Tu és um servo do Deus santo, um gestor para benefício dos teus companheiros de serviço. Não penses que todos os bens que possuis se destinam ao teu consumo. […] Imita a terra, homem: dá frutos como ela; não sejas mais duro que a matéria inanimada. A terra não amadurece os seus frutos para usufruir deles, mas para te ser útil. Além de que és tu que recolhes os frutos da tua generosidade, porque a recompensa pelas boas ações recai sobre aqueles que as praticam: se deste de comer ao faminto, aquilo que deste volta para ti com juros. Assim como o grão lançado àLeia mais →

Os que vêm a Deus e se apoiam nele com o desejo de serem salvos são verdadeiramente salvos: é a inspiração divina que os faz conceber esse desejo de salvação; iluminados por Aquele que os chama, chegam ao conhecimento da verdade. Eles são os filhos da promessa, a recompensa da fé, a descendência espiritual de Abraão: «Sois linhagem escolhida, sacerdócio real» (1Pe 2,9), há muito anunciados e predestinados à vida eterna. […] Por intermédio de Isaías, o Senhor deu-nos a conhecer a sua graça, que faz de todo o homem uma criatura nova: «Pois vou realizar algo de novo, que já está a aparecer: nãoLeia mais →

Esta parábola trata da conversão dos homens a Deus, alguns desde tenra idade, outros um pouco mais tarde e alguns somente na velhice. Cristo reprime o orgulho dos primeiros e impede-os de censurar os da décima primeira hora, mostrando-lhes que todos têm a mesma recompensa. Ao mesmo tempo, estimula o zelo dos últimos, mostrando-lhes que podem merecer o mesmo salário que os primeiros. O Salvador tinha acabado de falar da renúncia às riquezas e do desprezo por todos os bens, virtudes que exigem coragem e um coração grande. Precisava, por isso, de estimular o ardor de uma alma cheia de juventude; para tal, o SenhorLeia mais →

A nossa vida de seres mortais está cheia de armadilhas que nos fazem tropeçar, está cheia de redes de enganos […]. E, como o inimigo espalhou essas redes por todo o lado, e nelas apanhou quase todos os homens, era necessário que aparecesse Alguém mais forte para as dominar e as romper, e para trilhar o rumo àqueles que O seguissem. Foi por isso que, antes de Se unir à Igreja, sua esposa, também o Salvador foi tentado pelo diabo. […] Ensinou assim à Igreja que não seria através da ociosidade e do prazer, mas através de provações e tentações, que ela haveria de chegarLeia mais →

Após a morte de seus pais, tinha Antão entre dezoito e vinte anos […], entrou certo dia numa igreja no momento da leitura do evangelho, e ouviu o Senhor dizer a um jovem rico: «Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro nos Céus. Depois, vem e segue-Me». Antão teve a impressão de que esta leitura tinha sido para ele. Saiu imediatamente do templo e entregou às gentes da aldeia as suas propriedades de família. Depois de ter vendido todos os seus bens móveis, distribuiu pelos pobres o dinheiro dessa venda, reservando apenas uma pequena parte paraLeia mais →

«O Senhor apareceu a Abraão junto dos carvalhos de Mambré, quando ele estava sentado à porta da sua tenda, durante as horas quentes do dia» (Gn 18,1). Enquanto os outros repousavam, Abraão aguardava a chegada de eventuais hóspedes. Bem merecia, portanto, que Deus viesse ter com ele junto aos carvalhos de Mambré, visto que procurava exercer a hospitalidade com tanta prontidão. […] Sim, a hospitalidade é boa e tem a sua própria recompensa: atrai a gratidão dos homens e — mais importante ainda — merece um salário da parte de Deus. Todos somos, nesta terra de exílio, hóspedes de passagem. Durante algum tempo podemos alojar-nosLeia mais →

Pedro receberia em depósito as chaves da Igreja, ou antes, as chaves do Reino dos céus, e ser-lhe-ia confiado um povo numeroso. Com efeito, o que lhe diz o Senhor? «Tudo o que ligares na Terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na Terra será desligado nos Céus». Pedro tinha um carácter um pouco abrupto; se fosse impecável, talvez não tivesse sabido perdoar aos discípulos. Foi por esta razão que a graça divina permitiu que ele cometesse algumas faltas: para que essa prova o tornasse benevolente com os outros. De fato, Deus pode permitir que pequemos; repara em Pedro, o corifeu dosLeia mais →

«O que existia desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos e as nossas mãos tocaram é o Verbo da Vida» (1Jo 1,1). Mas só podemos tocar o Verbo com as nossas mãos porque «o Verbo fez-Se carne e veio habitar entre nós» (Jo 1,14). Este Verbo, que Se fez carne para ser tocado pelas nossas mãos começou por Se fazer carne no seio da Virgem Maria. Mas não foi nessa altura que Ele começou a ser o Verbo, pois era-o «desde o princípio», diz São João. […] Pode ser que alguns entendam a expressão «Verbo daLeia mais →

O Livro dos Provérbios pede ao discípulo da Sabedoria que se inscreva na escola da abelha, dizendo aos amantes da Sabedoria: olhai para a abelha, vede como é laboriosa e o respeito que atrai para o seu trabalho; reis e súditos usam os seus produtos para conservar a saúde do corpo. E acrescenta que a abelha é procurada e estimada por todos, que é desprovida de força, mas ama a sabedoria, e, por causa disso, é dada como exemplo de vida a quantos procuram a virtude: «Foi respeitada porque amou a Sabedoria» (Prov 6,8,LXX). Este texto aconselha-nos, pois, a não esquecermos nenhum ensinamento divino, masLeia mais →

O evangelho convida-nos a procurar a seara sobre a qual o Senhor disse: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara». Ele próprio enviou, para além dos doze discípulos a quem chamou apóstolos («enviados»), mais setenta e dois, mandando-os trabalhar numa seara já madura. E que seara era essa? Eles não iam trabalhar entre os pagãos, onde nada fora semeado, mas entre os judeus, pois foi para isso que o dono da seara veio. Com efeito, aos outros povos Ele não envia trabalhadores para a seara, mas semeadores; entre os judeus, mandaLeia mais →