Até quando deixaremos de obedecer a Cristo, que nos chama para o seu reino celeste? Até quando deixaremos de nos purificar? Não nos decidiremos a abandonar o nosso gênero habitual de vida, para seguir a fundo o Evangelho? Afirmamos desejar o reino de Deus, mas não nos preocupamos excessivamente com os meios para o alcançar. Ora, apesar de não nos dedicarmos minimamente à observância dos mandamentos do Senhor, estamos convencidos, na vaidade do nosso espírito, de que somos dignos de receber a mesma recompensa que recebem aqueles que resistiram ao pecado até à morte. Mas quem é o homem que, tendo-se deitado em sua casaLeia mais →

Naaman era sírio, tinha lepra e ninguém conseguia purificá-lo daquela doença. […] Foi a Israel e Eliseu ordenou-lhe que se banhasse sete vezes no Jordão. Então Naaman pensou que os rios da sua pátria tinham águas melhores, nas quais ele se tinha banhado muitas vezes sem ter sido purificado da lepra. […] Mas acabou por se banhar e, imediatamente purificado, compreendeu que a purificação não viera das águas, mas da graça. […] Foi por isso que [no dia do teu batismo] te disseram: não creias apenas naquilo que vês, porque poderias dizer como Naaman: é esse o grande mistério que «nem o olho viu, nemLeia mais →

«Oxalá ouvísseis hoje a sua voz! Não endureçais os vossos corações como em Meriba, […] no deserto, quando os vossos pais Me provocaram. […] Eles não entrarão no lugar do meu repouso» (Sl 94,7-11). A graça da promessa de Deus é abundante, se hoje ouvirmos a sua voz, porque este «hoje» refere-se a cada novo dia enquanto se disser «hoje». Este «hoje» permanece até ao fim dos tempos, como permanece também a nossa possibilidade de aprender; nessa altura, o verdadeiro «hoje», o dia sem fim de Deus, confundir-se-á com a eternidade. Obedeçamos, pois, à voz do Verbo divino, à Palavra de Deus encarnada, porque oLeia mais →

De todas as grandes coisas e maravilhosas que se pode dizer sobre Cristo, há uma que ultrapassa totalmente a admiração de que o espírito humano é capaz; a fragilidade da nossa inteligência mortal não consegue compreendê-la nem imaginá-la. É o fato de a omnipotência da majestade divina, o próprio Verbo do Pai (Jo 1,1), a própria Sabedoria de Deus (1Cor 1,24), na qual todas as coisas foram criadas — as visíveis e as invisíveis (Jo 1,3; Col 1,16) — Se ter deixado conter nos limites deste homem que Se manifestou na Judeia. É este o objeto da nossa fé. E há mais: acreditamos que aLeia mais →

Na Igreja, não habitam apenas ovelhas nem voam apenas aves puras. O trigo é semeado no campo e, «no meio de esplêndidas culturas, surgem as bardanas e os espinheiros, bem como as aveias selvagens» (Virgílio, «Geórgicas»). O que há de fazer o camponês? Arrancar o joio? Mas, se o fizer, arrancará também o resto da colheita! A habilidade do camponês expulsa diariamente as aves por meio do ruído, assusta-as com espantalhos […]. Mas nem por isso deixam de fazer incursões os velozes cabritos-monteses, os onagros atrevidos; por um lado, os produtores guardam o trigo nos seus celeiros subterrâneos, por outro as formigas, em febril colônia,Leia mais →

A invocação contínua de Jesus, quando acompanhada de um desejo pleno de ternura e alegria, permite que o espaço do coração se encha de alegria e serenidade pela graça da atenção extrema. Mas aquele que conduz ao seu termo a purificação do coração é Jesus Cristo, Filho de Deus e Deus, que é a origem e o Criador de todos os bens. Pois Ele diz: «Eu sou o Deus da paz» (Is 45,7). […] Façamos, como David, o esforço de gritar: «Senhor Jesus Cristo». Fiquemos roucos e que o olhar da nossa inteligência não deixe de esperar no Senhor nosso Deus (Sl 68,4). Se nosLeia mais →

São Paulo dizia: «A fraqueza de Deus é mais forte do que todos os homens» (1Cor 1,25). É evidente que a pregação é obra de Deus, pois como poderiam doze homens ignorantes, que viviam à beira de lagos e de rios e no deserto, ter tido a ideia de proceder a tal diligência? Como poderiam, eles que nunca tinham visitado as cidades e respetivas assembleias, pensar em mobilizar-se contra o mundo inteiro? Estavam cheios de medo, e o evangelista mostra-o bem, pois não quis desculpar nem esconder os seus defeitos. Isto é uma prova muito forte de veracidade. O que diz deles? Que, quando CristoLeia mais →

Quando alguém se torna digno de experimentar o amor de Deus, tem o hábito de esquecer todas as coisas por causa da suavidade deste amor, pois uma vez experimentado tal amor, todas as coisas visíveis perdem o interesse. A sua alma aproxima-se jubilosamente do amor dos homens, sem distinção: não se deixa perturbar pelas suas fraquezas, que não receia, à semelhança dos bem-aventurados apóstolos, que, no meio de tantos males que tiveram de suportar por parte dos seus carrascos, foram totalmente incapazes de os odiar e não tinham dificuldade em os amar. Isto manifestou-se em fatos: no final, sofreram a própria morte para poderem umLeia mais →

Seguidamente, o Senhor propõe a parábola do fermento. «Assim como o fermento comunica a sua força invisível a toda a massa do pão, do mesmo modo a força do evangelho transformará o mundo inteiro graças ao ministério dos meus apóstolos. […] Não me respondais: “Que poderemos nós fazer, sendo doze miseráveis pecadores, perante o mundo inteiro?” Será precisamente a enorme diferença entre a causa e o efeito, a vitória de um punhado de homens sobre a multidão, que demonstrará o vigor da vossa força. Não é por se misturar o fermento na massa “ocultando-o” nela, segundo o evangelho, que toda a massa se transforma? Assim,Leia mais →

A morte, uma vez vencida pelo Salvador e pregada na cruz como que num pelourinho, será pisada por todos os que caminham em Cristo. Prestando homenagem a Cristo, estes zombam da morte, não lhe dão importância e repetem o que foi escrito sobre ela: «Morte, onde está a tua vitória? Inferno, onde está o teu ferrão?» (1Cor 15,55; Os 13,14). […] Será fraca demonstração da vitória obtida pelo Salvador sobre ela que os cristãos, crianças e jovens, desprezem a vida presente e prefiram morrer a renegar a sua fé? O homem teme naturalmente a morte e a dissolução do seu corpo; mas, coisa extraordinária, aqueleLeia mais →