Ei-lo que vem, saltando as montanhas!» (Cant 2,8). Antes de mais, Cristo dá-Se a conhecer à Igreja pela sua voz. Começou por lançar a sua voz por intermédio dos profetas: fazia-Se ouvir sem Se deixar ver. A sua voz erguia-se nas mensagens que dele davam notícia e, durante esse tempo, a Igreja-Esposa, reunida desde o princípio do mundo, apenas o ouvia. Mas um dia viu-o com os seus olhos e exclamou: «Ei-lo que vem, saltando as montanhas!» […]E cada alma que é impelida pelo amor ao Verbo de Deus […] fica feliz e consolada quando sente a presença do Esposo, ela que até então seLeia mais →

Bebe primeiro do Antigo Testamento, para beberes em seguida do Novo. Se não beberes do primeiro, não poderás dessedentar-te do segundo. Bebe do primeiro para aplacares a sede, do segundo para te saciares completamente. […] Bebe da taça do Antigo Testamento e da do Novo, porque eles são a vinha (Jo 15,1), o rochedo que fez jorrar a água (1Cor 10,4), a fonte da vida (Sl 35,10). Bebe Cristo, porque Ele é «um rio […] [que] alegra a cidade de Deus» (Sl 45,5), Ele é a paz (Ef 2,14), e «hão de correr do seu coração rios de água viva» (Jo 7,38). Bebe Cristo paraLeia mais →

Abriu-se hoje para nós o paraíso, fechado há milhares de anos; neste dia, nesta hora, Deus introduziu nele o ladrão. Realizou assim duas maravilhas: abriu-nos o paraíso e fez entrar nele um ladrão. Hoje, Deus devolveu-nos a nossa pátria, reconduziu-nos à cidade dos nossos pais, abriu uma morada comum a toda a humanidade. «Hoje estarás comigo no Paraíso». Que dizes, Senhor? Estás crucificado, cravado com pregos, e prometes o Paraíso? Sim, diz Ele, para que, pela cruz, conheças o meu poder. […] Não foi por ressuscitar um morto, por dominar o mar e o vento nem por expulsar os demônios que Ele conseguiu transformar aLeia mais →

Jesus é Filho do homem, por causa de Adão e por causa da Virgem, de quem descende. […] É Cristo, o Ungido, por causa da sua divindade; esta divindade é a unção da sua humanidade […], presença total daquele que assim O consagra. […] Ele é o caminho, porque é Ele quem nos conduz. Ele é a porta, porque nos introduz no Reino. Ele é o Pastor, porque conduz o seu rebanho para as pastagens, e o leva a beber nas águas refrescantes; mostra-lhe o caminho a seguir e defende-o dos animais selvagens; vai buscar a ovelha errante, encontra a ovelha perdida, trata da ovelhaLeia mais →

É quando Jesus se aproxima de Jericó que o cego recupera a vista. Jericó significa «lua» e na Sagrada Escritura a lua é o símbolo da carne votada ao desaparecimento, pois em determinado momento do mês ela diminui, simbolizando o declínio da nossa condição humana, votada à morte. Mas, ao aproximar-se de Jericó, o nosso Criador faz com que o cego recupere a vista; ao tornar-Se próximo de nós pela carne, de que Se revestiu com a sua mortalidade, Ele torna a dar ao gênero humano a luz que este tinha perdido. É porque Deus assume a nossa natureza que o homem acede à condiçãoLeia mais →

Por que razão, quando é feito prisioneiro, João Batista envia os seus discípulos perguntar a Cristo: «És Tu Aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?», como se não soubesse quem era Aquele que lhes tinha apresentado? […] Esta pergunta depressa encontra resposta se examinarmos o tempo e a ordem com que se desenrolaram os factos. Nas margens do Jordão, João afirma que Jesus é o Redentor do mundo (Jo 1,29); contudo, uma vez na prisão, pergunta se Ele é Aquele que havia de vir. Não é que duvide de que Jesus seja o Redentor do mundo, mas quer saber se Aquele que veioLeia mais →

Quanto mais o rei se aproxima, mais necessidade temos de nos preparar. Quanto mais se aproxima o momento em que o prêmio será atribuído ao lutador, melhor tem de ser a luta. É também o que acontece nas corridas: quando chega o final da corrida e o objetivo se aproxima, mais se estimula o ardor dos cavalos. É por isso que Paulo diz: «A salvação está agora mais perto de nós do que quando abracamos a fé. A noite vai adiantada e o dia está próximo» (Rom 13,11-12). Uma vez que a noite se desvanece e o dia surge, façamos as obras do dia eLeia mais →

«Abraão apanhou a lenha destinada ao holocausto, entregou-a ao seu filho Isaac e, levando na mão o fogo e o cutelo, seguiram os dois juntos. Isaac disse a Abraão, seu pai: […] “Levamos fogo e lenha, mas onde está a vítima para o holocausto?” Abraão respondeu: “Deus proverá quanto à vítima para o holocausto, meu filho”» (Gn 22,6-8). Esta resposta de Abraão, que é simultaneamente exata e prudente, impressiona-me. Não sei o que foi que ele viu em espírito, porque a verdade é que não é do presente que está a falar, mas do futuro, quando diz: «Deus proverá». O filho interroga-o sobre o presente,Leia mais →

Na Igreja, não habitam apenas ovelhas nem voam apenas aves puras. O trigo é semeado no campo e, «no meio de esplêndidas culturas, surgem as bardanas e os espinheiros, bem como as aveias selvagens» (Virgílio, «Geórgicas»). O que há de fazer o camponês? Arrancar o joio? Mas, se o fizer, arrancará também o resto da colheita! A habilidade do camponês expulsa diariamente as aves por meio do ruído, assusta-as com espantalhos […]. Mas nem por isso deixam de fazer incursões os velozes cabritos-monteses, os onagros atrevidos; por um lado, os produtores guardam o trigo nos seus celeiros subterrâneos, por outro as formigas, em febril colônia,Leia mais →

Recebemos de Deus a tendência natural para fazer o que Ele nos manda, de maneira que não podemos insurgir-nos, como se Ele nos pedisse uma coisa extraordinária, nem orgulhar-nos, como se déssemos mais do que aquilo que nos é dado. […] Ao recebermos de Deus o mandamento do amor, possuímos imediatamente, desde a nossa origem, a faculdade natural de amar. Não foi a partir do exterior que fomos por ela enformados; e isto é evidente, porque procuramos naturalmente aquilo que é belo […]; sem que no-lo ensinem, amamos aqueles que nos são aparentados, pelos laços do sangue ou de uma qualquer aliança; enfim, de boaLeia mais →