Violenta-te (cf. Mt 11,12), esforça-te por imitar a humildade de Cristo, a fim de que se inflame sempre mais o fogo que ele lançou sobre ti, esse fogo pelo qual são consumidos todos os apelos deste mundo que destroem o homem novo e que desonram as moradas do Senhor santo e poderoso. Porque eu afirmo com São Paulo que «nós somos templos de Deus» (2Cor 6,16). Purifiquemos pois o seu templo, «omo ele próprio é puro» (1Jo 3,3), a fim de que ele deseje aí permanecer; santifiquemo-lo, como ele próprio é santo (1Ped 1,16); ornemo-lo de todas as obras boas e dignas.
Enchamos o templo com o descanso da sua vontade, como com um perfume, pela oração pura, a oração do coração, a qual é impossível de se adquirir entregando-se aos apelos contínuos deste mundo. Assim, a nuvem da sua glória cobrirá a tua alma, e a luz da sua grandeza brilhará em teu coração (Rm 8,10). Todos os que habitam na casa de Deus serão repletos de alegria e regozijar-se-ão. Mas os insolentes e os ignóbeis desaparecerão sob a chama do Espírito Santo.
Santo Isaac, o Sírio (séc. VII)
monge em Nínive, perto de Mossul, no atual Iraque
Discursos ascéticos, 1ª série, nº 2
Fonte: Evangelho Cotidiano


