A Igreja tem duas vidas preconizadas e recomendadas por Deus. Uma é na fé, a outra na visão; uma na peregrinação no tempo, a outra na morada da eternidade; uma no trabalho, a outra na quietude; uma no caminho, a outra na pátria; uma no esforço da ação, a outra na recompensa da contemplação. […] A primeira é representada pelo apóstolo Pedro, a segunda por João. A primeira decorre inteiramente na Terra até ao fim do mundo, e depois acaba. A segunda só encontrará a sua plenitude depois do fim do mundo, e não terá fim no mundo que há de vir. Foi por issoLeia mais →

Escreve São João: «Anunciamos-vos a vida eterna, que estava junto do Pai e que se manifestou a nós; o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos» (1Jo 1,2-3). Ouvi bem: «Anunciamos-vos o que vimos e ouvimos». Eles viram o próprio Senhor presente em carne, ouviram da boca do Senhor as suas palavras e as anunciaram a nós. E nós ouvimos, seguramente, mas não vimos. Seremos então menos felizes que os que viram e ouviram? Então, por que motivo acrescenta São João estas palavras: «Anunciamo-la também a vós, para que também estejais em comunhão conosco». Eles viram, mas nós não, e no entanto estamos em comunhãoLeia mais →

Aquando da sua primeira vinda, Deus veio sem brilho, desconhecido da maioria, prolongando durante longos anos o mistério da sua vida oculta. Quando desceu do monte da Transfiguração, Jesus pediu aos seus discípulos que não dissessem a ninguém que Ele era o Cristo. Vinha como pastor à procura da ovelha perdida e, para recuperar esse animal rebelde, tinha de permanecer oculto. Tal como um médico que tenta não assustar o seu doente na primeira consulta, também o Salvador evitou dar-Se a conhecer logo no início da sua missão, só o fazendo pouco a pouco. O profeta tinha predito esta vinda sem brilho nestes termos: «DesceráLeia mais →

Para poderes rezar, precisas de Deus, pois é Ele que concede a oração àquele que reza. Invoca-O dizendo: Santificado seja o vosso nome; venha o vosso Reino, ou seja, o Espírito Santo e o teu Filho único, pois foi isto que Ele nos ensinou quando nos mandou adorar o Pai em espírito e em verdade (cf Jo 4,24). Quem reza em espírito e em verdade já não glorifica o Criador a partir das criaturas, mas louva a Deus a partir do próprio Deus. […] O Espírito Santo, compadecido da nossa fraqueza, visita-nos mesmo que ainda não estejamos purificados; desde que encontre a nossa inteligência aLeia mais →

Dois amores construíram duas cidades: o amor de si próprio até ao desprezo de Deus fez a cidade terrestre; o amor de Deus até ao desprezo de si próprio, a cidade celeste. Uma gloria-se a si própria; a outra ao Senhor. Uma procura a glória que vem dos homens (cf Jo 5,44); a outra coloca toda a sua glória em Deus, testemunha da sua consciência. Uma, inchada de vanglória, levanta a cabeça; a outra diz ao seu Deus: «Tu és a minha glória e aquele que me faz levantar a cabeça» (Sl 3,4). Numa, os príncipes são dominados pela paixão de dominar os seus súbditosLeia mais →

«Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia». De acordo com a nossa interpretação, João representa a Lei e Jesus o Evangelho. Com efeito, João disse: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu» (Mc 1,7), e ainda: «Ele deve crescer e eu diminuir» (Jo 3,30); é assim que ele compara a Lei com o Evangelho. E diz seguidamente: «Eu batizo na água, mas Ele batizar-vos-á no Espírito Santo» (Mc 1,8). Jesus veio porque João tinha sido preso. Com efeito, a Lei está encerrada e fechada, já não tem a liberdade que teve; mas nós passamos da LeiLeia mais →

O Senhor, sabendo que sem o Evangelho ninguém pode ter uma fé plena – porque se a Bíblia começa pelo Antigo Testamento, é no Novo que ela atinge a perfeição –, não esclarece as questões que Lhe colocam acerca dele próprio por palavras, mas apontando os seus atos. «Ide contar a João o que vistes e ouvistes: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciado o Evangelho; e feliz daquele que não encontrar em Mim ocasião de queda». Este testemunho é completo porque foi acerca dele que foi profetizado: «O Senhor libertaLeia mais →

A ação de graças, a gratidão daquele que recebe incita aquele que dá a dar sempre mais. Mas aquele que não dá graças pelas coisas pequenas, será necessariamente mentiroso e injusto nas grandes. Aquele que está doente e conhece a sua doença pode pedir a cura; aquele que reconhece o seu mal está perto da sua cura e encontrá-la-á facilmente. […] Lembra-te como caíram aqueles que pensavam ser fortes e sê humilde na virtude. […] Afasta-te de ti mesmo e o teu inimigo será afastado de ti. Tranquiliza-te e o céu e a terra encher-te-ão de paz. Esforça-te por entrar no tesouro do teu coraçãoLeia mais →

«Quem é o meu próximo?» Para responder, o Verbo, a Palavra de Deus, expõe, sob a forma de uma narrativa, a história da misericórdia: conta a descida do homem, a emboscada dos salteadores, o arrancar das vestes imperecíveis, as feridas do pecado, o poder da morte sobre metade da natureza (pois a alma permanece imortal) e a passagem em vão da Lei, uma vez que nem o sacerdote nem o levita cuidaram das chagas do homem que tinha sido vítima dos salteadores, pois «é impossível que o sangue dos touros e dos bodes apague os pecados» (Hb 10,4); só o podia fazer Aquele que revestiuLeia mais →

Pedro negou uma primeira vez e não chorou, porque o Senhor não olhou para ele. Negou uma segunda vez e não chorou, porque o Senhor ainda não tinha olhado para ele. Negou uma terceira vez, Jesus olhou para ele, e ele chorou amargamente (cf Lc 22,62). Olha-nos, Senhor Jesus, para que saibamos chorar o nosso pecado. Isto mostra que até a queda dos santos pode ser útil. A negação de Pedro não me fez mal; pelo contrário, eu ganhei com o seu arrependimento, pois aprendi a defender-me de um ambiente infiel. […] Portanto, Pedro chorou, e chorou amargamente; chorou para lavar a sua culpa comLeia mais →