo-nos […] de invejar a boa reputação do nosso irmão, de nos irarmos e nos irritarmos contra o nosso próximo, de não impormos freio à nossa língua, deixando-a correr como quer – pelo contrário, que ela estabeleça limites para si própria, que não falemos demasiado nem em qualquer circunstância, e só de assuntos que sejam convenientes; que o nosso olhar se guarde de olhares impúdicos e que os nossos ouvidos estejam fechados, abrindo-se apenas para ouvir o que é agradável a Deus e o que Ele ama.
Sim, meus filhos bem-amados, sim, eu vos exorto a que façais de vós mesmos um instrumento, uma harpa agradável do Espírito Santo. […] Mantende a paz entre vós. A venerável quaresma é fatigante para o corpo, é certo, mas não cedais, fazendo fletir a vossa coragem! […] Tende um pouco de paciência e, como sempre acontece, deixareis de lhe sentir o peso!
Coragem e perseverança no caminho de Deus
Coragem, diligência e esperança no combate espiritual
São Teodoro Estudita — Catequese 28, três excertos.
Cultivar as virtudes e ajudar os companheiros de caminho
Que nada entrave a corrida daqueles que são, neste mundo, companheiros nesta vida evangélica; e, ainda que o caminho seja duro e penoso, avancemos com agilidade, mostremos uma alma corajosa e viril, ultrapassemos os obstáculos, passemos de carreiro em carreiro e de colina em colina, até subirmos à montanha do Senhor e nos estabelecermos no lugar santo da sua impassibilidade.
Ora, os companheiros de viagem ajudam-se uns aos outros; por isso, como diz o apóstolo, «levai os fardos uns dos outros» (Gal 6,2), meus irmãos, e completai o que falta aos outros (cf 2Cor 8,14; Fil 2,30). À negligência que talvez reine hoje sucederá uma nobre coragem; hoje, estamos mergulhados na tristeza, mas eis que vimos à superfície e reencontramos a alegria; neste momento, as paixões levantam a cabeça, mas Deus não tardará em vir socorrer-nos, dominando-as e devolvendo-nos a calma; pois não te veremos como eras ontem e anteontem e não permanecerás sempre igual, meu caro, mas a graça de Deus virá a ti, o Senhor combaterá por ti e talvez venhas a dizer-Lhe, como o grande Antônio: «Onde estavas ainda agora?», e Ele responder-te-á: «Queria assistir ao teu combate».
Por isso, perseveremos, filhos, meus filhos, tenhamos um pouco de paciência, irmãos, meus irmãos. […] Quem poderá ser coroado sem ter combatido? Quem poderá repousar sem estar fatigado (cf 2Tim 2,5-6)? Quem poderá colher os frutos da vida sem ter plantado as virtudes na sua alma? Cultivai-as, preparai a terra com o maior cuidado, trabalhai, transpirai, filhos, trabalhadores de Deus, imitadores dos anjos, competidores dos seres incorpóreos, tocha de quantos estão ainda no mundo (cf Fil 2,15)!
Oferecer a Deus o que está ao nosso alcance
Apressai-vos, tanto mais que o tempo urge (cf 1Cor 7,29). Semeai virtudes no vosso coração, a fim de colherdes frutos de justiça (cf Fil 1,11). Que ninguém se deixe abater, não tenha o autor dos Provérbios de lhe dizer: «Vai, ó preguiçoso, ter com a formiga, observa o seu proceder e torna-te sábio» (Prov 6,6).
Que ninguém seja enganador ou desleal, agindo de uma maneira e falando de outra, a fim de não ser rejeitado, segundo as palavras do santo salmista David: «Retalhe o Senhor todos os lábios enganadores, a língua que fala com arrogância» (Sl 12,4). Que ninguém seja ocioso, preguiçoso ou dissoluto de alma e corpo, não aconteça que receba a seguinte censura do divino Paulo: «Quem não quer trabalhar também não deve comer» (2Tess 3,10). Que ninguém se orgulhe, não aconteça que seja alvo destas palavras do divino Tiago:
«Deus resiste aos soberbos e dá a sua graça aos humildes» (Tg 4,6; cf 1Pe 5,5).
Mas caminhemos, todos nós, plenamente despertos no Senhor, cumprindo os seus mandamentos e dando àquele que é, por assim dizer, o tesouro comum (cf Mc 12,41-44) da nossa vida o contributo que está ao nosso alcance […]. Que ninguém apareça de mãos vazias aos olhos do Deus vivo (cf Mc 12,41-44)! Pois Ele não aceita apenas a oferenda dos fardos pesados, mas também a dos mais pequenos […], tal como aceitou as duas moedas da viúva; pois Deus mede as intenções e é por elas que julga as ações.
Portanto, meus filhos, já que temos um Deus bom e misericordioso, que deseja a nossa salvação mais do que nós, andemos pelo caminho reto e encontraremos descanso para as nossas almas (cf Mt 11,29; Jr 6,16).
Erguer a cabeça para a esperança do Céu
Voltai à razão (cf 2Tim 2,26), vós que vos afundais na desolação! Correi, vós que treinais! Sim, sim, eu vo-lo digo, caríssimos! A morte há de vir ao teu encontro; embora não tenhas a certeza de chegar até ao fim do dia de hoje, é absolutamente certo que amanhã morrerás.
E que grande alegria terás quando saíres deste mundo e fores estabelecer-te nas regiões celestes, em Deus, na luz inacessível (cf 1Tim 6,16), num dia que não conhece ocaso, numa glória inconcebível, nas moradas dos santos, nos átrios do Senhor (cf Sl 83,3), na Igreja dos primogênitos (cf Hb 12,23), no seio de Abraão (cf Lc 16,22), num paraíso todo feito de beleza e de virtude, na câmara nupcial que não é feita com mão de homem, nos bens invisíveis, no inaudito das nossas aspirações, no indizível dos nossos desejos, nos coros dos anjos, na reunião dos profetas, na apoteose dos apóstolos, no palácio do Rei do Céu, na cidade do Deus de Jacob (Cf Is 2,3). Ao chegar, quem verás? Quem serão eles? A Senhora do mundo e Mãe de Deus Nosso Senhor, os poderes incorpóreos, as dignidades, os querubins e os serafins, os exércitos e as ordens dos sacerdotes e dos santos, as coortes que não é possível nomear nem têm nome, habitantes destes lugares, e, por fim, a Bem-aventurada e Pura Trindade.
Isto não te encanta, meu irmão? Ao pensar em tudo isto, sentes ainda os ferimentos, ainda que te inflijam sem dó? Deixar-nos-emos esmagar por uma pequena aflição, por um golpe, por uma punição, pela sede ou por qualquer restrição nos alimentos? De maneira nenhuma! Pois é Cristo, nosso Deus, quem nos guarda, filhos bem-amados, e quem fará penetrar nos vossos corações santos a minha exortação indigna; e será também Ele a fortificá-los, a iluminá-los e a santificá-los.
Nota editorial: São três excertos apresentados no acervo como pertencentes à Catequese 28. Foram reunidos com subtítulos, preservando o conteúdo próprio de cada passagem.
Seguir o caminho do Céu, unidos na caridade
São Teodoro Estudita — Catequese 11, dois excertos.
Caminhar com diligência e ajudar os irmãos
Dia após dia, segui o caminho de Deus, mantendo-O estreitamente ligado a vós pelas suas promessas; com efeito, Ele próprio declarou, por meio dos apóstolos, a todos os que procuram a sua vontade e os seus testemunhos (cf Sl 118,31,LXX), que estaria com eles até ao fim do mundo (cf Mt 28,20), onde nem caminhos nem vestígios fossem conhecidos (Sl 76,20), como disse o divino Davi nos seus cânticos. Porém, está presente de forma invisível aos olhos da inteligência, dando-Se a ver àqueles que têm um coração puro e conversando com eles. Segui, pois, o vosso caminho. […]
Tomai as asas do amor de Deus para voardes como as nuvens (cf Is 60,8), elevados acima das armadilhas deste mundo. Ungi os vossos pés com o óleo da alegria (cf Sl 44,8) e da temperança. Não atravanqueis o caminho estreito do Senhor com os vossos passos preguiçosos. Se, na vossa pusilanimidade, tendes sede, bebei da água da paciência (cf Ecl 15,3); se, na vossa atonia espiritual, tendes fome, comei do pão que alimenta e fortifica o coração do homem (cf Sl 103,15): a palavra da sabedoria e da coragem. Recolhei o hábito e estai prontos a agir, olhar para o alto e não carregueis sobre vós esses fardos esmagadores que são os vossos maus quereres; pois, àquele que faz a viagem da Terra até ao Céu, basta-lhe seguir o seu caminho com diligência, sem se sobrecarregar com pesos suplementares. […]
Sede fortes no Senhor; subi à montanha de Deus, à sua morada santa (cf Is 2,3), com Isaías, o profeta da voz poderosa. Que ninguém fique para trás, que ninguém se sente; ajudai-vos uns aos outros, todos enraizados em firme caridade.
Esperar a comunhão eterna dos santos
A vossa tarefa é angélica. Ainda temos de sofrer algumas dores e de nos mortificar um pouco, mas tenhamos paciência, pois eis que já se avizinha o fim e o termo da nossa vida, em que seremos conduzidos pelos santos anjos e gozaremos da alegria eterna, co-herdeiros, com todos os santos, dos bens que nos foram prometidos (cf Heb 11,9). […]
É por isso que aceitamos desde já, e com paciência, o que nos acontece, pois receberemos em troca a felicidade eterna, tal como a infelicidade cairá em sorte aos que fazem o mal. Que o Céu nos poupe o sofrimento de ouvir dizer: «Recebeste os teus bens em vida, e […] agora ele encontra-se aqui consolado»; e ainda: «Há entre nós e vós um grande abismo». Pois estas sentenças divinas, que separam o pecador do justo, são terríveis de ouvir e conceber. Com efeito, a distância, o abismo, a perda e a queda dos que se encontram no pecado afastam-nos do Senhor nosso Deus como o Céu se encontra afastado da Terra (cf Is 55,9). Mas aqueles que, como vós, desejam ardentemente ser todos os dias seus amigos e seus verdadeiros servidores entrarão com Ele nas moradas celestes, na Jerusalém do alto (cf Gal 4,26), a grande cidade, cheia de maravilhas inimagináveis, à qual está ligada uma glória sem limites e o poder eterno; aí, ver-nos-emos uns aos outros e conhecer-nos-emos na perfeição. E estou certo de que, se fizermos a vontade de Deus, nos encontraremos todos juntos numa felicidade eterna. […]
Conduzi-vos, pois, de maneira angélica, agarrando-vos ao braço de Deus, que vos fortifica, ao encorajamento do Espírito Santo, que vos torna firmes, aos santos anjos, a todos os mártires e santos benditos de Deus que vêm em vosso auxílio.
Nota editorial: As duas passagens da Catequese 11 foram conservadas com subtítulos: a exortação à caminhada e a esperança do encontro na vida eterna.
Esforçai-vos por entrar pela porta estreita
São Teodoro Estudita — Catequese 82, excerto.
Atravessando dia após dia o tempo desta vida, salvai a vossa vida (cf Lc 21,19) através das virtudes, tomai penhores do Reino dos Céus e acumulai os bens inconcebíveis que as promessas nos reservam.
O caminho de Deus é estreito e apertado (cf Mt 7,14), mas o lugar de repouso que vos será oferecido é largo e espaçoso (cf Mt 7,13): as tentações do demónio sucedem-se e inflamam de algum modo a vossa morada espiritual, mas o orvalho do Espírito apaga estes fogos e prepara para vós a água que jorra para a vida eterna (cf Jo 4,14). […] Vinde, meus filhos, suportemos corajosamente estes poucos dias, ou, melhor dizendo, estes dias que nos são dados para lutarmos, e cinjamo-nos com a coroa da justiça (cf 2Tm 4,8). […]
Peço-vos que vivais com coração leve as aflições do tempo presente (cf 2Cor 4,17), que nada são e que, como sonho ou sombra, depressa passam! Que nada vos faça tremer ou vacilar, mas, com renovado zelo, ponhamos em prática os mandamentos do Senhor. Não vos deixeis entristecer por um insulto, desviar por uma injúria, desencaminhar por uma censura, abater por uma irritação, torturar por uma atitude de desprezo! Baixemos os olhos, elevemos a alma, e sejamos bondosos, indulgentes, perseverantes e pacientes uns com os outros. […]
Vós, que sois ensinados por Deus, aprendestes tudo isto. Fazei o que Lhe agrada (cf Jo 8,29), meus filhos, e suportai com coragem estes dias!
Chamados ao Reino
São Teodoro Estudita — Catequese 83, excerto.
Quando um rei deste mundo chama os homens à glória, ao sucesso, à riqueza, ao luxo e ao prazer, vemo-los correr para tudo isso com diligência, zelo e alegria. Pois quem nos chama é Deus, o Rei do universo – e não nos chama a esses bens vis e corruptíveis que mencionamos, mas ao Reino dos Céus, a uma luz que não conhece eclipse, a uma vida sem fim, a uma bem-aventurança inefável, à adoção filial e à herança dos bens eternos; com quanto mais zelo, alegria e ardor insaciável devemos, pois, correr, lutar e apressar-nos todos os dias e a todas as horas! Nem a tribulação, nem a angústia, nem a fome, nem a sede, nem o perigo nem, digamo-lo claramente, a espada, nem a morte (cf Rom 8,35.38), nada disto deve inspirar-nos receio ou fazer-nos recuar; pelo contrário, com coragem, vigor e fortaleza, sigamos a via ascética até ao fim, tudo suportando como leve e fácil em comparação com a expectativa (cf Rom 8,19) que nos é proposta e a nossa esperança de felicidade. […]
Fortalecei-vos, vós também, com o vigor da sua força (cf Ef 6,10), filhos mui desejados, e juntai às vossas lutas e provações anteriores as atuais e as futuras, tendo como alegria perfeita (cf Tg 1,2) o facto de terdes sido julgados dignos de sofrer tudo isto por Cristo, nosso Salvador (cf Fil 1,29). E tornai-vos imitadores dos seus sofrimentos; para aqueles que o compreendem, esta é a maior recompensa! […]
Queremos reavivar o zelo de todos nós, despertando-nos, reerguendo-nos, renovando a nossa ânsia de completar os serviços que cabem a cada um de nós e de os cumprir sem negligência, em Cristo Jesus, nosso Senhor, a quem pertencem a glória e o poder, com o Pai e o Espírito Santo, agora e para sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.
Façamos o que é justo e santo
São Teodoro Estudita — Catequese 72, excerto.
A vida eterna é oferecida a todos nós, meus filhos; o Reino dos Céus está preparado e espera-nos a herança de Cristo: a fruição de bens numerosos e inconcebíveis, a felicidade de uma grande alegria e a imortalidade, que é um excesso de glória e de honra, e de todos os outros bens, em tão grande número que nenhuma língua humana consegue expor-lhes a graça e a misericórdia (cf Sab 3,9)!
Corramos desde agora com vigor acrescido, e sobretudo vós, os preguiçosos, os indóceis, os corações pesados, os amigos da murmuração, que, se não vos corrigirdes, sereis semelhantes à figueira amaldiçoada (cf Lc 13,8): estrumamo-la, mas ela não deita raízes, regamos-vos com palavras, mas ela não cresce! Já o machado se encontra à raiz das árvores, diz a Escritura (cf Lc 3,9), e calo o que vem a seguir. Procuremos a luta, vertamos valorosamente o suor do nosso rosto, tomemos as coroas, conquistemos louvores, reunamos, como um tesouro, o que «nem o olho viu, nem o ouvido ouviu, nem passou pelo coração do homem» (1Cor 2,9).
Regulemos a nossa vida pela de nossos pais, a vida que remonta às origens, sigamos passo a passo as suas virtudes, amemos as suas ações retas, façamos do nosso gênero de vida uma imagem do deles. […] Sim, trabalhemos com eles! Sim! Façamos como eles! Sim! Sigamo-los passo a passo! Sim! Realizemos, também nós, o que é justo e santo! Deste modo, teremos parte na sua glória, seremos coroados com eles e com eles viveremos no Reino dos Céus, em Cristo Jesus Nosso Senhor, a quem pertencem a glória e o poder, com o Pai e o Espírito Santo, agora e para sempre, e pelos séculos dos séculos. Amém.
Vigilância e esperança do Reino
Vigiar, desejando Deus como único bem
São Teodoro Estudita — Catequese 16, dois excertos.
Preparar a viagem da terra ao Céu
Estai atentos às minhas palavras e prestai atenção aos meus humildes discursos; a todos vós brado, a todos vós exorto: «Elevai-vos a Deus, desfazei-vos do apego às vossas paixões!». Eis o que vos diz o profeta: «Vinde, subamos à montanha do Senhor e à casa do Deus de Jacó» (Is 2,3), a casa da impassibilidade, e contemplemos com os olhos do intelecto a alegria que nos está reservada pelas promessas celestes.
Meus filhos bem-amados, congregai o vosso ardor, tomai asas de fogo como as pombas, conforme está escrito, levantai voo (cf Sl 54,7) e passai para as fileiras da direita (cf Mt 25,33), que são as da virtude. Acolhei a alegria, o desejo espiritual e apaixonado de Deus. Experimentai a enorme doçura do seu amor (cf Ap 10,9-10) e, considerando todas as coisas secundárias por Ele, pisai a vã glória, o desejo da carne e a cólera feroz! […]
Preparemos as túnicas, estejamos alerta, tenhamos o olhar penetrante e o voo rápido para a viagem que nos leva da Terra ao Céu! É certo que os viajantes podem ter de sofrer, e isso também nos acontece a nós: vedes, com efeito, que sofreis em duros trabalhos, que vos cansais, que trabalhais a terra até perder o alento, que derramais o vosso suor, que estais prestes a perder as forças, famintos, sedentos, que um se esforça a lavrar, o outro a trabalhar a vinha, um terceiro a fazer o azeite, ou a cozinhar, a construir, a fazer o pão e a tratar do celeiro, cada um no seu lugar. Todos avançam pelo caminho de Deus, aproximando-se da grande cidade, e, pela morte, todos terão acesso à inefável alegria dos bens que Deus reserva àqueles que O tiverem amado. […]
Possamos nós ser julgados dignos do Reino de Cristo, nosso Deus, ao qual pertencem a glória e o poder, com o Pai e o Espírito Santo, agora e pelos séculos dos séculos, amem.
Deus é o nosso único bem
Talvez alguém diga: «Dentro de tantos anos, farei isto ou aquilo». Mas, ao dizeres isto sem sequer saberes como passarás o dia de hoje, não te parece ouvir dentro de ti aquela pergunta: «Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste, para quem será?»? Imitemos, pois, a união indissolúvel dos apóstolos com o Mestre de todos e nosso Deus.
Apressai-vos, portanto, a procurar a salvação, porque estais sob o olhar do Senhor! Apreciemos sofrer algumas aflições, para podermos rejubilar eternamente! Ainda que ele seja penoso, aceitemos o sonho efêmero da vida presente, para fruirmos do dia eterno no Reino dos Céus! Eis que Deus nos chama, eis que Ele nos estende a mão, eis que o Espírito Santo trabalha conosco, eis que o Senhor Jesus Cristo vos sustenta com a sua mão direita. Não tenhamos medo! O demônio foi dominado, obtivemos uma vitória sobre ele, Cristo ressuscitou, a morte perdeu o seu poder (cf Rom 6,9), as forças de Beliar foram arrasadas.
Sois filhos preciosos e delicados, retirais o vosso prêmio da doçura da virtude, sois mais puros que o ouro (cf Lam 4,2; Ap 21,18.21), luzis com um brilho mais intenso que o dos diamantes, sois semelhantes a jovens noivas, desejosas de Deus, sois filhos do Céu, dignos de toda a admiração! O vosso único bem, a vossa pátria, a única vida conforme com a vossa herança é Deus, o Senhor de todos, o Autor da criação. Mais um pouco e teremos vencido, mais um pouco e encontraremos a morte. Sede todos salvos, tende coragem no Senhor!
Nota editorial: As duas seleções da Catequese 16 são complementares e foram reunidas, sem apresentá-las como um único trecho contínuo.
Qualquer momento é propício
São Teodoro Estudita — Pequenas Catequeses, n.º 130.
Irmãos, há um tempo para semear e um tempo para recolher, um tempo para a paz e um tempo para a guerra, um tempo para o trabalho e um tempo para o descanso (cf Qo 3). Para a salvação da alma, porém, todos os momentos são propícios e todos os dias são favoráveis, se assim quisermos. Estai, pois, sempre em movimento para o bem, fáceis de mover, cheios de frescura, passando das palavras aos atos. «Pois não são justos diante de Deus os que ouvem a lei», diz o apóstolo Paulo, «mas aqueles que observam a lei é que serão justificados» (Rom 2,13). Estamos no tempo da guerra espiritual? Devemos combater com ardor e atacar, com a ajuda de Deus, os pensamentos demoníacos que se elevam em nós; se, pelo contrário, estivermos no tempo da recolha espiritual, devemos recolher com ardor e ajuntar nos celeiros espirituais as provisões para a vida eterna.
Mas é sempre tempo de oração, tempo de lágrimas, tempo de reconciliação depois dos pecados, tempo de arrebatar o Reino dos Céus. Para quê tardar então? Para quê adiar? Por que atrasamos de dia para dia o nosso aperfeiçoamento? «A aparência deste mundo passa» (1Cor 7,31); duraremos nós indefinidamente? O exemplo das virgens não nos assusta? «Aí vem o esposo; ide ao seu encontro», diz o Evangelho. E as virgens sensatas foram ao seu encontro com as lâmpadas acesas, e entraram no banquete das núpcias; enquanto as virgens néscias, atrasadas pela ausência de boas obras, gritavam: «Senhor, abre-nos a porta!» Mas ele respondeu: «Em verdade vos digo: Não vos conheço.» E acrescenta: «Portanto, vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora.» Temos, pois, de velar e de despertar a alma para a sobriedade, a compunção, a santificação, a purificação, a iluminação, para evitar que a morte nos feche a porta, e que não haja ninguém que no-la abra e nos ajude.
Quando vier o Filho de Deus
São Teodoro Estudita — Catequese 30, excerto.
Meus filhos e irmãos, vinde, adoremos a Cristo, nosso Rei, prostremo-nos diante dele (cf Sl 94,6), ofereçamos de novo as nossas primícias e voltemos a dar fruto! […] Temos como único Rei o Rei de todos os reis, que é nosso Senhor e nosso Deus; a Ele servimos, esperamos impacientemente acolhê-lo em todos os momentos fazendo o bem e desejamos ardentemente a sua vinda (cf 1Cor 15,23; Mt 24,3).
[…] Rezamos para ser protegidos, e não só para isso, mas também para estar bem preparados e prevenidos para o tempo das provações, que o Senhor não deixará de nos enviar, porque somos soldados de Cristo, devendo por isso morrer com alegria por Nosso Senhor e, nas palavras do Evangelho, não temer os que matam o corpo, mas os que podem roubar-nos a alma (cf Mt 10,28). Meus filhos, como diz o divino apóstolo, «o tempo é breve» (1Cor 7, 29); e, se o era então, é-o ainda mais agora, porque está a chegar ao fim. Por isso, «hão de ver o Filho do homem vir sobre as nuvens», como está escrito, toda a vida, desde a fundação do mundo, ressuscitará, e os justos e os santos serão tornados perfeitos, seja pelo martírio, seja por uma vida reta, e irão ao seu encontro com uma alegria inexprimível, para serem coroados e dançarem sem fim no Céu […].
Que sejais julgados dignos de acolher com boa esperança o fim último (cf Mt 13,39.40.43), quer individual, quer universal, em Cristo Jesus, nosso Senhor, a quem seja dada glória e poder com o Pai e o Espírito Santo, agora e para sempre, e pelos séculos dos séculos. Amém.
A ninguém temais, senão o Deus vivo
São Teodoro Estudita — Catequese, excerto sem número indicado no acervo.
«Alegrai-vos sempre no Senhor!» (Fil 4,4). De facto, por que razão não estais cheios de alegria e não caminhais com júbilo, vós que fostes julgados dignos de ser atraídos para este estado evangélico pelo chamamento que discerne e predestina (cf Rm 8,29-30), chamamento do Deus que governa todas as coisas com a sua sabedoria?
E agora que, pela elevação do vosso estilo de vida, vos encontrais como que num promontório, olhai para a vida miserável e rastejante dos homens, que é como que sacudida pelas ondas, projetada dum lado para o outro pelo movimento incerto dos acontecimentos. Na verdade, bem vedes que nada dura, nada permanece no mesmo estado; os reis passam, os príncipes caem, os poderosos da terra morrem como simples mortais (cf Sl 81,7); aqueles que estiveram casados durante algum tempo separam-se, abandonando o cônjuge ou sendo abandonados por ele. A beleza murcha rapidamente, a juventude é efémera, o prazer é fugaz; a riqueza dissipa-se e todas as posses, qual sonho de uma sombra, se afastam daqueles que julgam retê-las. A adversidade e os reveses dos mortais produzem luto e lamentações. […] E quase ninguém luta pelo que é estável e duradouro […]. Mas vós, meus irmãos, vós fostes chamados a subir à montanha do Senhor (cf Sl 23,3), a contemplar as maravilhas da vida celeste! […]
Que o Deus que vos fez subir até este promontório vos fortaleça, para que façais sempre o que é do seu agrado, em santidade e justiça (cf Lc 1,75) […]. A ninguém temais, pois, meus filhos, senão o Deus vivo (cf Lc 12,5; Ap 14,7)!
Com os olhos fixos na meta
São Teodoro Estudita — Catequese 33, excerto.
Não viveremos para sempre; dentro de pouco tempo, no momento determinado por Deus, vós e eu abandonaremos a vida neste mundo. O importante é que, quando isso acontecer, estejamos bem providos de víveres: de prática dos mandamentos e de agradar a Nosso Senhor Jesus Cristo. […]
Sim, sim, eu vos peço, meus filhos, que tenhais atenção, que avanceis, que vos lanceis ao que é verdadeiramente bom e virtuoso, e estabeleçais solidamente a vossa alma pela constância (cf Lc 21,19), segundo a palavra do Senhor. Com os olhos fixos no termo da morte, renovai-vos todos os dias e considerai todas as coisas como secundárias por causa do amor do Senhor, guardando-vos na medida justa, na inteligência e no amor espiritual […]. Deste modo, estareis submetidos uns aos outros, sem murmúrios, sem ciúmes, sem invejas nem disputas.
Se não nos apressarmos a aproximar-nos dos nossos santos pais que estão no Céu, não teremos nenhuma possibilidade de os ver, de falar com eles e de nos instalar ao pé deles. E também esperamos ver surgir diante de nós Nossa Senhora, nossa Rainha e nossa Mestra, a Mãe de Deus, e, lançando-nos a seus pés — levamos a audácia a este ponto –, esperamos ver o Senhor de todas as coisas; com efeito, como disse o divino Paulo, «nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com Ele» (1Tess 4,17).
Ora, quando nos é proposta semelhante glória, tal alegria e vida, como podemos nós deixar de saltar de alegria, seduzidos e inflamados, para voar ao encontro do amor de Deus, cumprindo o nosso dever?
Sabei que o Filho do homem está perto
São Teodoro Estudita — Catequese 43, excerto.
Que temor e tremor se apoderarão de nós quando tivermos de partir deste mundo? […] Como enfrentaremos esse dia terrível se vivermos de forma negligente?
Quando, ao sinal da trombeta do Arcanjo, todos os homens ressuscitarem (cf 1Tess 4,16), e todos os povos, tribos e línguas (cf Ap 5,9) forem sujeitos a juízo, o céu dissolver-se-á com estrondo, os elementos incendiar-se-ão (cf 2Pe 3,10.12), toda a criação será transformada, as inúmeras miríades de anjos avançarão com temor, e o Juiz de todas as coisas sentar-Se-á no trono; nessa altura, os atos e as palavras de todos serão manifestos e Ele colocará diante de nós os elementos a ter em consideração: cada falta, com as circunstâncias de lugar, modo e tempo, tudo num abrir e fechar de olhos (cf 1Cor 15,52). Então, os que tiverem feito o bem irão para a vida eterna e os que tiverem feito o mal irão para a condenação eterna (cf Mt 25,46), onde haverá «pranto e ranger de dentes» (Mt 8,12), e nem o fogo se extinguirá nem o verme morrerá (cf Is 66,24) […]. Não a nós, Senhor, não a nós, mas demos glória e louvor ao teu nome nesse dia, em que queremos estar à tua direita. […]
«Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a fome, a perseguição, o perigo ou a espada? […] Por tua causa, enfrentamos a morte todos os dias, somos como ovelhas levadas ao matadouro» (Rom 8,35-36).
Nota editorial: A referência à trombeta do Arcanjo foi corrigida de 1Tim 4,6 para 1Tess 4,16. Um lapso de repetição na frase sobre as faltas e suas circunstâncias foi regularizado.
Os justos brilharão como o sol no Reino do seu Pai
São Teodoro Estudita — Catequese 42, excerto.
Com o pensamento, vejamos Nosso Senhor Jesus Cristo sentado num trono de glória; a seu lado, encontram-se os serafins, os querubins e todas as ordens angélicas, que O servem com temor e tremor. Então, aqueles que tiverem concluído o combate sem se deixarem atrair pelas vantagens do século ou seduzir pelos encantos deste mundo ouvirão a voz bendita do Mestre: «Os justos brilharão como o sol» quando chegarem do nascer ao pôr do sol, do norte e do mar, e tomarem lugar no banquete, com Abraão, Isaac e Jacob (cf Mt 8,11), em alegria inefável (cf 1Pd 1,8), e o nosso Rei e Senhor distribuir os seus dons segundo os méritos de cada um. Ah, meus irmãos e meus filhos, ah, como é grande e bela a glória de que fruirão os três vezes bem-aventurados e os santos que tiverem praticado a renúncia! Sim, é bem certo que cada um receberá os bens prometidos segundo o nível em que tiver agradado a Deus. […]
Assim, pois, desde agora, correi com vigor (cf Gl 5,7) e que o demônio vos não enfeitice (cf Gl 3,1) nem vos entrave! […] Que sobre vós desça […] a misericórdia, a paz, a caridade, a ausência de inveja, de ciúme e de ostentação, a docilidade, uma linguagem benfazeja, a solidariedade, a compaixão de uns pelos outros, a humildade. Vivei assim, comportai-vos assim, rezando assim de todo o coração pela minha humilde pessoa, a fim de que eu não seja lançado no fogo eterno; possamos nós escapar-lhe, depois de termos sido julgado dignos do Reino dos Céus, no próprio Cristo, nosso Deus, a quem convém a glória, a honra, a adoração e a magnificência, com o Pai e o Espírito Santo, agora e para sempre, e pelos séculos dos séculos. Amém.
A porta está aberta!
São Teodoro Estudita — Catequese 6, excerto.
Depois de tudo ter realizado e de ter assumido por nós uma natureza humana, Cristo, nosso Deus, Jesus, o absolutamente perfeito, subiu ao Céu e, como fruto do seu combate, deixou-nos a sua paz, dizendo: «Deixo-vos a minha paz» (Jo 14: 27). E não o disse apenas aos apóstolos; com efeito, o nosso Deus, aquele que dá a vida, declarou: «Pai santo, não peço somente por eles, mas também por aqueles que vão acreditar em Mim por meio da sua palavra, para que eles sejam todos um, como Tu, Pai, o és em Mim e Eu em Ti».
É justo, pois, irmãos caríssimos, que perguntemos como o apóstolo: «Quem nos separará do amor de Deus? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, o perigo ou a espada?» (Rm 8: 35). […] Exultai e enchei-vos de alegria vendo o amor de Deus pelo homem! Temos a vida sob os nossos olhos, a alegria diante de nós, a felicidade a nossos pés! A porta está aberta! Correi e tomai, pois a ninguém faltará a energia para o fazer! Apressemo-nos, pois, cada um tentando sempre ultrapassar o outro, estimulado pelo pensamento de que não se lhe oferecem tesouros corruptíveis e terrenos, mas tesouros eternos e imortais. […]
Que o Senhor vos conceda […] estabelecer-vos no bem, correr a toda a pressa, serdes admitidos no estádio e usar a coroa da vitória! Possamos nós obter todos os bens que com ela vêm, pela graça e a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, a quem sejam dadas, tal como ao Pai e ao Espírito Santo, a glória, o poder, a honra e a adoração, agora e por todos os séculos dos séculos. Amém.
Fontes e critérios da seleção
As traduções portuguesas reproduzem o fragmento entregue à edição e o acervo Sophia, que indica Evangelho Cotidiano ou Evangelho Quotidiano como fonte. Esta antologia não constitui uma nova tradução.
PG designa Patrologia Graeca. Os números das catequeses são os informados nas publicações utilizadas. Quando a fonte não identifica o número, essa ausência é mantida. Os sinais […] e […] indicam omissões presentes nos excertos.
Para o cotejo do fragmento mariano: Homilia sobre a Natividade de Maria, texto grego e tradução inglesa. Sobre a história editorial da atribuição: Martin Jugie, La doctrine mariale de saint Théodore Studite, 1926.
Os mapas das publicações anteriores permanecem no registro editorial interno. A leitura desta antologia não depende de links para posts individuais.
Organização editorial preparada em 15 de outubro de 2026.



