Quereis saber como é que, longe de revogar a Lei e os profetas, Jesus vem confirmá-los e completá-los? Quanto aos profetas, fá-lo confirmando com as suas obras o que eles tinham anunciado; donde a expressão que Mateus utiliza com tanta frequência: «Para que se cumprisse a palavra do profeta…». Quanto à Lei, cumpriu-a de três maneiras. Primeiro, não omitindo nenhuma prescrição legal. Com efeito, disse a São João Batista: «Convém que se cumpra toda a justiça» (Mt 3,15); e aos judeus: «Quem de vós pode acusar-me de pecado?» (Jo 8,46). […] Em segundo lugar, cumpriu a Lei porque quis submeter-Se a ela pela nossa salvação.Leia mais →

Como é que o corpo do Senhor, uma vez ressuscitado, continuou a ser um corpo verdadeiro, podendo, ao mesmo tempo, entrar no local onde os discípulos se encontravam apesar de as portas estarem fechadas? Devemos estar cientes de que a ação divina nada teria de admirável se a razão humana pudesse compreendê-la; e que a fé não teria mérito se o intelecto lhe fornecesse provas experimentais. Sendo, por si mesmas, incompreensíveis, tais obras do nosso Redentor devem ser meditadas à luz das outras ações do Senhor, de forma que sejamos levados a acreditar nestes seus feitos maravilhosos por força daqueles que ainda o são mais.Leia mais →

«Quem é o meu próximo?» Para responder, o Verbo, a Palavra de Deus, expõe, sob a forma de uma narrativa, a história da misericórdia: conta a descida do homem, a emboscada dos salteadores, o arrancar das vestes imperecíveis, as feridas do pecado, o poder da morte sobre metade da natureza (pois a alma permanece imortal) e a passagem em vão da Lei, uma vez que nem o sacerdote nem o levita cuidaram das chagas do homem que tinha sido vítima dos salteadores, pois «é impossível que o sangue dos touros e dos bodes apague os pecados» (Hb 10,4); só o podia fazer Aquele que revestiuLeia mais →

Pedro negou uma primeira vez e não chorou, porque o Senhor não olhou para ele. Negou uma segunda vez e não chorou, porque o Senhor ainda não tinha olhado para ele. Negou uma terceira vez, Jesus olhou para ele, e ele chorou amargamente (cf Lc 22,62). Olha-nos, Senhor Jesus, para que saibamos chorar o nosso pecado. Isto mostra que até a queda dos santos pode ser útil. A negação de Pedro não me fez mal; pelo contrário, eu ganhei com o seu arrependimento, pois aprendi a defender-me de um ambiente infiel. […] Portanto, Pedro chorou, e chorou amargamente; chorou para lavar a sua culpa comLeia mais →

O Senhor, sabendo que sem o Evangelho ninguém pode ter uma fé plena – porque se a Bíblia começa pelo Antigo Testamento, é no Novo que ela atinge a perfeição –, não esclarece as questões que Lhe colocam acerca dele próprio por palavras, mas apontando os seus atos. «Ide contar a João o que vistes e ouvistes: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciado o Evangelho; e feliz daquele que não encontrar em Mim ocasião de queda». Este testemunho é completo porque foi acerca dele que foi profetizado: «O Senhor libertaLeia mais →

Cristo ensinou-nos a não procurar a Deus num lugar determinado, fazendo-nos ver que «se oferecem sacrifícios ao seu nome em todos os pontos da Terra» (Mal 1,11). Com efeito, agora é o tempo em que os verdadeiros adoradores não adoram o Pai em Jerusalém, nem no monte Garizim, mas em espírito e verdade (cf Jo 4,21-24). Assim, pois, Deus não habita num local específico da Terra, mas no coração do homem. Quereis saber onde está Deus? Está num coração puro; é aí que Ele faz a sua morada, conforme disse por meio do profeta: «Habitarei e andarei no meio deles, eles serão o meu povoLeia mais →

A sabedoria pessoal de Deus, o seu único Filho, criou e realizou todas as coisas. Com efeito, diz o salmo: «Tudo fizeste com sabedoria» (103,24). […] Tal como o nosso discurso humano é imagem desta Palavra que é o Filho de Deus (cf Jo 1,1), assim também a nossa sabedoria é imagem deste Verbo que é a Sabedoria em pessoa. Porque temos nela a capacidade de conhecer e de pensar, somos capazes de receber a Sabedoria criadora, por meio da qual podemos conhecer o Pai: «Aquele que tem o Filho tem também o Pai» (1Jo 2,23), e ainda: «Quem Me recebe, recebe Aquele que MeLeia mais →

[João Batista dizia:] Na tua presença, Senhor Jesus, não me posso calar, porque «eu sou a voz daquele que brada no deserto: preparai o caminho do Senhor. Sou eu que necessito de ser batizado por Ti, e és Tu que vens a mim!» (Mt 3,3.14) Ao nascer, apaguei a esterilidade daquela que me gerou; quando era um nascituro, trouxe remédio para a mudez de meu pai, recebendo de Ti a graça desse milagre. Mas Tu, nascido da Virgem Maria da forma que quiseste e que és o único a conhecer, Tu não apagaste a sua virgindade, Tu a protegeste acrescentando-lhe o título de mãe; nemLeia mais →

O que vedes no altar de Deus é o pão e o cálice: é isso que os olhos identificam. Mas a vossa fé é instruída e sabe que este pão é o corpo de Cristo e este cálice é o seu sangue. […] Mas como pode este pão ser o seu corpo, e este cálice, ou melhor, o seu conteúdo, ser o seu sangue? Irmãos, é a isto que se chama os sacramentos: eles mostram uma realidade e, a partir dela, fazem-nos compreender outra realidade. O que vemos é uma aparência corporal, mas o que compreendemos é um fruto espiritual. Se quereis compreender o queLeia mais →

«Então veio Jesus da Galileia ter com João ao Jordão para ser batizado por ele. João opunha-se, dizendo: “Eu é que tenho necessidade de ser batizado por Ti”» (Mt 3,13-14)]. Na tua presença, Senhor Jesus, não posso calar-me, porque sou a voz, a voz que clama no deserto: «Preparai o caminho do Senhor». Sou eu que tenho necessidade de ser batizado por Ti e Tu vens a mim? […] Tu, que eras no princípio, Tu, que estavas em Deus e eras Deus (cf Jo 1,1); Tu, que és o resplendor da glória do Pai e a imagem da sua substância (cf Hb 1,3); Tu, que,Leia mais →