Como pode ainda um homem considerar o próprio sangue como preço suficiente para a sua redenção, depois de Cristo ter derramado o seu sangue pela redenção de todos? Haverá alguém cujo sangue se possa comparar ao sangue de Cristo […], Ele que pelo seu sangue reconciliou o mundo com Deus? Que vítima melhor poderá haver? Que sacrifício poderá ser mais precioso? Que advogado poderá ser mais eficaz do que Aquele que Se tornou propiciação pelos pecados de todos os homens e deu a sua vida como redenção por todos nós? O que se exige, portanto, não é a propiciação ou o resgate que pode oferecerLeia mais →

Desde agora, Senhor, só a Ti amo, a Ti somente me prendo, a Ti somente procuro, a Ti somente estou disposto a servir, porque só Tu ordenas com justiça. Às tuas ordens desejo submeter-me; ordena, peço-Te, ordena o que quiseres, mas cura-me, abre os meus ouvidos, a fim de que eu possa ouvir as tuas palavras. […] Recebe-me como um fugitivo, Senhor, ó Pai excelente. Sofri tempo demais; tempo demais estive submetido aos teus inimigos e fui joguete de mentiras. Recebe-me como teu servo que quer afastar-se de todas as coisas vãs. […] Sinto que tenho necessidade de regressar a Ti; estou a bater, abre-meLeia mais →

Como quase todos os homens são naturalmente conduzidos ao orgulho, o Senhor começa as bem-aventuranças por afastar o mal original da autossuficiência, aconselhando-nos a imitar o verdadeiro Pobre voluntário que é verdadeiramente feliz – de maneira a parecermo-nos com Ele por via da pobreza voluntária, segundo as nossas capacidades, para participarmos na sua bem-aventurança, na sua felicidade. «Tende entre vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus: Ele, que era de condição divina, não reivindicou o direito de ser equiparado a Deus. Mas despojou-Se a Si mesmo, tomando a condição de servo» (Fil 2,5-7). Haverá coisa mais miserável para Deus do que tomar aLeia mais →

«Regressai a Mim de todo o vosso coração», mostrai a vossa conversão «com jejum, lágrimas e sinais de luto» (Jl 2,12). Se jejuardes agora, depois sereis saciados; se chorardes agora, depois rireis; se fizerdes luto agora, mais tarde sereis consolados (cf Lc 6,21). […] Já não vos peço que «rasgueis as vossas vestes, mas os vossos corações» (Jl 2,13) porque eles estão tão cheios de pecados, que rebentarão como um odre se não os rasgardes. Quando o tiverdes feito, regressai ao Senhor vosso Deus de quem os vossos pecados passados vos afastaram. Não desespereis do perdão por causa da enormidade das vossas faltas, porque aLeia mais →

Passou por ali um samaritano. […] É propositadamente que Cristo dá a Si próprio o nome de Samaritano, Ele a quem tinham dito, para O insultarem: «Tu és um samaritano e estás possesso do demônio» (Jo 8,4). […] O viajante samaritano que era Cristo – porque Ele era de fato um viajante – viu a humanidade caída por terra. E não passou ao largo, porque a razão pela qual empreendera essa viagem era «visitar-nos» (Lc 1,68, 78), a nós, por causa de quem Ele desceu à terra e entre quem habitou. Porque Ele «fez a sua aparição na terra, onde permaneceu entre os homens» (BarLeia mais →

Numerosas são as vagas e brame a tempestade, mas não tememos ser submersos: permanecemos firmes sobre a rocha. Mesmo que o mar se enfureça, não quebrará a rocha; mesmo que as vagas se levantem, não podem engolir a barca de Jesus. Dizei-me: que podemos nós temer? A morte? «Para mim, viver é Cristo e morrer, um lucro» (Fil 1,21). O exílio? «Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe» (Sl 23,1). A confiscação dos bens? «Nada trouxemos ao mundo e nada podemos levar dele» (1Tim 6,7). Pouco me importa o que é temível neste mundo; rio-me dos seus bens. Não temo aLeia mais →

Maria torna-se testemunha da compaixão de Deus, […] aquela Maria a quem um fariseu queria quebrar o arroubo de ternura: «Se este homem fosse profeta», exclamava ele, «saberia quem é a mulher que Lhe toca e o que ela é: uma pecadora» (Lc 7,39). Mas as suas lágrimas apagaram-lhe as manchas do corpo e do coração; e ela precipitou-se a seguir os passos do seu Salvador, afastando-se dos caminhos do mal. Estava sentada aos pés de Jesus e escutava-O (Lc 10,39). Vivo, apertou-O nos braços; depois de morto, procurou-O, encontrando vivo Aquele que procurava morto. E encontrou nele tanta graça, que acabou por ser elaLeia mais →

O paralítico da piscina de Betsatá esperava um homem [para o ajudar a descer à piscina]. Quem era esse homem, a não ser o Senhor Jesus, nascido da Virgem? Com a sua vinda, Ele não prefigurou apenas a cura de algumas pessoas; Ele era a própria verdade que cura todos os homens. Por conseguinte, era Ele que se esperava que descesse, Ele de quem Deus Pai disse a João Batista: «Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer é que batiza no Espírito Santo» (Jo 1,33). […] Então, porque desceu o Espírito como uma pomba, se não para que tu a visses e reconhecessesLeia mais →

«Felizes os pobres de espírito porque é deles o reino dos céus» (Mt 5,3). Poderíamos perguntar-nos a que pobres quereria a Verdade referir-se se, ao dizer «Felizes os pobres», não tivesse acrescentado nada sobre o tipo de pobres de que falava. Pensar-se-ia então que, para merecer o Reino dos Céus, bastaria a indigência de que muitos sofrem devido a uma necessidade penosa e dura. Mas ao dizer: «Felizes os pobres de espírito», o Senhor mostra que o Reino dos Céus deve ser dado aos que são recomendados mais pela humildade da alma, do que pela penúria dos recursos. No entanto, não podemos duvidar de queLeia mais →

Tal como os olhos sãos desejam a luz, assim o jejum efetuado com discernimento suscita o desejo da oração. Quando um homem começa a jejuar, deseja comunicar com Deus nos pensamentos do seu espírito. Com efeito, o corpo que jejua não suporta dormir toda a noite no seu leito. Quando o jejum sela a boca do homem, este medita em estado de contrição, o seu coração reza, o seu rosto está sério, os maus pensamentos deixam-no; é inimigo das cobiças e das conversas vãs. Nunca se viu um homem jejuar com discernimento e ser assaltado por maus desejos. O jejum feito com discernimento é umaLeia mais →