Vós, […] que sois duros e incapazes de gestos amáveis, aprendei da bondade do vosso Criador e não sejais juízes amargos e árbitros para os vossos companheiros, enquanto esperais a vinda do Senhor omnipotente, que revelará as dobras dos corações e atribuirá a cada um o seu lugar na outra vida.
Não façais juízos severos, a fim de não serdes também vós julgados e trespassados pelas palavras da vossa própria boca como por dentes afiados. Com efeito, é contra este gênero de delito que parece advertir-nos esta palavra do Evangelho: «Não julgueis e não sereis julgados» (Lc 6,37). Ao dizer isto, não está a banir o discernimento e a sabedoria: aquilo a que chama juízo é uma condenação severa. Assim, pois, aligeira o mais que puderes o peso da tua medida, se queres que os teus atos não pesem demasiado no prato quando a nossa vida for pesada, como numa balança, no juízo de Deus. […] Não te recuses a ter misericórdia, a fim de que tu próprio não sejas excluído do perdão quando tiveres necessidade dele.
Astério de Amaseia (?-c. 410),
Homilia 13; PG 40, 335s
Fonte: Evangelho Cotidiano


