Nosso Senhor Jesus Cristo instituiu guias e mestres para o mundo inteiro, e «administradores dos mistérios de Deus» (1Cor 4,1). E ordenou-lhes que brilhassem e iluminassem como archotes, não só os judeus […], mas os homens que habitam em toda a superfície da terra. É, portanto, verdadeira esta palavra de São Paulo: «Ninguém atribui a si próprio uma tal honra; pelo contrário, é chamado por Deus» (Heb 5,4). […] Para Cristo enviar os seus discípulos como o Pai O tinha enviado a Ele (cf Jo 20,21), era necessário que estes, chamados a serem seus seguidores, descobrissem para que tarefa tinha o Pai enviado o Filho;Leia mais →

O Espírito é chamado Paráclito porque consola, tranquiliza e vem em socorro da nossa fraqueza: «não sabemos o que havemos de pedir, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis» (Rm 8,26) dirigidos a Deus. Muitas vezes, um homem que é maltratado por causa de Cristo é injustamente desonrado; é sujeito ao martírio, com tormentos, fogo, animais ferozes, precipício. Mas o Espírito Santo diz-lhe suavemente: «Espera no Senhor» (Sl 26,14); isto que agora passas é pouco, e grandes serão as recompensas; sofrerás algum tempo, mas estarás eternamente na companhia dos anjos: «Os sofrimentos do tempo presente nada são comparados com a glória queLeia mais →

Lucas era inseparável de Paulo e foi seu colaborador na pregação do Evangelho, como ele próprio evidencia, não para se glorificar, mas impelido pela verdade. Com efeito, quando Barnabé e João, chamado Marco, se separaram de Paulo e embarcaram para Chipre, Lucas escreveu: «Embarcámos para Tróade» (At 16,11) […]; e descreve detalhadamente toda a viagem e a sua chegada a Filipos, onde anunciaram a Palavra pela primeira vez. […] No relato da viagem com Paulo, conta as situações com toda a precisão possível. […] Tendo estado presente em todos os acontecimentos, Lucas registou-os de maneira rigorosa; não se encontra nele mentira nem orgulho, porque todosLeia mais →

Nas entranhas do monstro marinho, Jonas, de braços abertos em forma de cruz, prefigurava claramente a Paixão que nos salva; e, saindo dele ao terceiro dia, esboçou a tua transcendente ressurreição, Cristo nosso Deus, que na tua carne foste pregado a um madeiro e, ressuscitando ao terceiro dia, iluminaste o mundo. Tu, o Filho por natureza, o Verbo movido pela piedade, assumiste no teu ser a forma dos filhos da terra, despojada da sua dignidade, e tens em Ti uma e outra forma, isto é, a da divindade, pois és consubstancial ao Pai, e a da humanidade, pois és também mortal em toda a verdade;Leia mais →

A mente humana não consegue permanecer vazia. Se não estiver ocupada com as coisas de Deus, dedica-se fatalmente ao que aprendeu anteriormente; se não tiver para onde voltar a qualquer momento e exercitar a sua infatigável atividade, é atraída por uma inclinação irresistível para os temas de que foi impregnada na primeira infância. […] Recolhidas com avidez, cuidadosamente depositadas e etiquetadas nos recônditos da alma com o selo do silêncio, as palavras salutares serão como vinhos de doce perfume, que alegram o coração do homem. Amadurecidas por longas reflexões e na lentidão da paciência, derramá-las-ás do recetáculo do teu peito com torrentes de aromas perfumados;Leia mais →

A pretexto de que não consigo beber o rio todo, deverei privar-me de tomar modestamente o que dele necessito? A pretexto de que a constituição dos meus olhos me impede de olhar o Sol de frente, deixarei de ver aquilo que as minhas necessidades me solicitam? A pretexto de que entrei num enorme pomar e não consigo comer todos os frutos que nele se encontram, deverei sair dele com fome? Eu louvo e glorifico Aquele que nos criou, porque tal está prescrito por mandamento divino: «Todo o ser vivo bendiga o seu santo nome» (Sl 145, 21) […]. Mas não está escrito: «Os seus [dosLeia mais →

Estes homens estavam prontos para trabalhar, mas ninguém os contratara; eram laboriosos, mas estavam ociosos por falta de trabalho e de patrão. Quando uma voz os contratou, quando uma palavra os pôs a caminho, no seu zelo, não combinaram previamente o preço do seu trabalho, como tinham feito os primeiros. O senhor avaliou a sua tarefa com sabedoria e pagou-lhes o mesmo que aos outros. Nosso Senhor proferiu esta parábola para que ninguém diga: «Como não fui chamado na juventude, não serei recebido»; mostra assim que, seja qual for o momento da sua conversão, todos os homens serão acolhidos. […] O proprietário saiu «muito cedo»,Leia mais →

Grande, maravilhosa e profundamente desconhecida dos homens – a não ser daqueles que a experimentam – é a generosidade de Deus, a sua inefável liberalidade com os seus fiéis, mesmo enquanto habitam este vaso de corrupção. […] Quem poderá deixar de se maravilhar com as obras de Deus e de exclamar do fundo do coração: «Eu sei que o Senhor é grande» (Sl 134,5), quando passa, ou vê outros passarem, da avareza extrema à liberalidade, da prodigalidade à vida de abstinência, da soberba à humildade […]? São estas, de fato, as maravilhas divinas que a alma do profeta e daqueles que se lhe assemelham descobreLeia mais →