«O homem, ao morrer, acaba. O mortal expira e onde está ele?» (Jb 14,10). Haverá algum homem que não tenha pecado. Há um só, aquele que veio a este mundo sem nascer do pecado. E, como estamos todos acorrentados no pecado, todos morremos da própria perda da justiça, despojados da veste da inocência que nos tinha sido concedida no Paraíso e consumidos pela morte da carne que é sua consequência. […]
É esta nudez de seu filho pecador que o pai quer cobrir ao vê-lo regressar, dizendo: «Trazei depressa a melhor túnica». Sim, a melhor túnica, que é a veste da inocência que o homem recebeu no dia da sua criação para sua felicidade e que, para sua miséria, seduzido pela serpente, perdeu. Contra esta nudez, diz também a Escritura: «Feliz daquele que estiver vigilante e vestido com as suas roupas; deste modo, não andará nu» (Ap 16, 15). Mantemos a nossa veste quando conservamos no espírito os preceitos da inocência; mas, se alguma falta nos obriga a comparecer diante do juiz, recuperamos a inocência perdida e a penitência devolve-nos a nossa veste.
São Gregório, o Grande
«Livro XII, SC 212»
Fonte: Evangelho Cotidiano


