É preciso não desejar nem procurar estouvadamente sinais visíveis, uma vez que o Senhor está sempre pronto a socorrer os seus santos. Ele não manifesta sem necessidade o seu poder numa obra ou num sinal sensível, para não esbater a ajuda que dele recebemos nem nos prejudicar. É desta forma que Ele providencia junto dos seus santos. Quer mostrar-lhes que a atenção secreta que lhes presta não os abandona um instante, mas que, em tudo, os deixa travar o combate segundo a medida das suas forças e esforçar-se por rezar. Mas, se uma dificuldade os abate, quando estão doentes ou desencorajados porque a sua naturezaLeia mais →

Está dito que só a ajuda de Deus salva. Quando um homem sabe que não há mais nenhum socorro, reza muito. E, quanto mais reza, mais o seu coração se torna humilde, porque não se pode rezar e pedir sem se ser humilde. “Não desprezarás, ó Deus, um coração oprimido e humilhado” (Sl 50,19). Com efeito, enquanto o coração não se torna humilde, é-lhe impossível escapar à dispersão; a humildade faz o coração virar-se sobre si mesmo. Quando o homem se torna humilde, imediatamente a compaixão o envolve e o seu coração sente então o socorro divino. Descobre que nele sobe uma força, a forçaLeia mais →

A compaixão, por um lado, e o juízo de simples equidade, por outro, se coexistem na mesma alma, são como um homem que adora Deus e os ídolos na mesma casa. A compaixão é o contrário do julgamento por simples justiça. O julgamento estritamente equitativo implica a igual repartição por todos de uma medida semelhante. Dá a cada um o que ele merece, não mais; não se inclina nem para um lado nem para o outro, não discerne na retribuição. Mas a compaixão é suscitada pela graça, inclina-se sobre todos com a mesma afeição, evita a simples retribuição àqueles que são dignos de castigo eLeia mais →

A humildade é uma força secreta que os santos recebem quando levam a cabo toda a ascese da sua vida. Na verdade, esta força só é dada aos que atingem a perfeição da virtude pelo efeito da graça. […] É a mesma força que receberam os bem-aventurados apóstolos sob forma de fogo. Com efeito, o Salvador tinha-lhes ordenado que não deixassem Jerusalém enquanto não tivessem recebido a força vinda do alto (Act 2, 3; 1, 4). Jerusalém simboliza aqui a virtude. E a força vinda do alto é  o Paráclito, isto é, o Espírito Consolador. Ora, isso é o que a Sagrada Escritura tinha dito:Leia mais →

O Senhor Deus entregou o seu próprio Filho à morte de cruz pelo seu ardente amor pela criação. Não porque não pudesse resgatar-nos de outro modo, mas porque quis manifestar dessa maneira o seu amor desbordante, para nosso ensinamento. E, pela morte do seu Filho Unigênito, aproximou-nos de Ele. Sim, se Ele tivesse tido outra coisa mais preciosa, no-la teria dado a fim de Lhe pertencermos plenamente. Pelo seu grande amor por nós, não se compraz em violentar a nossa liberdade, embora tenha a possibilidade de fazê-lo, mas antes preferiu que chegássemos a Ele pelo amor do que podíamos compreender. Pelo seu grande amor porLeia mais →

Quero abrir a boca, irmãos, para vos falar do altíssimo assunto da humildade. E estou cheio de temor, como quem sabe que deve falar de Deus com a língua dos seus próprios pensamentos. Porque a humildade é a roupagem da Divindade. Fazendo-se homem, o Verbo revestiu-se de humildade. Através dela, viveu connosco dentro de um corpo. E todo o que vive na humildade torna-se verdadeiramente semelhante Àquele que desceu das alturas e cobriu a sua grandeza e a sua glória com as vestes da humildade, para que, ao vê-lo, a criação não fosse consumida. Porque a criação não teria podido contemplá-lo se Ele não tivesseLeia mais →

A oração que se oferece durante a noite tem um grande poder, mais do que a que se oferece durante o dia. É por isso que todos os santos tiveram o hábito de rezar de noite, combatendo a moleza do corpo e a doçura do sono e ultrapassando a sua própria natureza corporal. Também o profeta dizia: “Estou cansado de tanto gemer; todas as noites banho o meu leito com as minhas lágrimas” (Sl 6,7), enquanto suspirava no fundo de si mesmo numa oração apaixonada. E, noutro passo: “Levanto-me a meio da noite para te louvar por causa das tuas sentenças, tu que és oLeia mais →