“Mulher, porque choras?” Bem-amado Senhor, como podes perguntar porque é que ela chora? Não é verdade que ela te viu cruelmente imolado, atravessado por pregos, suspenso do madeiro como um salteador, entregue às zombarias dos ímpios? Como é que podes dizer-lhe: “Mulher, porque choras?” Ele não conseguiu arrancar-te à morte mas queria, ao menos, embalsamar o teu corpo, para o perservar da corrupção o máximo tempo possível… E eis que, para cúmulo, julga ter perdido esse corpo que ela tinha ainda a alegria de possuir. Com essa perda, toda a esperança se esfumou para ela, se nada pode guardar em memória de ti. Como éLeia mais →

Entre os seus discípulos, Cristo escolheu alguns a quem se ligou mais de perto para os enviar a pregar entre os povos. Quando um deles se afastou do seu número, Ele ordenou aos outros onze, quando voltou ao Pai depois da Ressurreição, que fossem ensinar as nações para as batizarem no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Imediatamente, os apóstolos – cujo nome significa “enviados” – tiraram à sorte Matias para ocupar o décimo segundo lugar, em vez de Judas, nos termos da profecia contida no salmo de David (108,8). Com a força prometida do Espírito Santo, eles receberam o dom dos milagres eLeia mais →

Deus não podia viver com os homens, a não ser que assumisse uma forma humana de pensar e de reagir. Foi por isso que escondeu sob a humildade o esplendor da sua majestade, que a fraqueza humana não teria sido capaz de suportar. Nada disso era digno dEle, mas era necessário ao homem, e por esse motivo tornou-se digno de Deus, porque nada é tão digno de Deus como a salvação do homem. […] Tudo quanto Deus perde, ganha-o o homem; todas as humilhações que o meu Deus sofreu para estar perto de nós são sacramento de salvação para os homens. Deus agiu com osLeia mais →

Enquanto os anjos, assombrados, nada ousavam perguntar, ecoou a ordem divina: «Faça-se a Luz!» (Gn 1,3), e a luz rompeu as trevas. […] Era domingo, o primeiro dos dias, o primogênito entre os seus irmãos, o dia portador de mistérios e símbolos. Deus criara dois gémeos que em nada se pareciam: a noite escura, e o dia claro. A noite era a irmã mais velha, mas o dia apanhou-a e ocupou o seu lugar. Este primeiro dia, este fundamento da criação, não se esvaiu hora a hora; a luz não nasceu a Oriente para se pôr a Ocidente. Ela não sofreu qualquer alteração; apenas existiu,Leia mais →

Muitos dos que, para seguirem Cristo, tinham desprezado fortunas consideráveis, enormes somas de ouro e de prata, propriedades magníficas, deixaram-se depois tocar por uma lima de unhas, por um alfinete, por uma agulha, por uma caneta… Depois de terem distribuído todas as suas riquezas por amor de Cristo, conservam a sua antiga paixão e entregam-se a futilidades, capazes de se enfurecerem só para as defender. Não tendo a caridade de que fala S. Paulo, a sua vida é marcada pela esterilidade. O bem-aventurado Apóstolo previa essa desgraça: “Mesmo que eu distribua todos os meus bens para alimento dos pobres e entregue o meu corpo àsLeia mais →

Segundo a tradição dos Padres e a autoridade das Sagradas Escrituras, as renúncias são em número de três. […] A primeira diz respeito às coisas materiais; devemos desprezar as riquezas e todos os bens deste mundo. Pela segunda, repudiamos a nossa antiga maneira de viver, os vícios e as paixões da alma e da carne. Pela terceira, distanciamos o nosso espírito de todas as realidades presentes e visíveis, para contemplarmos apenas as realidades futuras e desejarmos apenas as realidades invisíveis. Estas renúncias devem ser observadas em conjunto, como o Senhor ordenou a Abraão quando lhe disse: “Deixa a tua terra, a tua família e aLeia mais →

Deus não criou o homem para ele se perder, mas para viver eternamente; e este desígnio permanece imutável. […] Ele “deseja que todos os homens se salvem e conheçam a verdade” (1Tim 2, 4). É vontade do vosso Pai que está nos céus, diz Jesus, “que não se perca um só destes pequeninos” (Mt 18, 14). E também está escrito: “Deus não quer que pereça uma só alma” (2 Sam 4, 14); Ele difere a execução dos Seus decretos, a fim de que aquele que foi rejeitado não se perca para sempre. Deus é verdadeiro e não mente, quando garante por meio de juramento: “PorLeia mais →

Foi sem dúvida graças ao poder e ao auxílio do céu que a doutrina da salvação, tal como um raio de sol, iluminou repentinamente toda a terra. De acordo com as divinas Escrituras, com efeito, sobre toda a terra ressoou a voz dos divinos Evangelistas e dos Apóstolos; a sua palavra atingiu os limites do universo. E, em cada cidade, em cada aldeia, tal como numa eira transbordante, constituíram-se em massa Igrejas fortes com milhares de homens, cheias de fiéis… Mas, no reinado do imperador Cláudio, o rei Herodes decidiu maltratar alguns membros da Igreja; foi assim que mandou matar pela espada a Tiago, irmãoLeia mais →

O Batismo, banho de santidade, lava as manchas do pecado, mas não altera a dualidade da nossa vontade e não impede que os espíritos do mal nos combatam ou nos enredem nas suas ilusões. […] Mas a graça de Deus tem a sua morada na profundidade da alma, ou seja, no entendimento. Com efeito, diz-se que a filha do rei e as donzelas suas amigas «avançam com alegria e júbilo e entram com alegria no palácio real» (Sl 44, 16): entram para o interior, não se mostram aos demónios. Por isso, quando nos recordamos de Deus com fervor, sentimos brotar o desejo do divino doLeia mais →

Ilustre precursor da graça e mensageiro da verdade, João Baptista, tocha de Cristo, torna-se evangelista da Luz eterna. O testemunho profético que não cessou de dar com a sua mensagem, com toda a sua vida e a sua actividade, assinala-o hoje com o seu sangue e o seu martírio. Sempre tinha precedido o Mestre: ao nascer, anunciara a Sua vinda a este mundo. Ao baptizar os penitentes do Jordão, tinha prefigurado Aquele que vinha instituir o Seu baptismo. E a morte de Cristo redentor, seu Salvador, que deu a vida ao mundo, também João Baptista a viveu antecipadamente, derramando o seu sangue por Ele, porLeia mais →