Que fez, pois, o ladrão para receber em herança o paraíso, logo a seguir à cruz? […] Enquanto Pedro negava Cristo, o ladrão, do alto da cruz, dava testemunho Dele. Não digo isto para denegrir Pedro; digo-o para pôr em evidência a grandeza de alma do ladrão. […] Aquele ladrão, enquanto toda a populaça se mantinha à sua volta, acusando, vociferando, cobrindo-os de blasfémias e de sarcasmos, não lhes deu a menor importância. Nem sequer teve em conta o estado miserável da crucifixão que se erguia diante dele. Lançou sobre tudo isso um olhar cheio de fé. […] Virou-se para o Senhor dos céus e,Leia mais →

A semana comporta evidentemente sete dias: Deus deu-nos seis para trabalharmos, e deu-nos um para rezarmos, repousarmos e para nos libertarmos dos nossos pecados…   Vou expor-te as razões pelas quais a tradição de guardarmos o domingo e de nos abstermos de trabalhar nos foi transmitida. Quando o Senhor confiou o sacramento aos discípulos, «tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e deu-o aos seus discípulos, dizendo: “ Tomai e comei, este é o meu corpo entregue por vós em remissão dos pecados”». Da mesma forma, deu-lhes o cálice dizendo: «Bebei todos, este é o meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por vós e pela multidãoLeia mais →

Meus caros, Paulo, o apóstolo dos pagãos, não contradiz a nossa fé quando diz: «Ainda que tenhamos conhecido a Cristo à maneira humana, agora já não o conhecemos assim» (2 Co 5,16). A ressurreição do Senhor não pôs um termo à sua carne; transformou-a. O aumento da sua força não destruiu a sua substância; a qualidade mudou; a natureza não foi aniquilada. Crucificaram aquele corpo, ferrando-o a pregos: tornou-se inacessível ao sofrimento. Deram-lhe a morte: tornou-se imortal. Assassinaram-no: tornou-se incorruptível. E bem podemos dizer que a carne humana de Cristo não é, com efeito, a que tínhamos conhecido; porque nela deixou de haver vestígio deLeia mais →

O Senhor instala-se numa alma fervorosa, faz dela o Seu trono de glória, senta-se nele e aí permanece… Essa casa que o seu dono habita é toda graça, ordem e beleza, como a alma com a qual e na qual o Senhor habita é só ordem e beleza. Ela possui o Senhor e todos os tesouros espirituais. Nela, Ele é o habitante, Ele é o chefe. Mas como é horrorosa a casa cujo dono está ausente, da qual o Senhor está longe. Ela degrada-se, entra em ruína, enche-se de porcaria e de desordem. Torna-se, de acordo com a palavra de um profeta, num covil deLeia mais →

Moisés escreveu na Lei: «Deus fez o homem à Sua imagem e à Sua semelhança» (Gn 1, 26)… Cabe-nos pois a nós refletir, para o Nosso Deus, para o nosso Pai, a imagem da Sua santidade… Não sejamos pintores de uma imagem diferente… e, para que não inscrevamos em nós a imagem do orgulho, deixemos que o próprio Cristo pinte em nós a Sua imagem. Ele pintou-a quando disse: «Dou-vos a paz. Deixo-vos a minha paz». Mas de que nos serve saber que essa paz é boa, se não cuidamos dela? Aquilo que é bom habitualmente é frágil; e os bens preciosos reclamam cuidados maioresLeia mais →

«Não penseis que vim revogar a Lei ou os profetas. Não vim revogá-los, mas levá-los à perfeição» […] Naquele tempo, com efeito, o Senhor exerceu o poder para cumprir na sua pessoa todos os mistérios que a Lei anunciava acerca de Si. Porque, na Paixão, Ele concretizou todas as profecias. Quando, segundo a profecia do bem-aventurado David (Sl 68,22), lhe ofereceram uma esponja embebida em vinagre para acalmar a sede, Ele aceitou-a dizendo: «Tudo está consumado». Depois, inclinando a cabeça, entregou o espírito (Jo 19,30). Não só Ele realizou pessoalmente tudo o que disse, como também nos confiou os seus mandamentos, para que os puséssemosLeia mais →

(1 Pd 1,11) Aproximando-se da morte, o Salvador exclamava: «Pai, chegou a hora, glorifica o teu Filho» (Jo 17,1). Ora a sua glória é a Cruz. Como poderia ele evitar aquilo que noutro momento solicita? Que a sua glória é a Cruz, ensina-o o Evangelho quando diz: “O Espírito Santo ainda não tinha sido derramado, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado” (Jo 7,39). Eis o sentido desta palavra: a Graça não tinha ainda sido concedida, porque Cristo ainda não tinha subido à Cruz para pôr fim às hostilidades entre Deus e os homens. Na verdade, foi a Cruz que reconciliou os homens com Deus,Leia mais →

Se a semente seca, não é devido ao calor. Jesus não disse que a semente secou por causa do calor, mas sim pela «falta de raiz». Se a Palavra é asfixiada, não será por causa dos espinhos, mas de quem os deixou crescer em liberdade. Se quiseres, podes impedir que cresçam, podes fazer bom uso da riqueza. É por isso que o Salvador não fala «do mundo» mas dos «cuidados do mundo», não fala «da riqueza» mas da «sedução da riqueza». Por conseguinte, não acusemos as coisas em si mesmas, mas a corrupção da nossa consciência. […] Não é o agricultor, como vês, não éLeia mais →

Hoje, a Igreja – a herdeira – exulta de alegria. Cristo, seu Esposo, que sofreu, acaba de ressuscitar… Alegra-te, ó Igreja, Esposa de Cristo! A ressurreição do teu Esposo ergueu-te da terra em que os viandantes te calcavam aos pés… Ó maravilha! … Foi semeado um único grão, e o mundo inteiro se alimenta de ele. Como homem, foi imolado, como Deus foi restituído à vida e dá vida ao mundo… Como cordeiro, foi degolado, e como pastor, com o cajado da sua cruz dispersou o rebanho dos demónios. Como uma lâmpada sobre o candelabro, extinguiu-se na cruz, e, como o sol, levantou-se do sepulcro.Leia mais →

A mão que Adão estendera para colher os frutos da árvore proibida, impregnou-a o Senhor da seiva salutar das boas obras, para que, estando ressequida pelo erro, fosse então curada pelas boas obras. Naquela ocasião, Cristo ataca os seus adversários, que com falsas interpretações violavam os princípios da Lei;  julgavam eles que o sábado devia ser observado como dia de descanso, não se permitindo o trabalho, nem  mesmo a realização de boas obras. Mas a Lei prefigurou no presente o aspecto do futuro onde, seguramente, será o mal a não trabalhar, não o bem […]. Ouviste pois as palavras do Senhor: «Estende a tua mão».Leia mais →