Os apóstolos, que precisavam de ser confirmados na sua fé, receberam no prodígio da Transfiguração um ensinamento adequado para os levar ao conhecimento de todas as coisas. Com efeito, Moisés e Elias, quer dizer, a Lei e os profetas apareceram a falar com o Senhor. […] Como diz São João: «A Lei foi comunicada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo» (1,17). O apóstolo Pedro estava, por assim dizer, arrebatado em êxtase com o desejo dos bens eternos; cheio de alegria com tal visão, desejava habitar com Jesus naquele lugar, onde a sua glória, assim manifestada, o cumulava de júbilo. PorLeia mais →

Bebe primeiro do Antigo Testamento, para beberes em seguida do Novo. Se não beberes do primeiro, não poderás dessedentar-te do segundo. Bebe do primeiro para aplacares a sede, do segundo para te saciares completamente. […] Bebe da taça do Antigo Testamento e da do Novo, porque eles são a vinha (Jo 15,1), o rochedo que fez jorrar a água (1Cor 10,4), a fonte da vida (Sl 35,10). Bebe Cristo, porque Ele é «um rio […] [que] alegra a cidade de Deus» (Sl 45,5), Ele é a paz (Ef 2,14), e «hão de correr do seu coração rios de água viva» (Jo 7,38). Bebe Cristo paraLeia mais →

«Eis o dia que fez o Senhor; nele exultemos e rejubilemos!» (Sl 117,24). Porquê? Porque o sol recuperou o seu fulgor e tudo se ilumina; porque o véu do Templo já não está rasgado: a Igreja foi revelada; porque já não temos na mão os ramos de palmeira, mas rodeamos os novos batizados. «Eis o dia que fez o Senhor!» […] Eis o dia em sentido próprio, o dia triunfal, o dia dedicado a festejar a ressurreição, o dia em que nos revestimos de graça, o dia em que partilhamos o Cordeiro espiritual, […] o dia em que se realiza o plano da Providência emLeia mais →

«Meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada». Considerai, irmãos muito amados, que festa não é receber a Deus na morada do nosso coração! Se um amigo rico e poderoso quisesse entrar em nossa casa, evidentemente, toda a casa seria limpa, para que nada pudesse chocar o seu olhar quando entrasse. Que aquele que prepara para Deus a morada da sua alma purifique tudo o que estiver sujo devido às suas más ações. Notai bem o que diz a Verdade: «Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada». Porque Ele pode passar no coração de alguns semLeia mais →

O mar simboliza o mundo atual, batido pelas ondas tumultuosas das nossas ocupações e pelos turbilhões de uma vida caduca. E a terra firme da margem representa a perpetuidade do descanso eterno. Os discípulos afadigam-se no lago porque ainda estão presos nas ondas da vida mortal, mas o nosso Redentor, depois da sua ressurreição, permanece na margem, uma vez que já ultrapassou a condição da fragilidade da carne. É como se Ele tivesse querido servir-Se dessas coisas para falar aos seus discípulos do mistério da sua ressurreição, dizendo-lhes: «Já não vos apareço no mar (Mt 14,25), porque já não estou entre vós, no meio daLeia mais →

«Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?» Estas palavras: «Donde me é dado?» não são sinal de ignorância, como se Isabel, toda cheia do Espírito Santo, não soubesse que a Mãe do Senhor tinha ido até ela de acordo com a vontade de Deus. Eis o sentido das suas palavras: «Que fiz eu de bom? Que importância têm as minhas obras, para que a Mãe do Senhor venha ver-me? Serei uma santa? Que perfeição, que fidelidade me mereceram esta graça, a visita da Mãe doLeia mais →

Encontramos em Cristo características tão humanas, que não têm nada que as distinga da fraqueza que é comum a todos nós, os mortais, e ao mesmo tempo características tão divinas, que só podem pertencer à soberana natureza divina. Perante isto, a inteligência humana, que é demasiado restrita, sente uma admiração tão grande, que não sabe o que pensar nem que direção tomar: pressente Deus em Cristo, mas vê-O morrer; toma-O por homem, e eis que Ele ressuscita dos mortos com o seu espólio de vitória, após ter destruído o império da morte. Deste modo, a nossa contemplação deve ser exercida com muita reverência e temor,Leia mais →

«Abraão apanhou a lenha destinada ao holocausto, entregou-a ao seu filho Isaac e, levando na mão o fogo e o cutelo, seguiram os dois juntos. Isaac disse a Abraão, seu pai: […] “Levamos fogo e lenha, mas onde está a vítima para o holocausto?” Abraão respondeu: “Deus proverá quanto à vítima para o holocausto, meu filho”» (Gn 22,6-8). Esta resposta de Abraão, que é simultaneamente exata e prudente, impressiona-me. Não sei o que foi que ele viu em espírito, porque a verdade é que não é do presente que está a falar, mas do futuro, quando diz: «Deus proverá». O filho interroga-o sobre o presente,Leia mais →

Olhando para a promessa de Deus e ignorando qualquer perspetiva humana, sabendo que Deus é capaz de obras que ultrapassam a natureza, Abraão confiou nas palavras que lhe tinham sido dirigidas, não guardou nenhuma dúvida no seu espírito e não hesitou sobre o sentido que devia dar às palavras de Deus. Porque é próprio da fé confiar no poder daquele que nos fez uma promessa. […] Deus tinha prometido a Abraão que dele nasceria uma descendência incontável. Esta promessa ultrapassava as possibilidades da natureza e as perspetivas puramente humanas; por isso é que a fé que ele tinha em Deus «lhe foi contada como justiça»Leia mais →

Responde àqueles a quem os estigmas da Paixão no corpo de Cristo mergulham na incerteza, e que colocam esta pergunta: «Quem é esse rei glorioso?» (cf Sl 24,8) Responde-lhes que é Cristo, «forte e poderoso» (ibid) em tudo o que fez e continua a fazer. […] De fato, achas pouco que Ele Se tenha feito humilde por tua causa? Acha-l’O desprezível pelo facto de, sendo Bom Pastor, ter oferecido a vida pelo seu rebanho, ter vindo procurar a ovelha perdida e, tendo-a encontrado, a ter levado aos ombros, esses ombros que levaram a cruz por ela, e, tendo-a conduzido à vida do alto, a terLeia mais →