Por intermédio de sua mãe, os filhos de Zebedeu fazem ao Mestre este pedido, na presença dos companheiros : «Ordena que nos sentemos um à tua direita e o outro à tua esquerda». […] Cristo apressa-Se a tirar-lhes as ilusões, dizendo-lhes que devem estar prontos a sofrer injúrias, perseguições e mesmo a morte: «Não sabeis o que estais a pedir. Podeis beber o cálice que Eu hei de beber?» Que ninguém se espante por ver os apóstolos presa de tão imperfeitas inclinações. Espera que o mistério da cruz seja cumprido, que a força do Espírito Santo lhes seja comunicada. Se queres ver a sua forçaLeia mais →

A morte, uma vez vencida pelo Salvador e pregada na cruz como que num pelourinho, será pisada por todos os que caminham em Cristo. Prestando homenagem a Cristo, estes zombam da morte, não lhe dão importância e repetem o que foi escrito sobre ela: «Morte, onde está a tua vitória? Inferno, onde está o teu ferrão?» (1Cor 15,55; Os 13,14). […] Será fraca demonstração da vitória obtida pelo Salvador sobre ela que os cristãos, crianças e jovens, desprezem a vida presente e prefiram morrer a renegar a sua fé? O homem teme naturalmente a morte e a dissolução do seu corpo; mas, coisa extraordinária, aqueleLeia mais →

Como a fraqueza dos homens não é capaz de manter um rumo firme neste mundo escorregadio, o bom médico mostra-nos o remédio para os nossos desvios, e o juiz misericordioso não nos recusa a esperança do perdão. Compreende-se assim que São Lucas tenha apresentado em sequência as três parábolas da ovelha perdida, da dracma perdida e do filho que estava morto e regressou à vida; fê-lo para que este triplo remédio nos comprometa a cuidarmos das nossas feridas. […] Alegremo-nos, pois, pelo facto de a ovelha que se tinha perdido em Adão ser reerguida em Cristo. Os ombros de Cristo são os braços da cruz;Leia mais →

Onde está o coração do homem está também o seu tesouro; pois Deus não costuma negar o bem aos que lhe pedem. Porque o Senhor é bom, e é bom sobretudo para os que nele esperam, unamo-nos a ele, permaneçamos com ele de toda a nossa alma, de todo o coração e de todas as forças, para vivermos na sua luz, vermos a sua glória e gozarmos da graça da felicidade terna. Já que Deus é o nosso refúgio, e Deus está nos céus e no mais alto dos céus, é preciso fugir daqui para as alturas onde reina a paz, onde repousaremos de nossasLeia mais →

Recebemos de Deus a tendência natural para fazer o que Ele nos manda, de maneira que não podemos insurgir-nos, como se Ele nos pedisse uma coisa extraordinária, nem orgulhar-nos, como se déssemos mais do que aquilo que nos é dado. […] Ao recebermos de Deus o mandamento do amor, possuímos imediatamente, desde a nossa origem, a faculdade natural de amar. Não foi a partir do exterior que fomos por ela enformados; e isto é evidente, porque procuramos naturalmente aquilo que é belo […]; sem que no-lo ensinem, amamos aqueles que nos são aparentados, pelos laços do sangue ou de uma qualquer aliança; enfim, de boaLeia mais →

O Verbo, a Palavra de Deus incorpórea, incorruptível e imaterial, veio habitar no meio de nós, ainda que antes não tivesse estado ausente. Com efeito, não deixara parte alguma da criação privada da sua presença, pois Ele estava em todas as coisas e em toda a parte, Ele que mora junto do Pai. Mas tornou-Se presente humilhando-Se por causa do seu amor por nós, e a nós Se manifestou […]. Teve piedade da nossa espécie, teve compaixão da nossa fragilidade, condescendeu para com a nossa perecível condição. Não aceitou que a morte nos dominasse; não quis ver perecer o que tinha iniciado, nem que seLeia mais →

Evitemos perder a esperança, mas evitemos igualmente ceder à indolência. […] O desespero impede quem cai de se voltar a levantar; a indolência faz cair quem está de pé. […] Se a presunção nos faz tombar do alto dos céus, o desespero lança-nos no abismo infinito do mal, mas basta um pouco de esperança para nos arrancar a ele. […] Foi assim que Nínive foi salva. Era natural que a sentença divina pronunciada contra os ninivitas os afundasse no desalento, porque ela não dizia: «Se vos arrependerdes, sereis salvos», mas: «Dentro de três dias, Nínive será destruída» (Jn 3,4). Contudo, nem as ameaças do Senhor,Leia mais →

Seguidamente, o Senhor propõe a parábola do fermento. «Assim como o fermento comunica a sua força invisível a toda a massa do pão, do mesmo modo a força do evangelho transformará o mundo inteiro graças ao ministério dos meus apóstolos. […] Não me respondais: “Que poderemos nós fazer, sendo doze miseráveis pecadores, perante o mundo inteiro?” Será precisamente a enorme diferença entre a causa e o efeito, a vitória de um punhado de homens sobre a multidão, que demonstrará o vigor da vossa força. Não é por se misturar o fermento na massa “ocultando-o” nela, segundo o evangelho, que toda a massa se transforma? Assim,Leia mais →

Se queres ser grande, não cultives o orgulho como o fariseu da parábola (Lc 18,9s), e serás verdadeiramente grande. Convence-te de que não tens méritos, e tê-los-ás. O publicano reconheceu que era pecador e, desse modo, tornou-se justo; quanto mais o justo que se reconhece pecador verá aumentar a sua justiça e os seus méritos! A humildade faz do pecador um justo, porque ele reconhece a verdade da sua vida; e a humildade verdadeira age na alma dos justos de forma ainda mais poderosa. Não percas, pois, por vã glória, o fruto que conquistaste com o teu esforço, o salário das tuas dores, a recompensaLeia mais →

A Santa Igreja, ainda que muito diversa na multiplicidade das pessoas, é unificada pelo fogo do Espírito Santo. Se, materialmente, parece repartida em várias famílias, o mistério da sua profunda unidade nada pode perder da sua integridade: «Porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado», diz São Paulo (Rom 5,5). Este Espírito é, sem qualquer dúvida, uno e múltiplo ao mesmo tempo, uno na essência da sua majestade, múltiplo nos dons e nos carismas concedidos à Santa Igreja, que enche com a sua presença. E este Espírito permite à Igreja ser simultaneamente una na sua extensãoLeia mais →