«Encontrando-Se Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso, e estando à mesa, chegou uma mulher que trazia um frasco de alabastro com perfume de nardo puro, de elevado preço» (Mc 14,3). Esta mulher fala-vos diretamente, a vós, que ides receber o batismo. Ela partiu o frasco de alabastro para que Cristo, o Ungido do Senhor, fizesse de vós cristãos pela unção, como está dito no Cântico dos Cânticos: «O teu nome é como perfume derramado: por isso te amam as donzelas. Leva-me atrás de ti, corramos!» (1,3-4). Enquanto o perfume estava fechado, enquanto Deus era conhecido apenas na Judeia, enquanto o seu nomeLeia mais →

Balaão tinha profetizado: «Como são formosas as tuas moradas, ó Jacob, e as tuas tendas, Israel» (Nm 24,5). Jacob é o símbolo dos homens perfeitos em ações e obras, e Israel, o daqueles que buscam a sabedoria e o conhecimento. […] Daquele que cumpriu o seu dever e atingiu a perfeição das obras, dir-se-á que essa perfeição é a sua morada, a sua casa. Pelo contrário, não há termo para os esforços dos que trabalham na sabedoria e no conhecimento — pois onde está o limite da sabedoria de Deus? Quanto mais nos aproximarmos dela, mais profundidade lhe descobriremos; quanto mais a escutarmos, melhor entenderemosLeia mais →

Não há nada mais insensato que um cristão que não se aplica a salvar os outros. Não podes argumentar com o pretexto da pobreza, pois a viúva que deu as duas moedinhas levantar-se-ia para te acusar (cf Lc 21,2); e também Pedro, que dizia: «Não tenho ouro nem prata» (At 3,6), assim como Paulo, que era tão pobre que frequentemente passava fome e carecia de bens necessários (cf 1Cor 4,11). Também não podes objetar com o teu nascimento humilde: também eles eram de modesta condição. A ignorância não será melhor desculpa, pois também eles eram iletrados […]. Tão-pouco invoques a doença, já que Timóteo eraLeia mais →

Esta parábola trata da conversão dos homens a Deus, alguns desde tenra idade, outros um pouco mais tarde e alguns somente na velhice. Cristo reprime o orgulho dos primeiros e impede-os de censurar os da décima primeira hora, mostrando-lhes que todos têm a mesma recompensa. Ao mesmo tempo, estimula o zelo dos últimos, mostrando-lhes que podem merecer o mesmo salário que os primeiros. O Salvador tinha acabado de falar da renúncia às riquezas e do desprezo por todos os bens, virtudes que exigem coragem e um coração grande. Precisava, por isso, de estimular o ardor de uma alma cheia de juventude; para tal, o SenhorLeia mais →

Tu és um servo do Deus santo, um gestor para benefício dos teus companheiros de serviço. Não penses que todos os bens que possuis se destinam ao teu consumo. […] Imita a terra, homem: dá frutos como ela; não sejas mais duro que a matéria inanimada. A terra não amadurece os seus frutos para usufruir deles, mas para te ser útil. Além de que és tu que recolhes os frutos da tua generosidade, porque a recompensa pelas boas ações recai sobre aqueles que as praticam: se deste de comer ao faminto, aquilo que deste volta para ti com juros. Assim como o grão lançado àLeia mais →

Nesta passagem, o Senhor previne-nos contra os juízos temerários e injustos, pois pretende que ajamos com um coração simples, olhando sempre só para Deus. Dado que ignoramos os motivos de muitas ações, seria temerário da nossa parte julgá-las. Os mais dispostos a fazer juízos temerários e a condenar os outros são aqueles que preferem condená-los a corrigi-los e conduzi-los ao bem, uma atitude que denota orgulho e mesquinhez. […] Por exemplo, um homem peca por cólera, e tu repreende-lo com ódio. Ora, entre a cólera e o ódio vai a mesma distância que separa a trave do argueiro. O ódio é uma cólera inveterada que,Leia mais →

Que «estejam cingidos os nossos rins e acesas as nossas lâmpadas»; sejamos semelhantes «aos homens que esperam o seu senhor ao voltar do seu noivado» (Lc 12,35). Não sejamos como aqueles ímpios que dizem: «Comamos e bebamos, que amanhã morreremos» (1Cor 15,32). Quanto mais incerto é o dia da nossa morte, mais dolorosas são as tribulações desta vida; e devemos jejuar e orar ainda mais, porque efetivamente morreremos amanhã: «dentro em pouco já Me não vereis e pouco depois voltareis a ver-Me» (Jo 16,16). Agora é o momento acerca do qual Ele disse: «Chorareis e lamentar-vos-eis; o mundo alegrar-se-á e vós estareis tristes» (v. 20);Leia mais →

«Cristo confiou-nos o ministério da reconciliação» (2Cor 5,18). São Paulo faz ressaltar assim a grandeza dos apóstolos, mostrando-nos que ministério nos foi confiado e, simultaneamente, manifestando o tipo de amor com que Deus nos amou. Depois de os homens se terem recusado a escutar Aquele que Ele lhes tinha enviado, Deus não fez estalar a sua cólera, nem os rejeitou, antes persistiu em os chamar, por Si mesmo e através dos apóstolos. Quem poderá deixar de admirar semelhante solicitude? Silenciaram o Filho, que veio para os reconciliar, o Filho único da mesma natureza do Pai. Mas o Pai não Se afastou dos assassinos, nem disse:Leia mais →

Vamos participar na festa da Páscoa. Voltaremos a fazê-lo de maneira simbólica, mas já de maneira mais clara do que sob a antiga Lei, porque essa Páscoa era, se assim ouso exprimir-me, uma imagem obscura do próprio símbolo. […] Participemos nesta festa ritual de maneira evangélica, e não literária, de maneira perfeita, e não inacabada, em atitude de eternidade, e não de instante. Não tomemos como capital a Jerusalém terrena, mas a cidade celeste, não a que é hoje esmagada aos pés pelos exércitos, mas a que é glorificada pelos anjos. Não sacrifiquemos os jovens touros e os novilhos com chifres e unhas (cf SlLeia mais →

Queres que te mostre que jejum deves praticar? Jejua do pecado, não tomes qualquer alimento de maldade, não aceites refeições de volúpia, não te aqueças com o vinho da luxúria. Jejua das más ações, abstém-te de palavras invejosas, guarda-te de maus pensamentos. Não toques em pães roubados de uma doutrina perversa. Não desejes os alimentos enganadores da filosofia, que te afastam da verdade. É esse o jejum que agrada a Deus. […] Ao dizer isto, não quero aconselhar-te a relaxares as rédeas da abstinência cristã, visto que temos os dias da quaresma que são consagrados aos jejuns, para além do quarto e do sexto diasLeia mais →