Sendo do alto, o Verbo, a Palavra de Deus, era e é o divino princípio de todas as coisas. Mas, agora que recebeu como nome «Aquele-que-foi-consagrado», ou seja, «Cristo», eu chamo-Lhe «cântico novo» (Sl 33, 144, 149, etc.). O Verbo fazia-nos existir desde há muito, porque estava em Deus; por Ele a nossa existência é boa. Ora este Verbo acaba de aparecer aos homens, Ele que é Deus e Homem; Ele é para nós a causa de todos os bens. Tendo aprendido com Ele a viver bem, somos por Ele introduzidos na vida eterna. Porque, como nos diz o apóstolo do Senhor, «a graça de Deus,Leia mais →

Este mundo é muito bom, tal como foi feito e tal como o vemos, porque Deus o quer assim: ninguém pode duvidar disso. Se a criação fosse desordenada, se o universo evoluísse ao acaso poder-se-ia pôr em causa esta afirmação. Mas como o mundo foi feito com sabedoria e ciência, de modo racional e lógico, posto que foi ornado de toda a beleza, é preciso que Aquele que a ele preside e que o organizou não seja senão a Palavra de Deus, o seu Verbo, o seu Logos. […] Sendo a boa Palavra do Deus de bondade, foi esse Verbo que dispôs a ordem deLeia mais →

Lemos estas palavras do profeta Isaías: «Uma voz grita: Preparai no deserto um caminho para o Senhor, aplanai na estepe uma estrada» (40,3). O Senhor quer encontrar em vós um caminho por onde possa entrar no vosso coração e aí caminhar. Preparai-Lhe esse caminho; aplanai essa estrada. […] Que caminho iremos nós preparar para o Senhor? Será um caminho material? Mas poderá a palavra de Deus tomar um caminho desses? Não será antes preciso preparar para o Senhor um caminho interior e traçar no nosso coração estradas retas e unidas? Sim, eis o caminho por onde a Palavra de Deus poderá entrar, para se instalarLeia mais →

Como pode ainda um homem considerar o próprio sangue como preço suficiente para a sua redenção, depois de Cristo ter derramado o seu sangue pela redenção de todos? Haverá alguém cujo sangue se possa comparar ao sangue de Cristo […], Ele que pelo seu sangue reconciliou o mundo com Deus? Que vítima melhor poderá haver? Que sacrifício poderá ser mais precioso? Que advogado poderá ser mais eficaz do que Aquele que Se tornou propiciação pelos pecados de todos os homens e deu a sua vida como redenção por todos nós? O que se exige, portanto, não é a propiciação ou o resgate que pode oferecerLeia mais →

Da mesma maneira que a cabeça e o corpo de um homem constituem um só e mesmo homem, assim também o Filho da Virgem e os seus membros, os eleitos, constituem um só e mesmo homem e um só Filho do homem, o Cristo total e completo, Cabeça e corpo, de que fala a Escritura. Sim, em conjunto, todos os membros formam um só corpo, que constitui, com a Cabeça, o Filho único do homem que, com o Filho de Deus, constitui o Filho único de Deus, da mesma maneira que, com Deus, Ele constitui um só Deus. Assim, o corpo inteiro é, em uniãoLeia mais →

Irmãos, quando tenho de cumprir os deveres do meu cargo episcopal, descubro que sou fraco e covarde, carregado com a fragilidade da minha própria condição, embora deseje agir com generosidade e coragem. No entanto, bebo a minha força na intercessão incansável do Sacerdote todo-poderoso e eterno que, semelhante a nós mas igual ao Pai, humilhou a sua divindade até ao nível do homem e elevou a humanidade até ao nível de Deus, encontrando uma justa e sã alegria nas disposições que Ele tomou. Com efeito, delegando em numerosos pastores o cuidado do seu rebanho, Ele não abandonou a guarda das suas ovelhas bem-amadas. Graças aLeia mais →

Parece-me que quem se dispõe a orar deverá recolher-se e procurar preparar-se, para conseguir estar mais atento e concentrado durante a oração. Deve também afastar do seu pensamento a ansiedade e a perturbação, e esforçar-se por recordar a grandeza de Deus, de quem se aproxima, considerando que será ímpio apresentar-se na sua presença sem a necessária atenção, sem algum esforço, mas com uma espécie de ligeireza; deve, enfim, rejeitar pensamentos excêntricos. Ao começar a oração, devemos, digamos assim, apresentar a alma antes das mãos, erguer a Deus o espírito antes dos olhos, libertar o espírito da terra antes de o elevarmos para o oferecer aoLeia mais →

«Destruí este templo e em três dias Eu o levantarei!» […] Tanto um como outro, tanto o templo como o corpo de Jesus, são, a meu ver, símbolos da Igreja. […] O templo será restaurado e o corpo ressuscitará ao terceiro dia. […] Porque ao terceiro dia surgirá um novo céu e uma nova terra (2Ped 3,13), quando os ossos ressequidos, quer dizer, toda a casa de Israel (Ez 37,11), voltarem a ser revestidos no grande dia do Senhor, e a morte for vencida. […] Da mesma maneira que o corpo de Jesus, sujeito à condição humana vulnerável, foi pregado na cruz e sepultado, eLeia mais →

«O que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes» (Mt 25,40). […] Tu, Marta –, com tua licença o direi, e bendita sejas pelos teus bons serviços – buscas o descanso como recompensa do teu trabalho. Agora estás ocupada com muitos serviços, queres alimentar os corpos que são mortais, embora de pessoas santas. Porventura, quando chegares à outra pátria, poderás encontrar um peregrino a quem hospedar, um faminto com quem repartir o pão, um sequioso a quem dar de beber, um doente a quem visitar, algum litigante a quem reconciliar, algum morto a quem sepultar? Lá, não haverá nada disso.Leia mais →

«Felizes os pobres de espírito porque é deles o reino dos céus» (Mt 5,3). Poderíamos perguntar-nos a que pobres quereria a Verdade referir-se se, ao dizer «Felizes os pobres», não tivesse acrescentado nada sobre o tipo de pobres de que falava. Pensar-se-ia então que, para merecer o Reino dos Céus, bastaria a indigência de que muitos sofrem devido a uma necessidade penosa e dura. Mas ao dizer: «Felizes os pobres de espírito», o Senhor mostra que o Reino dos Céus deve ser dado aos que são recomendados mais pela humildade da alma, do que pela penúria dos recursos. No entanto, não podemos duvidar de queLeia mais →