A imagem é uma forma de mostrar, por analogia, as coisas que esperamos. Por exemplo, Adão é a prefiguração do Adão que havia de vir (cf 1Cor 15,45) e a pedra [no deserto, durante o Êxodo] prefigura Cristo; a água que jorra da pedra é imagem do poder vivificante do Verbo (cf Ex 17,6; 1Cor 10,4), pois Ele disse: «Se alguém tem sede, venha a Mim e beba» (Jo 7,37); o maná é a prefiguração do «pão vivo que desceu do Céu» (Jo 6,51); e a serpente colocada num poste é figura da Paixão, da nossa salvação consumada na cruz, pois quem olhasse para elaLeia mais →

«Tomai e comei», disse Jesus, «isto é o meu corpo entregue por vós» (cf 1Cor 11,24). Porque foi que os discípulos não ficaram perturbados quando ouviram estas palavras? Porque Cristo já lhes havia dito muitas coisas sobre este assunto (cf Jo 6). […] Tenhamos, nós também, plena confiança em Deus. Não apresentemos objeções, mesmo quando o que Ele diz parece contrário aos nossos raciocínios e ao que vemos. Que a sua palavra seja senhora da nossa razão e também da nossa vista. Assumamos esta atitude perante os mistérios sagrados: não vejamos neles apenas o que pode ser apreendido pelos sentidos, mas tenhamos sobretudo em contaLeia mais →

Deus é a fonte e a origem de tudo; e porque é nele, como está escrito, que «vivemos, nos movemos e existimos» (At 17:28), é dele que nos vem o afeto com o qual amamos os nossos filhos. Todo o Universo e todo o gênero humano são filhos do seu Criador; e assim, pelo afeto com que amamos os nossos filhos, Ele quis que compreendêssemos quanto Ele ama os seus filhos. Porque está escrito que «o que é invisível nele – o seu eterno poder e a sua divindade – tornou-se visível à inteligência, desde a criação do mundo, nas suas obras» (Rm 1:20): EleLeia mais →

O nosso Senhor e Salvador, irmãos caríssimos, instrui-nos pelas suas palavras e pelas suas ações. As suas ações são, já por si, mandamentos porque, quando faz alguma coisa, mesmo sem nada dizer, Ele mostra-nos como devemos agir. Eis, pois, que envia os seus discípulos a pregar dois a dois, porque os mandamentos da caridade são dois: o amor a Deus e o amor ao próximo. O Senhor envia os seus discípulos a pregar dois a dois para nos sugerir, sem o dizer, que quem não tem caridade pelos outros não deve empreender o ministério da pregação. O Senhor envia-os «dois a dois à sua frenteLeia mais →

Salvar é um ato de bondade. «A misericórdia divina estende-se a todo o ser vivo: repreende, corrige, ensina e reconduz, como pastor, o seu rebanho. Ele Se compadece daqueles que recebem os seus ensinamentos e dos que se apressam a cumprir os seus preceitos» (Sir 18,13s). […] Os sãos não têm necessidade do médico enquanto estiverem bem; os doentes, pelo contrário, recorrem à sua arte. Nesta vida, todos nós estamos doentes, pelos nossos desejos censuráveis, as nossas intemperanças […] e outras paixões; temos, pois, necessidade de um Salvador. […] Nós, os doentes, temos necessidade do Salvador; extraviados, necessitamos de quem nos guie; cegos, de quemLeia mais →

Com as mãos atrás das costas e amarrado, Policarpo era como um carneiro escolhido de entre um grande rebanho para o sacrifício, um holocausto agradável preparado para Deus. Levantou os olhos ao céu e disse: «Senhor Deus omnipotente, Pai do vosso amado e bendito Filho Jesus Cristo, por meio do qual Vos conhecemos, Deus dos anjos, das potestades, de toda a criação e de todos os justos que vivem na vossa presença, eu Vos bendigo porque Vos dignastes, neste dia e nesta hora, incluir-me no número dos vossos mártires, fazer-me tomar parte no cálice do vosso Ungido e, pelo Espírito Santo, alcançar a ressurreição naLeia mais →

Dois amores construíram duas cidades: o amor de si próprio até ao desprezo de Deus fez a cidade terrestre; o amor de Deus até ao desprezo de si próprio, a cidade celeste. Uma gloria-se a si própria; a outra ao Senhor. Uma procura a glória que vem dos homens (cf Jo 5,44); a outra coloca toda a sua glória em Deus, testemunha da sua consciência. Uma, inchada de vanglória, levanta a cabeça; a outra diz ao seu Deus: «Tu és a minha glória e aquele que me faz levantar a cabeça» (Sl 3,4). Numa, os príncipes são dominados pela paixão de dominar os seus súbditosLeia mais →

Quando Pedro, cheio de audácia, avança sobre o mar, os seus passos vacilam, mas o seu amor reforça-se […]; afundam-se-lhe os pés, mas ele agarra-se à mão de Cristo. Quando sente as ondas abrirem-se, apoia-se na fé; perturbado pela tempestade, tranquiliza-se no seu amor pelo Salvador. Pedro anda sobre o mar mais levado pelo amor que pelos pés. […] Não vê por onde caminha; vê apenas o vestígio dos passos daquele que ama. Do barco, onde estava seguro, viu o Mestre e, guiado pelo amor que Lhe tem, entra no mar. Já não vê o mar, mas apenas Jesus. Quando, porém, sente a força doLeia mais →

Pedro negou uma primeira vez e não chorou, porque o Senhor não olhou para ele. Negou uma segunda vez e não chorou, porque o Senhor ainda não tinha olhado para ele. Negou uma terceira vez, Jesus olhou para ele, e ele chorou amargamente (cf Lc 22,62). Olha-nos, Senhor Jesus, para que saibamos chorar o nosso pecado. Isto mostra que até a queda dos santos pode ser útil. A negação de Pedro não me fez mal; pelo contrário, eu ganhei com o seu arrependimento, pois aprendi a defender-me de um ambiente infiel. […] Portanto, Pedro chorou, e chorou amargamente; chorou para lavar a sua culpa comLeia mais →

Em nós, a voz e a palavra não são a mesma coisa, porque a voz pode fazer-se ouvir sem conferir sentido, sem palavras, e a palavra pode ser transmitida ao espírito sem voz, como acontece quando pensamos. Da mesma maneira, sendo o Salvador a Palavra […], João difere dele por ser a voz, por analogia com Cristo, que é a Palavra. É isso que o próprio João responde àqueles que lhe perguntam quem é ele: «Eu sou a voz do que brada no deserto: “Aplanai o caminho do Senhor”» (Jo 1,23). Talvez seja por isso, por ter duvidado do nascimento dessa voz que viria aLeia mais →