Se temos o desejo de agradar ao Rei dos Céus, esforcemo-nos por não desejar outra glória senão a do alto. Com efeito, quem a experimentou despreza por completo a glória terrena, mas só quem experimentou aquela pode desprezar esta. […]
Quem pede a Deus que lhe conceda dons em troca do seu esforço constrói sobre fundamentos instáveis; pelo contrário, quem se considera devedor receberá subitamente uma riqueza inesperada. […] Há uma glória que vem do Senhor, pois Ele disse: «Eu glorificarei aqueles que Me glorificarem» (1Sam 2,30); e há uma glória que deriva dos artifícios do demónio, pois está escrito: «Ai de vós quando todos disserem bem de vós» (Lc 6,26). Reconhecemos a primeira porque, considerando-a uma perda, a recusamos por todos os meios, ocultando a nossa maneira de viver; e reconhecemos a segunda quando fazemos a mais pequena coisa para sermos vistos pelos homens (cf Mt 6,1). A vanglória impura sugere-nos que finjamos uma virtude que não temos, dizendo-nos: «Que a vossa luz brilhe diante dos homens, a fim de que eles vejam as vossas boas obras» (Mt 5,16). […]
Quando os nossos lisonjeadores, ou melhor, os nossos sedutores começam a elogiar-nos, recordemos brevemente a multidão dos nossos pecados e reconhecer-nos-emos indignos de tudo o que se diz ou se faz em nossa honra. […] Em geral, os homens simples não se deixam contaminar pelo veneno da vanglória, porque esta consiste na rejeição da simplicidade e num comportamento hipócrita.
São João Clímaco (c. 575-c. 650)
«A Escada Santa», 21º degrau
Fonte: Evangelho Cotidiano


