Foi a oração e não o desejo sexual que levou à concepção de João Batista. O seio de Isabel tinha passado a idade de dar vida, o seu corpo tinha perdido a esperança de conceber; apesar destas condições de desesperança, a oração de Zacarias permitiu a esse corpo envelhecido germinar ainda: foi a graça e não a natureza que concebeu João. Este filho, cujo nascimento vem menos do abraço do que da oração, só poderia ser santo. Apesar de tudo, não devemos espantar-nos por João ter merecido nascimento tão glorioso. O nascimento do precursor de Cristo, daquele que Lhe abriu o caminho, devia apresentar umaLeia mais →

«De entre os homens, nenhum é maior do que João». Se todos os santos, esses homens justos, fortes e sábios, pudessem reunir-se e habitar num só homem, não chegariam a igualar João Batista […], e por isso se diz que em muito ele ultrapassa os homens e que pertence à categoria dos anjos (Mc 1,2 grego; Ml 3,1 hebr). «Mas o menor do Reino de Deus é maior do que ele.» Com o que disse acerca da grandeza de João, Nosso Senhor quis anunciar-nos a abundante misericórdia de Deus e a Sua generosidade para com os Seus eleitos. Por mais célebre e grandioso que sejaLeia mais →

Os profetas foram enviados com Moisés para curar Israel; mas cuidavam de Israel chorando, sem conseguirem dominar o mal, como disse um deles: «Ai de mim! Desapareceram da terra os justos» (Mq 7,1-2). […] Grande era a ferida da humanidade; «desde a planta dos pés até ao alto da cabeça, não há nada de são em vós. Tudo são feridas, contusões, chagas vivas, que não foram curadas, nem ligadas, nem suavizadas com azeite» (Is 1,6). Os profetas, esgotados pelas lágrimas, diziam: «Quem dera que viesse de Sião a salvação de Israel!» (Sl 13,7) […] E outro profeta suplicava nestes termos: «Senhor, abaixa os céus eLeia mais →

Nosso Senhor diz que João é o maior dos profetas, mas ele recebeu o espírito de maneira moderada, uma vez que obteve um espírito semelhante ao que Elias recebera. Tal como Elias permanecera na solidão, o Espírito de Deus enviou João para o deserto, para as montanhas e as grutas. Um corvo havia voado em auxílio de Elias para alimentá-lo; João comia gafanhotos. Elias usava um cinto de pele; João vestia uma faixa de pele em torno dos rins. Elias foi perseguido por Jezabel; Herodíades perseguiu João. Elias repreendera Acab; João censurou Herodes. Elias dividira as águas do Jordão; João inaugurou o batismo. O duploLeia mais →

Observemos a Cristo, o nosso Pastor; consideremos o Seu amor pelos homens e o Seu enlevo em conduzi-los a verdes prados (Sl 23,2). Tanto Se alegra com as ovelhas que O rodeiam como procura as que se tresmalham. Os montes e os bosques não são para Ele sequer obstáculo; Ele percorre vales tenebrosos (Sl 23,4) até achar a ovelha perdida e, encontrando-a doente, em vez de a deixar, cuida dela e, tomando-a aos ombros, cura com a própria fadiga a ovelha fatigada. Esta fadiga enche-O de alegria porque encontrou a ovelha perdida, e apenas isso O alivia do Seu esforço: «Qual é o homem dentreLeia mais →

Nós Te suplicamos Senhor, Deus de bondade, que o desenrolar do mistério da salvação, realizado para nós no Teu Filho único, não se torne motivo de condenação para nós; «não nos afastes da Tua presença» (Sl 50,13). Não tomes aversão à nossa miserável condição, mas tem compaixão de nós por causa da Tua grande piedade; «pela Tua grande misericórdia, apaga o nosso pecado» (Sl 50,3). Assim, ao comparecermos diante da Tua glória, bem longe de merecer condenação, obteremos a proteção de Teu Filho único e não seremos reprovados como maus servos. […] Sim, Mestre e Senhor todo-poderoso, escuta a nossa súplica: «Não reconhecemos nenhum outroLeia mais →

O que será a vinda de Cristo? A libertação da escravatura e a rejeição das antigas cadeias, o começo da liberdade e a honra da adoção, a fonte da remissão dos pecados e a vida verdadeiramente imortal para todos. Sendo o Verbo, Palavra de Deus, viu-nos do alto tiranizados pela morte, enganados, atados pelos laços da decadência, levados por um caminho sem retorno, e veio tomar a natureza de Adão, o primeiro homem, segundo o desígnio do Pai. Ele não confiou aos anjos nem aos arcanjos a responsabilidade da nossa salvação, mas tomou a Seu cargo todo o combate por nós, obedecendo às ordens doLeia mais →

«O próprio Filho Se submeterá Àquele que tudo Lhe submeteu» diz São Paulo (1Co 15,28), não no sentido de, ao entregar-Lhe o Reino, renunciar ao Seu poder , mas porque seremos nós o Reino de Deus, quando nos tornarmos conformes à glória do Seu corpo. […] É a nós que Ele entregará a Deus, depois de nos ter constituído «Reino de Deus» pela glorificação do Seu corpo. E a nós que Ele entregará ao Pai, enquanto Reino, segundo o que está escrito no Evangelho: «Vinde, benditos de Meu Pai! Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo». «Então osLeia mais →

O fato de Pedro, de entre todos os passageiros da embarcação, ousar responder e pedir ao Senhor que lhe dê ordem para ir por sobre as águas até Si, indica já a disposição do seu coração no momento da Paixão. Momento em que, sozinho, seguindo os passos do Senhor e desprezando as agitações do mundo, comparáveis às do mar, O acompanhou com igual coragem para desprezar a morte. Mas a falta de segurança de Pedro revela a sua fragilidade na tentação que o esperava: pois, embora tivesse ousado avançar, afundou-se. A fraqueza da carne e o medo da morte obrigaram-no à fatalidade da negação. NoLeia mais →