Sonhai com a unidade!

Considerai a unidade, meus irmãos, e vede se há alguma coisa na multiplicidade que vos agrade tanto como a unidade. Pela graça de Deus, vejo-vos aqui em grande número; mas seríeis intoleráveis se não estivésseis unidos em espírito. De onde vem esta calma em semelhante multidão? Com ​​unidade, existe um povo; sem ela, há uma turbamulta, que é uma multidão em desordem.

Mas ouçamos o Apóstolo: «Peço-vos, irmãos» – dirigia-se a uma multidão, mas a uma multidão na qual queria restabelecer a unidade – «Peço-vos, irmãos, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que estejais todos de acordo e que não haja divisões entre vós; permanecei unidos num mesmo espírito e num mesmo pensamento» (1Cor 1,10). Noutra passagem, exorta-nos a viver em unidade de corações, com os mesmos pensamentos, nada fazendo por espírito de contenda ou de vaidade (cf Fil 2,2-3). Pois não dizia o Senhor ao Pai, falando dos fiéis: «Para que eles sejam todos um, como Tu, Pai, o és em Mim e Eu em Ti» (Jo 17,21)? E não está escrito nos Atos dos Apóstolos: «A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma» (At 4,32)?

Por isso, bendizei o Senhor comigo e glorificai o seu nome, para alcançarmos a unidade; aquela unidade necessária, aquela unidade sublime em que o Pai, o Filho e o Espírito Santo estão intimamente unidos. Bem vedes que tudo nos recomenda a unidade. Sim, o nosso Deus é uma Trindade; o Pai não é o Filho, o Filho não é o Pai, e o Espírito Santo não é nem Pai nem Filho, mas é o Espírito de ambos. Mas não são três deuses nem três omnipotentes, são um só Deus omnipotente, e a Trindade é um só Deus. Esta é a unidade necessária; mas, para a alcançarmos, os nossos corações têm de estar unidos.

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