Naaman era sírio, tinha lepra e ninguém conseguia purificá-lo daquela doença. […] Foi a Israel e Eliseu ordenou-lhe que se banhasse sete vezes no Jordão. Então Naaman pensou que os rios da sua pátria tinham águas melhores, nas quais ele se tinha banhado muitas vezes sem ter sido purificado da lepra. […] Mas acabou por se banhar e, imediatamente purificado, compreendeu que a purificação não viera das águas, mas da graça. […] Foi por isso que [no dia do teu batismo] te disseram: não creias apenas naquilo que vês, porque poderias dizer como Naaman: é esse o grande mistério que «nem o olho viu, nemLeia mais →

Recebemos de Deus a tendência natural para fazer o que Ele nos manda, de maneira que não podemos insurgir-nos, como se Ele nos pedisse uma coisa extraordinária, nem orgulhar-nos, como se déssemos mais do que aquilo que nos é dado. […] Ao recebermos de Deus o mandamento do amor, possuímos imediatamente, desde a nossa origem, a faculdade natural de amar. Não foi a partir do exterior que fomos por ela enformados; e isto é evidente, porque procuramos naturalmente aquilo que é belo […]; sem que no-lo ensinem, amamos aqueles que nos são aparentados, pelos laços do sangue ou de uma qualquer aliança; enfim, de boaLeia mais →

Quando alguém se torna digno de experimentar o amor de Deus, tem o hábito de esquecer todas as coisas por causa da suavidade deste amor, pois uma vez experimentado tal amor, todas as coisas visíveis perdem o interesse. A sua alma aproxima-se jubilosamente do amor dos homens, sem distinção: não se deixa perturbar pelas suas fraquezas, que não receia, à semelhança dos bem-aventurados apóstolos, que, no meio de tantos males que tiveram de suportar por parte dos seus carrascos, foram totalmente incapazes de os odiar e não tinham dificuldade em os amar. Isto manifestou-se em fatos: no final, sofreram a própria morte para poderem umLeia mais →

De todas as grandes coisas e maravilhosas que se pode dizer sobre Cristo, há uma que ultrapassa totalmente a admiração de que o espírito humano é capaz; a fragilidade da nossa inteligência mortal não consegue compreendê-la nem imaginá-la. É o fato de a omnipotência da majestade divina, o próprio Verbo do Pai (Jo 1,1), a própria Sabedoria de Deus (1Cor 1,24), na qual todas as coisas foram criadas — as visíveis e as invisíveis (Jo 1,3; Col 1,16) — Se ter deixado conter nos limites deste homem que Se manifestou na Judeia. É este o objeto da nossa fé. E há mais: acreditamos que aLeia mais →

A invocação contínua de Jesus, quando acompanhada de um desejo pleno de ternura e alegria, permite que o espaço do coração se encha de alegria e serenidade pela graça da atenção extrema. Mas aquele que conduz ao seu termo a purificação do coração é Jesus Cristo, Filho de Deus e Deus, que é a origem e o Criador de todos os bens. Pois Ele diz: «Eu sou o Deus da paz» (Is 45,7). […] Façamos, como David, o esforço de gritar: «Senhor Jesus Cristo». Fiquemos roucos e que o olhar da nossa inteligência não deixe de esperar no Senhor nosso Deus (Sl 68,4). Se nosLeia mais →

Crês que, quando vier o Filho do Homem, encontrará fé sobre a Terra? (Lc 18,8) Aqueles que lançam esta pergunta do Evangelho devem recordar-se de que a fé que é aqui referida é aquela sobre a qual o Senhor dizia: «A tua fé te salvou» (Mt 9,22); e também, a propósito de um centurião: «Não encontrei semelhante fé em Israel» (Mt 8,10). […] Nem o centurião, nem a pobre mulher que tinha perdas de sangue havia doze anos (Mc 5,25) acreditavam no mistério da Trindade, que foi manifesto aos apóstolos após a ressurreição de Cristo […]; o que Jesus aprova é a simplicidade do seuLeia mais →

Na Igreja, não habitam apenas ovelhas nem voam apenas aves puras. O trigo é semeado no campo e, «no meio de esplêndidas culturas, surgem as bardanas e os espinheiros, bem como as aveias selvagens» (Virgílio, «Geórgicas»). O que há de fazer o camponês? Arrancar o joio? Mas, se o fizer, arrancará também o resto da colheita! A habilidade do camponês expulsa diariamente as aves por meio do ruído, assusta-as com espantalhos […]. Mas nem por isso deixam de fazer incursões os velozes cabritos-monteses, os onagros atrevidos; por um lado, os produtores guardam o trigo nos seus celeiros subterrâneos, por outro as formigas, em febril colônia,Leia mais →

Como a fraqueza dos homens não é capaz de manter um rumo firme neste mundo escorregadio, o bom médico mostra-nos o remédio para os nossos desvios, e o juiz misericordioso não nos recusa a esperança do perdão. Compreende-se assim que São Lucas tenha apresentado em sequência as três parábolas da ovelha perdida, da dracma perdida e do filho que estava morto e regressou à vida; fê-lo para que este triplo remédio nos comprometa a cuidarmos das nossas feridas. […] Alegremo-nos, pois, pelo facto de a ovelha que se tinha perdido em Adão ser reerguida em Cristo. Os ombros de Cristo são os braços da cruz;Leia mais →

O Senhor põe os seus olhos nos humildes, para que estes se alegrem. Mas aos orgulhosos o Senhor volta a cara, para os humilhar. O humilde recebe sempre a compaixão de Deus. […] Faz-te pequeno em tudo diante dos homens, e serás elevado acima dos príncipes deste mundo. Antecipa-te a todos os seres, beija-os, rebaixa-te diante deles, e serás mais honrado que aqueles que oferecem ouro às mãos largas. Desce abaixo de ti próprio, e verás a glória de Deus em ti. Porque onde germina a humildade, aí brota a glória de Deus. […] Se tiveres humildade no teu coração, Deus revelará nele a suaLeia mais →

São Paulo dizia: «A fraqueza de Deus é mais forte do que todos os homens» (1Cor 1,25). É evidente que a pregação é obra de Deus, pois como poderiam doze homens ignorantes, que viviam à beira de lagos e de rios e no deserto, ter tido a ideia de proceder a tal diligência? Como poderiam, eles que nunca tinham visitado as cidades e respetivas assembleias, pensar em mobilizar-se contra o mundo inteiro? Estavam cheios de medo, e o evangelista mostra-o bem, pois não quis desculpar nem esconder os seus defeitos. Isto é uma prova muito forte de veracidade. O que diz deles? Que, quando CristoLeia mais →