Dois amores construíram duas cidades: o amor de si próprio até ao desprezo de Deus fez a cidade terrestre; o amor de Deus até ao desprezo de si próprio, a cidade celeste. Uma gloria-se a si própria; a outra ao Senhor. Uma procura a glória que vem dos homens (cf Jo 5,44); a outra coloca toda a sua glória em Deus, testemunha da sua consciência. Uma, inchada de vanglória, levanta a cabeça; a outra diz ao seu Deus: «Tu és a minha glória e aquele que me faz levantar a cabeça» (Sl 3,4). Numa, os príncipes são dominados pela paixão de dominar os seus súbditosLeia mais →

«No meio da noite, ouviu-se um brado». Este brado é aquele de que fala o apóstolo Paulo: «Num instante, num abrir e fechar de olhos, ao som da trombeta final — pois a trombeta soará –, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados» (1Cor 15,52). E que aconteceu depois de se ouvir este brado, que soará a meio da noite? «As virgens levantaram-se». Que quer isto dizer? O próprio Senhor no-lo explica: «É chegada a hora em que todos os que estão nos túmulos hão de ouvir a sua voz e sairão» (Jo 5,28) […]. Que querem dizer estas palavras: «Não levaram azeite consigo»?Leia mais →

A graça permaneceu velada no Antigo Testamento, mas foi revelada no Evangelho de Cristo quando chegaram os tempos previstos por Deus para a revelação da sua bondade. […] Comparando estas duas épocas, notamos uma diferença profunda. No sopé do Sinai, o povo, tomado de pavor, não ousava aproximar-se do local onde Deus dava a sua lei (Ex 19); pelo contrário, no cenáculo, o Espírito Santo desceu sobre aqueles que estavam reunidos aguardando a realização da promessa (At 2). Ali, o dedo de Deus trabalhou em tábuas de pedra (Ex 31,18); aqui, no coração dos homens (Lc 11,20). […] «A realização perfeita da lei é oLeia mais →

A ação de graças, a gratidão daquele que recebe incita aquele que dá a dar sempre mais. Mas aquele que não dá graças pelas coisas pequenas, será necessariamente mentiroso e injusto nas grandes. Aquele que está doente e conhece a sua doença pode pedir a cura; aquele que reconhece o seu mal está perto da sua cura e encontrá-la-á facilmente. […] Lembra-te como caíram aqueles que pensavam ser fortes e sê humilde na virtude. […] Afasta-te de ti mesmo e o teu inimigo será afastado de ti. Tranquiliza-te e o céu e a terra encher-te-ão de paz. Esforça-te por entrar no tesouro do teu coraçãoLeia mais →

O sal sensível dá sabor ao pão e a todos os alimentos, impede certas carnes de apodrecerem, conservando-as durante muito tempo. Considera que o mesmo acontece com a guarda da inteligência, pois ela cumula de sabor divino tanto o homem interior como o homem exterior, expulsa o odor fétido dos maus pensamentos e permite-nos perseverar no bem. De uma sugestão nascem numerosos pensamentos e destes más ações sensíveis; mas quem, com Jesus, apaga imediatamente a primeira, evita as suas consequências e poderá enriquecer-se com o suave conhecimento divino pelo qual encontrará Deus, que está presente em toda a parte. Estando o espelho da inteligência dianteLeia mais →

Cristo ensinou-nos a não procurar a Deus num lugar determinado, fazendo-nos ver que «se oferecem sacrifícios ao seu nome em todos os pontos da Terra» (Mal 1,11). Com efeito, agora é o tempo em que os verdadeiros adoradores não adoram o Pai em Jerusalém, nem no monte Garizim, mas em espírito e verdade (cf Jo 4,21-24). Assim, pois, Deus não habita num local específico da Terra, mas no coração do homem. Quereis saber onde está Deus? Está num coração puro; é aí que Ele faz a sua morada, conforme disse por meio do profeta: «Habitarei e andarei no meio deles, eles serão o meu povoLeia mais →

Agora que estamos no tempo da graça que nos foi revelada, a observância do Sábado, outrora simbolizada pelo repouso de um único dia, foi abolida para os fiéis. Com efeito, neste tempo de graça, o cristão observa um Sábado perpétuo, se fizer todo o bem que faz na esperança do repouso que há de vir e não se gloriar das suas boas obras como se fossem um bem que tivesse por si mesmo, e não algo recebido. Assim, compreendendo e recebendo o sacramento do batismo como um Sábado, quer dizer, como o descanso do Senhor no seu sepulcro (cf Rom 6,4), o cristão repousa dasLeia mais →

«Então veio Jesus da Galileia ter com João ao Jordão para ser batizado por ele. João opunha-se, dizendo: “Eu é que tenho necessidade de ser batizado por Ti”» (Mt 3,13-14)]. Na tua presença, Senhor Jesus, não posso calar-me, porque sou a voz, a voz que clama no deserto: «Preparai o caminho do Senhor». Sou eu que tenho necessidade de ser batizado por Ti e Tu vens a mim? […] Tu, que eras no princípio, Tu, que estavas em Deus e eras Deus (cf Jo 1,1); Tu, que és o resplendor da glória do Pai e a imagem da sua substância (cf Hb 1,3); Tu, que,Leia mais →

O Senhor, sabendo que sem o Evangelho ninguém pode ter uma fé plena – porque se a Bíblia começa pelo Antigo Testamento, é no Novo que ela atinge a perfeição –, não esclarece as questões que Lhe colocam acerca dele próprio por palavras, mas apontando os seus atos. «Ide contar a João o que vistes e ouvistes: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciado o Evangelho; e feliz daquele que não encontrar em Mim ocasião de queda». Este testemunho é completo porque foi acerca dele que foi profetizado: «O Senhor libertaLeia mais →

A sabedoria pessoal de Deus, o seu único Filho, criou e realizou todas as coisas. Com efeito, diz o salmo: «Tudo fizeste com sabedoria» (103,24). […] Tal como o nosso discurso humano é imagem desta Palavra que é o Filho de Deus (cf Jo 1,1), assim também a nossa sabedoria é imagem deste Verbo que é a Sabedoria em pessoa. Porque temos nela a capacidade de conhecer e de pensar, somos capazes de receber a Sabedoria criadora, por meio da qual podemos conhecer o Pai: «Aquele que tem o Filho tem também o Pai» (1Jo 2,23), e ainda: «Quem Me recebe, recebe Aquele que MeLeia mais →