«Somos inúteis servos»

Meus irmãos, pais e filhos, desempenho-me uma vez mais do meu dever: recordar-vos a doutrina. […] Aquele que cumpre as suas tarefas com zelo e é cuidadoso nos serviços que lhe foram confiados, seja também um trabalhador irrepreensível (cf 2Tim 2,15), como se servisse a Deus e não aos homens, assumindo as tarefas mais pesadas, rejubilando por velar sobre o próximo, sabendo que lhe está reservada uma grande recompensa nos Céus; […] qualquer que seja a tarefa, pequena ou grande, que tivermos empreendido, em corrida incessante e num desejo inextinguível dos bens eternos, suportemos todas as coisas com valentia e bom humor, realizemos todas as coisas por inspiração divina, perdoando-nos mutuamente (cf Ef 4,32; Col 3,13), cheios de ternura uns pelos outros, a ponto de cada um desejar dar a própria vida (cf 1Tess 2,8) pelo seu irmão, no espírito e na carne.

E, se o Filho único de Deus vos convidar e vos persuadir a agir desta maneira — Ele que, por obediência a Deus Pai, Se aniquilou a um grau infinito de abaixamento, a ponto de ter passado de senhor a escravo, Ele que conheceu a morte, e morte de cruz (cf Fil 2,8) –, que grande alegria para mim, pecador, que satisfação inesgotável e inefável! E alegria também para vós, que cumpris os seus mandamentos, e contentamento inexprimível! Não só recebereis, já neste mundo, grandes elogios de qualquer homem que seja testemunha do que se passa convosco, não só triunfareis do inimigo, resistindo às suas sugestões e aos seus artifícios, como, no mundo futuro, dançareis na presença da glória de Cristo Deus e sereis contados no número dos coros angélicos e da assembleia dos santos, «na morada de todos quantos se alegram» (Sl 86,7,LXX), como diz o salmo, irmãos mui venerados.

São Teodoro Estudita (759-826)
Catequese 21
Fonte: Evangelho Cotidiano

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